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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 717

~ BIANCA ~

O balcão do caixa parecia menor do que era, como se as sacolas — muitas, organizadas, com papel de seda e laços discretos — ocupassem também o espaço que eu tentava manter livre dentro de mim.

A vendedora passou as peças uma a uma com uma eficiência quase elegante.

Eu fiquei ao lado do Nico observando, e por um instante raro eu consegui sentir o peso bom daquela cena: nós dois comprando enxoval como um casal normal. Como se o mundo não estivesse o tempo inteiro tentando se enfiar na nossa sala e decidir como a gente deveria existir.

— Perfeito — a vendedora disse, quando finalizou o último item no sistema. — Vamos providenciar a entrega. Qual é o endereço?

A pergunta caiu no ar com a simplicidade de uma coisa óbvia.

E, mesmo assim, eu senti meu corpo travar um segundo.

Nico também.

Nós nos encaramos.

Não foi um olhar dramático. Foi um olhar limpo, direto, como se a pergunta tivesse puxado uma linha que a gente vinha evitando segurar. Em qualquer outro dia eu teria respondido automaticamente, sem pensar. O meu endereço estava pronto na ponta da língua.

Não hoje.

Eu voltei o rosto para a vendedora e sorri com uma gentileza controlada.

— Eu posso te responder depois de uma pequena deliberação? — perguntei.

— Claro — ela respondeu, calorosa, profissional. — Leve o tempo que precisar. Tem um café no mezanino.

Eu agradeci com um aceno, peguei a mão do Nico como quem pega uma pessoa pela realidade e guiei ele para longe do balcão.

— Bianca… — ele começou, confuso, mas eu não dei espaço para o pensamento dele crescer ali, sob luz forte e ouvintes possíveis.

O mezanino era mais silencioso, com uma vista discreta para a loja inteira. Eu pedi dois cafés sem perguntar o que ele queria — porque eu já sabia. Nico podia sobreviver a quase tudo, mas ele funcionava melhor com cafeína.

Quando os copos chegaram, eu coloquei um na frente dele, sentei e respirei fundo.

Eu olhei direto para ele.

— Então — eu disse.

Nico deu um gole, como se aquele gesto simples pudesse ganhar tempo.

— Então…? — ele devolveu, cauteloso.

Eu apoiei a mão na mesa.

— A gente não definiu isso.

Ele franziu o cenho.

— Isso o quê, exatamente?

— Onde vamos morar — eu respondi.

Ele ficou imóvel por um segundo, como se a pergunta tivesse aberto um espaço que o nosso cotidiano improvisado ainda não sabia preencher.

Eu continuei antes que ele se fechasse no silêncio.

— Quero dizer… — eu escolhi as palavras com cuidado. — O meu apartamento talvez precise de algumas adaptações para comportar cinco pessoas.

Ele arqueou uma sobrancelha, como se estivesse fazendo a conta de propósito para se manter no chão.

— A gente pode transformar a biblioteca em um quarto para as meninas — eu disse, objetivamente, porque a objetividade era a minha maneira de não tremer. — Mas ficaria no andar de baixo e elas teriam que dividir.

Nico nem piscou.

— Isso não seria um problema — ele falou, como se a única coisa relevante no mundo fosse a palavra “dividir”.

Eu senti uma ternura rápida, quase uma fisgada.

— Ou podemos comprar outro lugar maior — eu acrescentei. — Quero dizer… esse apartamento nem é meu, meu de verdade. É da Bellucci.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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