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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 716

~ BIANCA ~

O sol de Florença tinha aquela luz que faz tudo parecer possível por algumas horas. Como se a cidade estivesse me oferecendo uma trégua, uma pequena janela onde nada era urgente, nada era manchete, nada era tribunal.

Eu segurei a mão do Nico no caminho até o estacionamento do hospital e senti a palma dele relaxar na minha. Não completamente — ele não era um homem de relaxar completamente —, mas o suficiente para eu entender que aquela notícia tinha entrado como água em terra seca.

Uma menina.

Eu repeti a palavra por dentro como quem testa um tecido caro: com cuidado, com medo de rasgar.

— Você tá sorrindo — ele disse, enquanto abria a porta do carro.

— Eu tô tentando não chorar de novo — eu respondi, e a minha voz saiu com aquela honestidade leve que só existe quando a gente está cansada demais para performar.

Ele encostou a mão na minha nuca por um segundo, um gesto rápido, protetor. Depois entrou no banco do motorista e ficou em silêncio, olhando para frente.

Nico não comemorava como as pessoas comemoram. Ele guardava.

Como se cada alegria precisasse primeiro ser conferida, pesada, aceita.

Eu esperei. Deixei ele ter o tempo dele, porque eu sabia que, por baixo daquela calma, havia um homem que tinha perdido o direito de se empolgar sem medo.

— Bella vai ter uma irmãzinha — ele murmurou novamente, quase para o painel.

Eu sorri.

— E a irmãzinha vai ter um pai obcecado — eu provoquei, empurrando o ombro dele com o meu.

Ele soltou um ar que era meio riso, meio rendição.

— Eu já estou obcecado — ele disse.

Eu apertei os dedos nos dele.

— Vamos comprar umas coisas? — eu sugeri, como quem oferece um caminho que não tem espinhos.

Ele virou o rosto para mim.

— Hoje?

— Hoje — eu confirmei. — Eu sei que a gente tem… — Eu parei, porque eu não precisava nomear as guerras. Elas estavam em todo lugar. — Mas eu quero fazer uma coisa normal. Uma coisa de casal que vai ser pai e mãe.

Nico ficou um segundo em silêncio. Depois assentiu devagar.

— Enxoval — ele disse, como se estivesse aprendendo a palavra.

— Enxoval — eu repeti, e senti a alegria bater de novo, pequena e insistente.

Nós fomos para uma região de lojas onde eu costumava entrar sem pensar. Aquelas vitrines onde a luz é estudada, os tecidos parecem mais macios só de olhar, e o silêncio custa dinheiro.

Eu não estava tentando provocar o Nico. Eu só… existia naquele lugar com naturalidade. Eu cresci em ambientes onde comprar era idioma.

Mas eu vi, pelo canto do olho, quando ele diminuiu o passo.

Foi um desconforto honesto, do tipo que nasce quando você sente que não domina o terreno.

— Se você quiser, a gente pode ir em outra — eu disse, antes que ele precisasse engolir aquilo.

Nico olhou para a vitrine, depois para mim.

— Não é isso — ele respondeu.

— Então é o quê?

Ele passou a língua no canto da boca, como fazia quando estava tentando escolher uma frase que não soasse dura.

— É… muita coisa — ele disse, e eu entendi que “muita coisa” era um lugar. Um lugar onde ele lembrava que o mundo da Bianca era enorme e o dele era terra, uva, trabalho, história antiga. — Eu fico pensando se ela vai…

— Se ela vai parecer mais comigo ou mais com você? — eu completei, com delicadeza.

Ele assentiu.

Eu parei bem na frente dele, no meio da calçada, e segurei o rosto dele com as duas mãos, ignorando o fato de que pessoas passavam.

— Ela vai ter o melhor dos nossos dois mundos — eu disse, firme. — O seu e o meu. Ela vai ter raízes e vai ter asas. Vai saber o valor das coisas e vai saber que pode sonhar grande. Vai crescer com vinho, com terra, com família… e com a capacidade de entrar em qualquer lugar sem pedir desculpa por existir.

Nico ficou parado, absorvendo.

Ele respirou fundo.

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