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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 719

~ BIANCA ~

Eu me movi com a naturalidade. Cumprimentei um funcionário, atravessei a lateral da galeria e entrei na área de guarda-volumes, onde as bolsas e casacos dos convidados estavam armazenados com etiquetas numeradas.

Eu empurrei a porta de uma salinha menor, reservada para a equipe.

O ar era diferente. Mais abafado, mais real.

— Então — eu perguntei, antes mesmo de fechar a porta. — Deu certo?

Matheus e Dante estavam sentados em uma mesa estreita, como se aquilo fosse uma reunião improvisada de guerra. Ao lado deles, um homem mais baixo, concentrado, com um notebook aberto e cabos que eu não quis identificar. Paolo.

Eu só sabia duas coisas sobre ele: que entendia muito de tecnologia… e que essa habilidade não era limitada ao que era permitido.

Matheus levantou o olhar para mim, e eu vi a mesma exaustão que vinha me acompanhando nas últimas semanas, só que nele parecia sempre mais contida. Como se ele tivesse medo de gastar energia com qualquer coisa que não fosse útil.

— Pegamos o celular — ele respondeu. — O Paolo está trabalhando nisso.

Paolo nem olhou para mim. Os dedos dele se moviam rápido.

— Deve levar só alguns minutos — ele disse, com a tranquilidade de quem está abrindo uma porta comum. — Não é algo muito difícil.

Dante se inclinou para trás na cadeira, como se aquilo fosse entretenimento.

— Talvez seja melhor distraí-la — ele sugeriu, com um sorriso torto.

A porta se abriu de novo e Mia entrou como se tivesse sido puxada pela fala.

— Ah, ela está muito distraída dando em cima de homens ricos — Mia respondeu, sem cerimônia.

Dante abriu um sorriso imediatamente interessado.

— Devo ir lá? — ele perguntou.

Mia revirou os olhos.

— Você não perde a chance, não é? — ela provocou. — Devia ser mais como o Matheus.

Matheus arqueou uma sobrancelha.

— Como eu?

Mia apoiou a mão na mesa, inclinando o corpo com uma naturalidade perigosa.

— Sim — ela disse, e o tom foi tão casual quanto calculado. — Toda mulher decente gosta de um bom menino… porque fica imaginando quando eles deixam de ser.

Matheus ficou vermelho.

Foi tão evidente que eu quase senti culpa de estar ali para ver.

Eu soltei uma risadinha involuntária.

Dante fez um som de aprovação, como se a noite finalmente tivesse ficado interessante.

— Vou testar essa — Dante disse.

Paolo levantou a mão, como quem pede silêncio num laboratório.

— Pronto — ele anunciou.

Nós quatro paramos no mesmo instante.

— Estou dentro — Paolo completou, e só então olhou para mim, como se fosse educado lembrar que eu existia. — Agora é só transferir tudo.

Eu me aproximei da mesa e fiquei de pé atrás de Matheus, observando a tela por cima do ombro dele. Uma lista de pastas, datas, nomes abreviados, ícones.

Era estranho pensar que a vida de uma mulher — e a mentira de uma mulher — pudesse caber em um catálogo.

Nós ficamos em silêncio, assistindo.

O plano era simples.

A execução… nem tanto.

Mia tinha organizado aquele evento sem deixar o nome dela vazar. Eu ainda admirava isso, mesmo em meio ao caos: a capacidade dela de montar um palco sem aparecer no cartaz.

A regra do celular era padrão em exposições assim. “Proteção às obras.” “Direitos autorais.” “Proibição de fotografias.” Um discurso que todo mundo aceitava porque fazia sentido — e porque ninguém queria ser o tipo de pessoa que insiste.

Era o cenário perfeito.

Renata entregaria o celular por algumas horas.

E algumas horas eram tudo o que a gente precisava.

Matheus tinha explicado no dia da reunião, na minha sala que já não era minha, com aquela calma perigosa de quem pensa em estrutura até quando está com medo.

Quando ele fez a “reserva” ele precisou passar por uma análise de perfil. Agendar horários. Receber formulários com regras. Aceitar termos que pareciam escritos por uma empresa que sabia se proteger.

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