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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 10

O silêncio no refeitório era espesso demais para ser ignorado.

Ninguém se movia. Ninguém falava. O braço de Sara ainda estava suspenso no ar, preso pela mão firme de Marcelo. O pulso dela parecia pequeno demais dentro do aperto seguro dele. Não doía, mas deixava claro que poderia doer, se ele quisesse.

— Senhor Marcelo, solta… por favor, vai me machucar. — ela falou quase em uma súplica.

— Você ultrapassou todos os limites. — disse Marcelo, a voz baixa mas que ecoou no silêncio. — Você e suas amigas.

Ele olhou para as garotas que estavam atrás de Sara. Elas baixaram o olhar na hora.

— A partir de agora, vocês três estão suspensas por trinta dias. Qualquer outra infração, expulsão definitiva. E isso vale para todo mundo aqui.

Marcelo soltou o pulso de Sara com um gesto brusco e virou para o resto do refeitório, erguendo um pouco a voz.

— Quem espalhar boatos mentirosos sobre qualquer aluno será expulso imediatamente. Sem aviso. Sem segunda chance. Isso acaba hoje.

Um murmúrio baixo percorreu as mesas, mas ninguém ousou falar alto. Milena sentiu o peito apertar. Não era só raiva que via nos olhos dele. Tinha um vestígio de proteção. Fazia tempo que ninguém cuidava dela desse jeito. Seus olhos marejaram outra vez, mas agora por um motivo diferente.

— Saíam daqui. Agora.— Marcelo disse sem levantar a voz, mesmo que tudo nele queimavam de raiva.

Sara puxou o braço com força quando ele a soltou. Endireitou os ombros, humilhada, mas ainda orgulhosa demais para baixar a cabeça.

— Isso não vai ficar assim senhor De Valliére... — resmungou, antes de se virar e sair, as amigas correndo atrás.

— Com toda certeza não vai, Senhorita Clarck.— Marcelo disse entre os dentes.

Marcelo virou-se para Milena, ela permanecia imóvel. Os olhos perdidos em algum ponto que não era mais aquele lugar.

— Vamos, vou te levar para casa. — disse, apenas.

Ele tirou o próprio paletó e colocou sobre os ombros dela. Milena não reagia. Apenas deixava que ele a conduzisse para fora do refeitório.

No caminho, ninguém ousou cruzar o olhar deles.

O carro saiu da universidade em silêncio absoluto. Milena mantinha o olhar fixo num ponto só, mas não parecia ver nada. O corpo rígido demais. As mãos tremiam levemente no colo.

Marcelo as vezes a olha de canto de olho. Mas não perguntou nada.

Quando chegaram à casa, ele abriu a porta e a guiou até o quarto.

— Vai tomar banho. — disse. — No closet tem camisas limpas. Amanhã chegará roupas novas para você.

Ela assentiu quase imperceptivelmente. No banheiro, Milena fechou a porta e encostou nela como se tivesse acabado de atravessar uma guerra invisível.

A água quente caiu sobre o corpo e, então, tudo veio. Ela deslizou o corpo até sentar no chão do box, os joelhos junto ao peito, os braços envolvendo a si mesma. O choro saiu silencioso, mas profundo. Não havia soluços altos. Só lágrimas intermináveis misturadas à água.

Do lado de fora, Marcelo permanecia em pé, imóvel. O tempo passou demais e algo dentro dele começava a incomodar, talvez uma preocupação. Ele não sabia ao certo.

Quando ela saiu, vestindo uma camisa dele, os olhos vermelhos demais para esconder qualquer coisa, fizeram ele percebeu na hora.

— Senta, aqui. — disse, apontando a cadeira.

Pegou a toalha seca e começou a enxugar os cabelos dela com cuidado. Os movimentos eram firmes, quase automáticos, mas havia atenção em cada gesto.

— Você não reagiu. — disse, baixo. — Nem quando ela te bateu.

Milena manteve os olhos baixos.

— Desculpa... eu tentei, mas não consegui…— A voz saiu fraca.

Marcelo parou o movimento por um segundo.

Cap 10. Instinto protetor 1

Cap 10. Instinto protetor 2

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