Sabrina sempre acreditou que controlava tudo ao seu redor. Casada com um magnata, que protegia sua imagem a todo custo, ela focou em sorrir para as câmeras e escolher vestidos discretos para eventos beneficentes em prol de crianças carentes. Sabia usar o sobrenome no momento certo. Durante anos, foi vista como elegante, culta, discreta, uma dama intocável.
Com a partida de Milena, ela não imaginou que o passado pudesse bater à porta com mandado judicial em uma ligação logo pela manhã.
Marcelo estava no hospital, encerrando uma reunião administrativa, quando Alan entrou na sala com o semblante tenso.
— A polícia está aqui.
Marcelo ergueu os olhos lentamente.
— Mandado?
— Não. Convocação. Querem que você vá até a delegacia prestar esclarecimentos.
O coração dele desacelerou por um segundo, no mesmo instante pensou em Milena.
— Sobre?
— Disseram que é assunto pessoal.
Marcelo não demonstrou reação. Apenas fechou o notebook.
— Vamos.
Na delegacia, o delegado responsável levantou-se ao vê-lo entrar.
— Doutor De Valliére. Obrigado por comparecer.
Marcelo sentou-se.
— É sobre minha mulher e meus filhos?
O delegado trocou um olhar com a escrivã antes de colocar um celular sobre a mesa.
Marcelo reconheceu imediatamente. Era de Milena.
— Onde encontraram isso?— perguntou preocupado.
— Foi entregue em minhas mãos por Milena Carlson, tem quinze dias. — respondeu o delegado. — Junto com um pen drive.
Marcelo estreitou os olhos, o seu advogado o encarou.
— Antes de prosseguir, preciso que saiba que o seu nome não será divulgado. A vítima será preservada.
– Vítima?
Marcelo sentiu a palavra como um soco no estômago. O delegado girou o notebook em sua direção.
— O conteúdo é delicado.
Ele apertou o play, na imagem apareceu Milena, sentada no carro, olhos vermelhos, o semblante triste. Ela respirou fundo antes de começar.
“Se você está assistindo isso, é porque eu precisei fazer algo que ele nunca teve coragem de fazer. Não porque ele é fraco, mas sim pelo trauma que isso deixou."
Marcelo sentiu as mãos suarem.
"Tem alguns dias que descobri o que Sabrina, minha mãe, fez com ele quando era criança."
A voz dela embargou.
“Ele não denunciou porque foi ensinado a sentir vergonha. Porque foi convencido de que era culpado. Mas ele nunca foi.”
O delegado pausou o vídeo. O silêncio na sala era pesado.
— Há também gravações anexadas e vídeos dos abusos. — Ele abriu outro arquivo.
Era um áudio antigo, a voz de Sabrina.
“Se você contar, ninguém vai acreditar. E eu destruo sua família.”
Marcelo sentiu o estômago revirar, a sala parecia girar ao redor.

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