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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 712

~ MATHEUS ~

Eu deveria ter dito não.

Não pelo que era, porque eu já tinha entendido, na prática, que a vida de uma criança pesa mais do que qualquer desconforto pessoal.

Eu deveria ter dito não pela cena.

Pela cadeira da COO que ainda parecia grande demais sob minhas costas.

Pela ironia de estar usando um terno escolhido para reunião e não para… aquilo.

E, principalmente, porque só Bianca conseguiria me colocar num plano que exigia sangue frio, estômago e um tipo de coragem muito específico: a coragem de entrar no território da pior inimiga dela e não perder o controle.

Eu parei diante da casa e olhei para o interfone.

Endereço confirmado.

O dedo ficou suspenso por um segundo.

Era ridículo: eu já tinha lidado com coisa pior. Já tinha negociado com gente que sorria enquanto calculava como te destruir. Já tinha atravessado aeroportos com documento errado e desculpa perfeita. Já tinha trabalhado num país onde um erro vira motivo de deportação.

E, ainda assim, apertar aquele botão parecia difícil.

Porque eu não estava ali por mim.

Eu estava ali por ela.

Por Bianca.

E isso era o que mais me irritava.

Eu respeitava limites. Respeitava Nico. Respeitava o casamento. Respeitava a família que ela tinha escolhido construir.

Mas eu não tinha conseguido deixar de sentir.

Eu tinha conseguido calar.

E, naquele instante, o problema não era o corpo. Era a lembrança de como era fácil, com Bianca, dizer “sim” antes da razão terminar a frase.

Eu apertei o interfone.

Uma voz feminina respondeu, curta.

— Quem é?

Eu disse o nome combinado, o nome que não era meu.

A tranca elétrica fez um som seco.

Porta liberada.

Eu entrei.

Renata apareceu na porta antes de eu bater.

Ela era bonita de um jeito treinado — cabelo no lugar, maquiagem precisa, perfume caro — e me avaliou como se eu fosse um item antes de ser um homem.

— Você é pontual — ela disse.

Eu sorri o suficiente.

— É um defeito profissional.

— Entra — ela falou.

Eu entrei.

O lugar era silencioso demais, mas não no sentido relaxante, no sentido... intimidante. Nenhum barulho de TV. Nenhum rádio. Nenhum som de criança. O que deveria ser normal, é claro. Nenhuma pessoa em sã consciência deixaria uma criança no meio de tudo aquilo.

Mas talvez Renata não estivesse em sã consciência.

Eu lembrei do que Bianca tinha dito, baixo, no meio daquele caos:

“Ela relatou que fica trancada no quarto.”

Renata fechou a porta e já virou o corpo na direção das escadas.

— Vamos — ela disse.

Eu acompanhei, mantendo o rosto neutro.

Ela abriu a porta de um quarto.

Eu identifiquei antes mesmo de ver detalhes: o cheiro mais forte de perfume, a cama impecável demais para alguém que mora ali, as almofadas arrumadas como cenário.

Renata tirou o casaco com um movimento lento, consciente.

— Fica à vontade — ela falou.

Eu não fiquei.

Eu sentei na beirada da poltrona, não na cama.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Você é tímido?

Eu soltei um riso curto.

— Não.

Renata se aproximou.

E, por um segundo, a coisa ficou quase cômica: ela investindo com a confiança de quem nunca ouve “não”, e eu desviando com a delicadeza de quem está tentando não transformar aquilo num escândalo.

Ela encostou a mão no meu peito.

Eu segurei o pulso dela com firmeza educada.

— Hoje eu prefiro… conversar — eu disse.

Renata parou.

Ela me olhou como se eu tivesse dito que queria pagar para ouvir poesia.

— Conversar — ela repetiu.

Eu mantive a expressão.

— Sim.

Eu pensei: isso é comum, não é?

Homens que pagam só para conversar.

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