~ BIANCA ~
O sol de Florença tinha aquela luz que faz tudo parecer possível por algumas horas. Como se a cidade estivesse me oferecendo uma trégua, uma pequena janela onde nada era urgente, nada era manchete, nada era tribunal.
Eu segurei a mão do Nico no caminho até o estacionamento do hospital e senti a palma dele relaxar na minha. Não completamente — ele não era um homem de relaxar completamente —, mas o suficiente para eu entender que aquela notícia tinha entrado como água em terra seca.
Uma menina.
Eu repeti a palavra por dentro como quem testa um tecido caro: com cuidado, com medo de rasgar.
— Você tá sorrindo — ele disse, enquanto abria a porta do carro.
— Eu tô tentando não chorar de novo — eu respondi, e a minha voz saiu com aquela honestidade leve que só existe quando a gente está cansada demais para performar.
Ele encostou a mão na minha nuca por um segundo, um gesto rápido, protetor. Depois entrou no banco do motorista e ficou em silêncio, olhando para frente.
Nico não comemorava como as pessoas comemoram. Ele guardava.
Como se cada alegria precisasse primeiro ser conferida, pesada, aceita.
Eu esperei. Deixei ele ter o tempo dele, porque eu sabia que, por baixo daquela calma, havia um homem que tinha perdido o direito de se empolgar sem medo.
— Bella vai ter uma irmãzinha — ele murmurou novamente, quase para o painel.
Eu sorri.
— E a irmãzinha vai ter um pai obcecado — eu provoquei, empurrando o ombro dele com o meu.
Ele soltou um ar que era meio riso, meio rendição.
— Eu já estou obcecado — ele disse.
Eu apertei os dedos nos dele.
— Vamos comprar umas coisas? — eu sugeri, como quem oferece um caminho que não tem espinhos.
Ele virou o rosto para mim.
— Hoje?
— Hoje — eu confirmei. — Eu sei que a gente tem… — Eu parei, porque eu não precisava nomear as guerras. Elas estavam em todo lugar. — Mas eu quero fazer uma coisa normal. Uma coisa de casal que vai ser pai e mãe.
Nico ficou um segundo em silêncio. Depois assentiu devagar.
— Enxoval — ele disse, como se estivesse aprendendo a palavra.
— Enxoval — eu repeti, e senti a alegria bater de novo, pequena e insistente.
Nós fomos para uma região de lojas onde eu costumava entrar sem pensar. Aquelas vitrines onde a luz é estudada, os tecidos parecem mais macios só de olhar, e o silêncio custa dinheiro.
Eu não estava tentando provocar o Nico. Eu só… existia naquele lugar com naturalidade. Eu cresci em ambientes onde comprar era idioma.
Mas eu vi, pelo canto do olho, quando ele diminuiu o passo.
Foi um desconforto honesto, do tipo que nasce quando você sente que não domina o terreno.
— Se você quiser, a gente pode ir em outra — eu disse, antes que ele precisasse engolir aquilo.
Nico olhou para a vitrine, depois para mim.
— Não é isso — ele respondeu.
— Então é o quê?
Ele passou a língua no canto da boca, como fazia quando estava tentando escolher uma frase que não soasse dura.
— É… muita coisa — ele disse, e eu entendi que “muita coisa” era um lugar. Um lugar onde ele lembrava que o mundo da Bianca era enorme e o dele era terra, uva, trabalho, história antiga. — Eu fico pensando se ela vai…
— Se ela vai parecer mais comigo ou mais com você? — eu completei, com delicadeza.
Ele assentiu.
Eu parei bem na frente dele, no meio da calçada, e segurei o rosto dele com as duas mãos, ignorando o fato de que pessoas passavam.
— Ela vai ter o melhor dos nossos dois mundos — eu disse, firme. — O seu e o meu. Ela vai ter raízes e vai ter asas. Vai saber o valor das coisas e vai saber que pode sonhar grande. Vai crescer com vinho, com terra, com família… e com a capacidade de entrar em qualquer lugar sem pedir desculpa por existir.
Nico ficou parado, absorvendo.
Ele respirou fundo.
Não existia conselho.
Só existia um homem escolhendo um berço.
A ideia me acertou no peito.
Eu andei mais adiante e comecei a pegar um cobertor, um jogo de lençol, uma manta maior, um casaco maior.
Foi quando Nico franziu a testa.
— Bianca — ele chamou, com aquele tom calmo que ele usa quando a preocupação tenta não virar controle.
Eu virei para ele.
— Você não acha que… — ele olhou para as peças na minha mão — você tá se antecipando muito?
Eu pisquei.
E então eu entendi o que ele estava vendo.
Eu estava pegando coisas grandes. Coisas para uma criança maior.
— São pra Bella — eu disse.
Eu me aproximei e coloquei uma das mantas sobre o antebraço dele, como se fosse natural... porque era.
— Eu vou amar as duas de igual pra igual — eu continuei, e a minha voz saiu baixa, estável, sem drama. Eu não precisava do drama para dizer verdade. — São minhas filhas.
Nico engoliu em seco.
Os olhos dele ficaram úmidos com uma rapidez que me desmontou.
Ele olhou para o chão por um segundo, como se estivesse tentando controlar aquilo. Depois levantou o rosto para mim.
— Eu nunca tive tanta certeza na minha vida — ele disse, devagar — que escolhi a mulher certa pra colocar na vida dela.
Ele deu um passo e encostou a testa na minha, ali mesmo, no corredor da loja, ignorando a vendedora, ignorando o mundo.
— E na minha vida também — ele completou, com a voz falhando só um pouco.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Olá, detesto ler, não gosto de nada que envolva Romance, mas quando eu vi o a sinopse desse livro pela primeira vez, eu fiquei fascinado gostei bastante do livro das histórias narradas, me fascinaram. Eu não tinha costume de ler porém esse livro me despertou bastante interesse em ler. E sinceramente um homem que não tem costume de ler, estar lendo um livro desse tipo, elogiando o enredo é porque o livro é muito bom....
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....