Sophia não soube dizer quanto tempo ficou sentada no sofá depois que Richard saiu. O silêncio do apartamento não era nada confortável, era estranho. O notebook continuava aberto sobre suas pernas, a tela ainda exibindo os mesmos resultados vazios sobre a família Pritzker.
— Isso está cada vez mais estranho...— sua voz saiu baixa.– Mas enfim... preciso fazer isso.
Levantou-se e caminhou pelo apartamento com passos cautelosos, sentindo que estava invadindo um espaço que não era dela. Passou pela cozinha, tocou levemente a bancada, abriu um armário e encontrou tudo organizado. Ela queria explorar mais do lugar, contudo, estava cansada demais, seu corpo já não obedecia mais depois de uma noite inteira sentada no chão frio da delegacia. Mas antes de seguir o corredor que levava até seu quarto, o som da campainha cortou o silêncio.
Sophia travou no lugar. Olhou em direção à porta como se esperasse que ela abrisse sozinha, depois respirou fundo e caminhou até lá. Quando abriu, encontrou uma mulher de postura firme, segurando uma pasta.
— Senhorita Bennett? — a voz era educada e calma.
— Sim...
— Boa noite! Vim trazer as orientações iniciais a mando do senhor Pritzker. Posso entrar?
Sophia hesitou por um instante, mas deu espaço. A mulher entrou, caminhou até a mesa e colocou a pasta sobre a superfície.
— A partir de amanhã, você inicia os exames preparatórios. Já está tudo agendado. Maa antes disso, você vai assinar o contrato.
Sophia cruzou os braços sem perceber.
— Tão rápido?
— Sim. Você precisa passar por avaliação clínica completa, acompanhamento hormonal e adaptação ao protocolo. — respondeu enquanto abria a pasta.
Sophia observava cada movimento, tentando acompanhar sem parecer perdida.
— E se eu quiser adiar?
A mulher ergueu os olhos pela primeira vez, analisando-a com mais atenção.
— Não é recomendável. Quanto mais rápido terminar isso. Mais rápido voltará com sua vida normal.
Sophia desviou o olhar, sentindo o desconforto crescer dentro dela.
— Certo. Uma dúvida. Preciso fazer umas coisas essa semana... eu vou poder ir?
— Claro. Você não está presa. Mas precisa avisar quando e onde vai.
Sophia passou a mão pelo braço, como se estivesse com frio.
— Isso tudo... é necessário mesmo?
A mulher fechou a pasta com calma.
— Você aceitou um acordo importante. Existem padrões a serem seguidos.
Sophia assentiu devagar, absorvendo.
Sem se demorar, escolheu o que parecia mais confortável. Um conjunto de moletom cinza, o mais simples que encontrou servindo perfeitamente. Parou uns minutos na frente do espelho não se reconhecendo.
— Só de estar num lugar como esse parece que sou outra pessoa...
Com um suspiro amarrou o cabelo em um rabo de cavalo, pegou a bolsa, olhou ao redor por um instante e caminhou até a saída. Pensou em avisar Richard, mas ja estava tarde, não queria incomodar.
Quando viu já estava na calçada andando sem destino certo, tentando afastar a sensação de estar sendo engolida por suas próprias decisões. Com passos lentos dobrou a esquina. Foi aí que percebeu um carro preto de vidros escuros passando devagar ao seu lado. Ela não saberia dizer quanto tempo ele estava a seguindo.
O coração acelerou no mesmo instante. Sophia desviou o olhar, tentando manter o passo normal, mas o corpo já não respondia da mesma forma. Andou mais rápido, o som dos próprios passos ficou alto demais na cabeça. Seus olhos desviaram para silhueta que desenhava pelo vidro fechado.
— Não… não pode ser… a dívida já foi paga.— murmurou, quase sem voz pensando ser os agiotas.
O carro continuou ao lado dela por alguns segundos, cada vez mais devagar demais.
Sophia atravessou a rua sem olhar, o fôlego começando a falhar. Quando arriscou olhar de novo, o veículo já não estava mais ao lado. Ela parou por um instante, o peito subindo e descendo rápido demais, tentando entender se tinha exagerado ou se aquilo era pior do que parecia.
Foi quando ouviu o som atrás dela, a porta de um carro abrindo.
Sophia virou o rosto devagar. Não viu o interior, não tinha coragem para isso. Só o contorno escuro, o brilho discreto da lataria sob a luz fraca da rua. E então a voz soou calma demais para o medo que ela causou.
— Pensando em fugir?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário