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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 100

Marcelo leu a carta mais de uma vez. Na terceira, as palavras começaram a embaralhar. Ele sentia o peso de cada linha.

— Ela já sabia...— Murmurou.

Ele ainda não conseguia acreditar que Milena sabia sobre o seu passado, sobre seus traumas. Sabia o motivo pelo qual ele havia se aproximado dela no início. E, ainda assim, escolheu amá-lo.

Ele deixou a carta cair no colo. O quarto parecia pequeno demais. O ar havia sumido. O peito começou a apertar ainda mais.

Milena foi embora sozinha. Com quatro bebês. Porque ele falhou em protegê-los. A culpa foi mais violenta que qualquer dor física.

Alan entrou no quarto minutos depois, preocupado com o silêncio prolongado. Encontrou Marcelo sentado na beira da cama, olhar vazio, mãos tremendo.

— Marcelo…

Ele não se moveu.

O médico se aproximou e percebeu a respiração irregular, o suor frio.

— Você precisa se acalmar.

— Eu perdi... — Marcelo murmurou, quase inaudível. — Eu perdi minha família, meus filhos, a mulher que eu amo... eu perdi tudo.

A pressão estava alta demais, Alan tomou uma decisão médica, não emocional. Aplicou a injeção sedativa.

— Você precisa apagar antes que seu corpo colapse de vez.

Marcelo ainda tentou dizer algo. Talvez o nome dela. Mas a escuridão veio.

No dia seguinte, acordou pesado, grogue, com o gosto amargo de remédio na boca. A carta estava dobrada sobre a mesa de cabeceira. Não era um pesadelo, ela realmente foi embora.

Ele pegou o celular e começou ligar para contatos antigos. Hospitais, clínicas, advogados, investigadores particulares. Usou sua influência, o poder que seu nome tem.

— Preciso localizar alguém.

— Nome?

— Milena Carlson. Quatro bebês de sete meses, um homem chamado Álvaro Carlson e Lívia Santorine.

Ouve silêncio do outro lado, somente barulhos de teclas de computadores eram ouvidos.

— Não há registros recentes, ampliamos as buscas em empresas aéreas, rodoviárias, pesquisamos os cartões de crédito, mas nada foi encontrado.

— Como 7 pessoas podem sumir sem deixar rastros? De um jeito, ela está com um dos meus carros, rastreie.

— O carro está no aeroporto, mas não tem registros de passageiros com esses nomes.

Marcelo passou a mão no rosto frustrado. Era como se ela tivesse sido apagada do mapa. A cada negativa, algo dentro dele afundava mais.

Os dias passaram e a angústia virou companhia constante. Marcelo começou a sair à noite sempre sozinho. Entrava em bares discretos onde ninguém ousava incomodá-lo. Bebia uísque puro, um atrás do outro. Ele não dava pausa, foi assim até o corpo ceder.

Alan e Thomas o encontraram certa vez encostado no balcão, olhos vermelhos, gravata torta.

Kethelyn e sua família não dependiam apenas do sobrenome de Marcelo. Eles tinham participação em uma holding ligada a contratos hospitalares e importação de equipamentos médicos.

Marcelo fez de tudo para que após o coma Kethelyn recuperasse sua independência e suas atividades. Ele sabia onde doía, começou pela licitação que estava em andamento. Informações anônimas foram enviadas ao Ministério Público sobre irregularidades fiscais da empresa que deu para ela.

Em paralelo, acionou seus próprios auditores. Descobriram o que ele precisava: evasão de divisas, manipulação contábil e contratos superfaturados.

Ele não alertou ninguém, simplesmente puxou os fios certos. Em menos de uma semana, a empresa de Kethelyn sofreu bloqueio judicial, as contas de toda a família foram congeladas, passaportes retidos, investigação criminal aberta.

A imprensa caiu como abutres.

"Empresária envolvida em escândalo de corrupção hospitalar."

O nome dela estampava manchetes, convites sociais evaporaram, parceiros comerciais romperam contratos, a família tentou abafar, mas não conseguiram.

Marcelo assistia tudo do escritório, mas para ele ainda não havia terminado ali. Quando ele viu que a família estava na lama enviou o vídeo para o advogado criminal que conduzia a investigação e para o promotor responsável.

"Tentativa de homicídio qualificado contra gestante."

As provas eram claras, a intimação chegou até ela numa manhã. Segundo Alan, Kethelyn perdeu a compostura na frente dos funcionários quando recebeu o mandado de busca e apreensão.

Alguns dias depois, Katherine tentou contato, ligou dezenas de vezes, mas ele já tinha bloqueado. Por fim, apareceu na porta da mansão. A segurança não permitiu entrada.

Marcelo observou pelas câmeras internas enquanto ela gritava do lado de fora, completamente desesperada, implorando por ajuda.

— Você vai se arrepender, Marcelo. Eu juro.— Katherine ameaçou.

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