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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 715

~ BIANCA ~

O almoço com Mia tinha sido exatamente o que eu prometi ao Nico que seria: uma pausa controlada, um lugar público, uma conversa que parecia normal para quem olhasse de fora.

Mia falou do caos interno na sede, dos olhares atravessados, de como certos nomes do conselho já tinham decidido uma versão antes mesmo de qualquer apuração. Eu ouvi, respondi, organizei prioridades na minha cabeça como eu sempre fazia. Só que, por baixo da mesa, minha perna não parava de balançar.

Cada frase de Mia virava um lembrete de que o tempo tinha virado inimigo, e que eu estava andando com duas guerras ao mesmo tempo: a que aparecia nas manchetes e a que estava acontecendo dentro de uma casa em Montepulciano, atrás de uma porta trancada.

O plano do Matheus continuava lá, girando, encaixando peças sozinho, como se meu cérebro não soubesse desligar. Ele tinha razão em uma coisa: ainda dava para pegá-la.

Só que não hoje. Não agora.

Hoje eu ia colocar o plano numa gaveta mental e trancar. Hoje eu ia ser esposa antes de ser estrategista. Hoje eu ia ser Bianca antes de ser Bellucci. Hoje eu ia descobrir se eu teria um menino ou uma menina!

Quando cheguei ao hospital, Nico estava na recepção, de pé, com aquele tipo de elegância que nele era natural e, ao mesmo tempo, um esforço. Não um esforço para ser bonito — isso ele não precisava — mas um esforço para estar ali de verdade. Ele segurava um envelope de exames na mão, e quando me viu, o rosto dele mudou. Foi um sorriso pequeno, quase imperceptível, como se o peito dele soltasse um nó.

Nico inclinou a cabeça, e a testa dele encostou de leve na minha por um segundo, no meio do corredor, como se aquele gesto fosse um jeito silencioso de dizer obrigado sem precisar de palavras. Eu senti o cheiro dele — sabonete, madeira, o mesmo cheiro que eu associava ao nosso apartamento quando ele tinha acabado de tomar banho e ainda não tinha sido engolido por mensagens, processos, telefonemas. Eu quis congelar aquele instante, porque eu sabia que era raro.

— Você tá bem? — ele perguntou baixo.

Eu quase ri, porque a pergunta dele era a pergunta de um homem que estava se quebrando por dentro, mas que ainda tinha espaço para se preocupar comigo.

— Eu tô aqui — eu respondi.

Nós subimos para o andar da obstetrícia, e a sala de espera parecia uma cena de outra vida. Casais com pastas de papel, mulheres com barriga maior do que a minha, uma televisão ligada numa programação que ninguém assistia, revistas velhas em cima da mesa. Eu me sentei ao lado de Nico e entrelacei meus dedos nos dele, sentido o polegar dele esfregar a minha mão num movimento automático, protetor. Ele olhava para frente, mas eu via a cabeça dele trabalhando, sempre trabalhando.

— Se ela ou ele estiver tímido… — ele começou, a voz baixa.

— Ela — eu interrompi, sem pensar.

Ele virou o rosto para mim, e eu senti meu próprio corpo congelar por meio segundo. Tinha sido um reflexo, um desejo escapando.

Nico ergueu uma sobrancelha.

— Você acabou de decidir sozinha? — ele perguntou, com um humor mínimo.

Eu respirei e apertei a mão dele.

— Eu não decidi — eu corrigi. — Eu só… quero muito.

Eu queria muito porque eu já tinha amado uma menina sem nunca ter podido segurá-la. E eu não dizia isso em voz alta com medo de parecer injusto com o que estava vindo agora. Não era isso. Se viesse um menino, eu ia amar do mesmo jeito — filho é filho, é amor, e ponto. Eu não queria comparar. Não queria substituir. Eu só queria que aquela parte da minha história existisse sem ser só dor.

Nico me olhou por um instante longo, como se estivesse guardando aquilo. Depois fez um aceno pequeno e encostou a mão na minha.

— Então eu vou começar a negociar com o universo por um menino — ele brincou. — Três contra um é covardia.

O nome da gente foi chamado, e nós nos levantamos juntos. Eu senti o corpo de Nico ficar mais rígido conforme andávamos pelo corredor. Eu encostei minha mão no antebraço dele, e ele respirou como se lembrasse que eu estava ali.

A médica nos recebeu com a calma de quem já viu mil histórias e ainda consegue tratar cada uma como se fosse única. Ela cumprimentou Nico com um aperto de mão e me olhou com um sorriso breve.

— Vamos ver como essa bebê está hoje — ela disse, enquanto preparava o aparelho.

Eu me deitei na maca e segurei a mão de Nico com força. O gel frio encostou na minha pele e eu estremeci, mais pelo nervosismo do que pela temperatura.

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