~ RENATA ~
A sexta-feira chegou com um gosto de promessa silenciosa: gente bem-vestida, luzes calculadas, taças que nunca ficam vazias e conversas que parecem casuais, mas são currículos disfarçados.
Eu tinha recebido um convite para uma exposição de arte em Florença. Não um desses eventos pequenos, com meia dúzia de conhecidos e vinho morno. Era uma daquelas noites lotadas de gente rica e bebida cara, em uma galeria conceituada que sabia fazer o próprio nome soar como senha.
Era sempre bom ir.
Meu trabalho vinha resolvendo meu problema temporário de dinhero, mas beleza e juventude têm prazo. Eu não tinha o hábito de apostar todas as minhas fichas em uma única solução. Eu tinha planos.
E sim, um marido rico ainda era o principal deles. Uma excelente opção. Porque, no fim, o mundo perdoa quase qualquer coisa quando você está no lugar certo ao lado do homem certo.
Eu fui até a sala, onde Bella estava vendo televisão.
— Meu amor, a mamãe vai sair hoje — eu disse, com a voz doce que funciona melhor do que grito.
Ela levantou o rosto.
— Você vai trabalhar?
Eu sorri.
— Vou encontrar umas pessoas — eu respondi. — A babá vai ficar com você.
Bella ficou séria, como se estivesse aprendendo a ler o mundo pela falta de detalhes.
— Você volta que horas?
— Antes de você dormir — eu menti com a tranquilidade de quem oferece um cobertor.
Ela aceitou a mentira do jeito que as crianças aceitam: porque precisam.
A babá chegou pontualmente e eu deixei instruções simples, sem excesso.
— Janta às oito, banho às nove, cama às dez — eu disse.
— Sim, senhora — ela respondeu.
Eu me abaixei, alisei o cabelo de Bella e beijei a testa.
— Se comporta — eu pedi, como se o problema da nossa vida fosse comportamento.
Ela assentiu.
Eu peguei minha bolsa, minhas chaves, e saí.
A estrada até Florença era um caminho que eu conhecia bem. Os postes, as curvas, o tipo de paisagem que fica bonita mesmo quando você não está em clima de contemplação.
Eu parei em um estacionamento próximo e caminhei até a galeria. O prédio tinha aquele ar de elegância discreta: fachada antiga, portas altas, funcionários em preto, tudo limpo, tudo controlado.
Eu me dirigi ao guarda-volumes, onde uma recepcionista sorria com a cordialidade treinada.
— Boa noite — eu disse.
— Boa noite, senhora — ela respondeu. — Seu nome?
Eu informei. Ela conferiu em uma lista impressa e fez um aceno.
— Perfeito. Antes de entrar, só uma orientação: não é permitido entrar com celular.
Eu pisquei.
— O quê?
Ela manteve o sorriso, paciente.
— Padrão da galeria. As obras não podem ser fotografadas.
Eu olhei para o lado e vi outros convidados entregando seus aparelhos com uma naturalidade quase ofensiva. Alguns reclamavam, mas entregavam. Porque, no fim, ninguém quer ser o único a parecer inconveniente.
Eu respirei uma vez.
— Tudo bem — eu disse.
— Um spritz? — ele sugeriu.
— Pode ser — eu respondi.
E foi quando eu ouvi, atrás de mim, uma voz feminina.
— Que feio — a voz disse, calma, baixa, como quem comenta o tempo. — Deixar a filha em casa para vir a uma festa.
Eu congelei por meio segundo.
Depois virei.
Bianca Bellucci estava ali.
Ela estava com um copo de água na mão. O cabelo impecável, a maquiagem perfeita, o vestido caro. O combo completo para que eu a odiasse.
Eu senti o meu sorriso chegar antes do meu corpo decidir se eu deveria.
— Bianca — eu cumprimentei, como se fosse um acaso agradável. — Se você tem outro planinho do tipo mandar a polícia na minha casa… — eu disse, mantendo a voz baixa, educada para quem estivesse por perto ouvir apenas conversa — tira seu cavalinho da chuva. Minha filha está muito bem com a babá.
Bianca sustentou meu olhar.
— Não duvido que ela esteja com a babá — ela respondeu. — Mas eu não diria que está muito bem.
— Olha, corta essa, Bellucci — eu disse, e o meu sorriso ficou mais firme, mais social. — Meu objetivo essa noite não é você.
Ela ergueu o copo, fez um brinde mínimo com aquela água de gente que quer parecer superior.
— Divirta-se — ela disse.
E eu saí.
Eu deixei Bianca de lado por um momento.
E voltei para o meu objetivo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Olá, detesto ler, não gosto de nada que envolva Romance, mas quando eu vi o a sinopse desse livro pela primeira vez, eu fiquei fascinado gostei bastante do livro das histórias narradas, me fascinaram. Eu não tinha costume de ler porém esse livro me despertou bastante interesse em ler. E sinceramente um homem que não tem costume de ler, estar lendo um livro desse tipo, elogiando o enredo é porque o livro é muito bom....
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....