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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 713

~ RENATA ~

— O quê? — ele respondeu, rápido demais. — Ninguém me mandou… eu vi seu perfil e… e…

Eu inclinei a cabeça, só o suficiente para ele entender o que eu estava ouvindo — e julgando.

— Você é bonitinho, sabe? — eu disse, com um sorriso pequeno. — Mas não sabe mentir.

Ele piscou.

Eu completei, sem pressa, como quem já tinha chegado no fim do caminho.

— Foi a Bellucci, não foi?

— Quem? — ele soltou, fingindo confusão. — Eu não sei do que você tá falando.

Eu deixei o silêncio trabalhar.

Homens sempre se denunciam no intervalo entre a pergunta e a resposta. Nesse intervalo, o corpo decide.

E o corpo dele tinha decidido mal.

Claro que foi.

Claro que foi a Bianca.

Por algum motivo, ela se apagou a Bella de verdade e é exatamente por isso que ela é perigosa. Porque amor faz a Bella obedecer sem medo. Faz minha filha confiar. Faz minha filha escolher.

E escolha é o único luxo que eu não posso deixar essa criança ter.

E eu vi, com mais clareza ainda, o que veio depois da fuga.

Se Bella tinha falado alguma coisa…

Eu apertaria o controle.

Eu deveria ter apertado o controle antes.

— O que você tá fazendo aqui? — eu perguntei, e dessa vez eu deixei a doçura cair. — Você tá gravando? Vai me expor?

Ele abriu a boca, fechou.

O olhar dele escorregou para o bolso, mas eu fui mais rápida. A mão dele tentou proteger, mas eu já tinha avançado com uma impaciência limpa.

— Me dá — eu mandei.

Ele hesitou meio segundo.

Eu não dei tempo, enfiei a mão no bolso do paletó dele e senti o celular, puxando com raiva.

Tela preta. Desligado. Como as regras.

Então não era isso.

Se não era para me filmar…

Eu levantei o rosto devagar.

Ah, merda.

Eles armaram um flagrante.

Eu vi o cenário completo em um segundo: um homem “cliente” dentro da minha casa, a criança trancada no quarto, uma denúncia, polícia chegando e Bianca Bellucci aparecendo depois com o sorriso de quem tem razão.

Prova oficial.

Manchete nova.

Dessa vez, não “sequestro”. Dessa vez, “mãe negligente”, “ambiente inadequado”, “perigo”.

Eu senti o sangue subir.

— Sai da minha casa — eu rosnei, e a voz saiu alta.

Ele recuou um passo.

— Mas eu paguei e…

Eu não discuti, apenas caminhei até a penteadeira do quarto, enquanto ele me seguia com o olhar, confuso, ainda tentando entender a mudança de temperatura.

Eu fui direto na penteadeira.

Terceira gaveta.

Tirei o organizador sem pressa, como quem repete um hábito antigo.

O fundo falso cedeu sob a pressão do meu dedo — o clique era quase silencioso.

A pistola estava ali, no lugar exato, embrulhada e pronta.

Eu precisava manter aquilo.

Eu estava exposta demais trazendo homens para dentro da minha casa e um pouco de segurança era necessário.

O tipo de sorriso que não chega nos olhos.

— Sabe o que é mais feio? — eu perguntei.

Ela engoliu.

— Ficar de castigo — eu continuei. — Sem TV, sem jogos…

A boca dela tremeu.

Eu me inclinei, para ela entender que aquilo não era brincadeira.

— E sem ver o seu pai nunca mais.

O rosto dela mudou na hora.

Medo.

O medo certo.

— Você quer isso? — eu perguntei.

Ela balançou a cabeça, negando com força, e os olhos se encheram de lágrimas.

Eu apertei o controle na mão dela.

— Então faz o que eu mandei.

Ela respirou curto, como quem tenta ser corajosa.

E foi nesse momento que o interfone tocou.

Bella me olhou, assustada.

Eu encostei a mão na cabeça dela por um segundo.

— Ótimo — eu sussurrei, perto do ouvido dela. — Então faz o que eu mandei.

Eu fui até o aparelho e atendi sem deixar a voz tremer.

— Pronto?

Do outro lado, a voz veio firme.

— Polícia de Montepulciano. Temos uma denúncia.

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