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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 718

~ RENATA ~

A sexta-feira chegou com um gosto de promessa silenciosa: gente bem-vestida, luzes calculadas, taças que nunca ficam vazias e conversas que parecem casuais, mas são currículos disfarçados.

Eu tinha recebido um convite para uma exposição de arte em Florença. Não um desses eventos pequenos, com meia dúzia de conhecidos e vinho morno. Era uma daquelas noites lotadas de gente rica e bebida cara, em uma galeria conceituada que sabia fazer o próprio nome soar como senha.

Era sempre bom ir.

Meu trabalho vinha resolvendo meu problema temporário de dinhero, mas beleza e juventude têm prazo. Eu não tinha o hábito de apostar todas as minhas fichas em uma única solução. Eu tinha planos.

E sim, um marido rico ainda era o principal deles. Uma excelente opção. Porque, no fim, o mundo perdoa quase qualquer coisa quando você está no lugar certo ao lado do homem certo.

Eu fui até a sala, onde Bella estava vendo televisão.

— Meu amor, a mamãe vai sair hoje — eu disse, com a voz doce que funciona melhor do que grito.

Ela levantou o rosto.

— Você vai trabalhar?

Eu sorri.

— Vou encontrar umas pessoas — eu respondi. — A babá vai ficar com você.

Bella ficou séria, como se estivesse aprendendo a ler o mundo pela falta de detalhes.

— Você volta que horas?

— Antes de você dormir — eu menti com a tranquilidade de quem oferece um cobertor.

Ela aceitou a mentira do jeito que as crianças aceitam: porque precisam.

A babá chegou pontualmente e eu deixei instruções simples, sem excesso.

— Janta às oito, banho às nove, cama às dez — eu disse.

— Sim, senhora — ela respondeu.

Eu me abaixei, alisei o cabelo de Bella e beijei a testa.

— Se comporta — eu pedi, como se o problema da nossa vida fosse comportamento.

Ela assentiu.

Eu peguei minha bolsa, minhas chaves, e saí.

A estrada até Florença era um caminho que eu conhecia bem. Os postes, as curvas, o tipo de paisagem que fica bonita mesmo quando você não está em clima de contemplação.

Eu parei em um estacionamento próximo e caminhei até a galeria. O prédio tinha aquele ar de elegância discreta: fachada antiga, portas altas, funcionários em preto, tudo limpo, tudo controlado.

Eu me dirigi ao guarda-volumes, onde uma recepcionista sorria com a cordialidade treinada.

— Boa noite — eu disse.

— Boa noite, senhora — ela respondeu. — Seu nome?

Eu informei. Ela conferiu em uma lista impressa e fez um aceno.

— Perfeito. Antes de entrar, só uma orientação: não é permitido entrar com celular.

Eu pisquei.

— O quê?

Ela manteve o sorriso, paciente.

— Padrão da galeria. As obras não podem ser fotografadas.

Eu olhei para o lado e vi outros convidados entregando seus aparelhos com uma naturalidade quase ofensiva. Alguns reclamavam, mas entregavam. Porque, no fim, ninguém quer ser o único a parecer inconveniente.

Eu respirei uma vez.

— Tudo bem — eu disse.

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