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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 101

Sabrina sempre acreditou que controlava tudo ao seu redor. Casada com um magnata, que protegia sua imagem a todo custo, ela focou em sorrir para as câmeras e escolher vestidos discretos para eventos beneficentes em prol de crianças carentes. Sabia usar o sobrenome no momento certo. Durante anos, foi vista como elegante, culta, discreta, uma dama intocável.

Com a partida de Milena, ela não imaginou que o passado pudesse bater à porta com mandado judicial em uma ligação logo pela manhã.

Marcelo estava no hospital, encerrando uma reunião administrativa, quando Alan entrou na sala com o semblante tenso.

— A polícia está aqui.

Marcelo ergueu os olhos lentamente.

— Mandado?

— Não. Convocação. Querem que você vá até a delegacia prestar esclarecimentos.

O coração dele desacelerou por um segundo, no mesmo instante pensou em Milena.

— Sobre?

— Disseram que é assunto pessoal.

Marcelo não demonstrou reação. Apenas fechou o notebook.

— Vamos.

Na delegacia, o delegado responsável levantou-se ao vê-lo entrar.

— Doutor De Valliére. Obrigado por comparecer.

Marcelo sentou-se.

— É sobre minha mulher e meus filhos?

O delegado trocou um olhar com a escrivã antes de colocar um celular sobre a mesa.

Marcelo reconheceu imediatamente. Era de Milena.

— Onde encontraram isso?— perguntou preocupado.

— Foi entregue em minhas mãos por Milena Carlson, tem quinze dias. — respondeu o delegado. — Junto com um pen drive.

Marcelo estreitou os olhos, o seu advogado o encarou.

— Antes de prosseguir, preciso que saiba que o seu nome não será divulgado. A vítima será preservada.

– Vítima?

Marcelo sentiu a palavra como um soco no estômago. O delegado girou o notebook em sua direção.

— O conteúdo é delicado.

Ele apertou o play, na imagem apareceu Milena, sentada no carro, olhos vermelhos, o semblante triste. Ela respirou fundo antes de começar.

“Se você está assistindo isso, é porque eu precisei fazer algo que ele nunca teve coragem de fazer. Não porque ele é fraco, mas sim pelo trauma que isso deixou."

Marcelo sentiu as mãos suarem.

"Tem alguns dias que descobri o que Sabrina, minha mãe, fez com ele quando era criança."

A voz dela embargou.

“Ele não denunciou porque foi ensinado a sentir vergonha. Porque foi convencido de que era culpado. Mas ele nunca foi.”

O delegado pausou o vídeo. O silêncio na sala era pesado.

— Há também gravações anexadas e vídeos dos abusos. — Ele abriu outro arquivo.

Era um áudio antigo, a voz de Sabrina.

“Se você contar, ninguém vai acreditar. E eu destruo sua família.”

Marcelo sentiu o estômago revirar, a sala parecia girar ao redor.

Marcelo recebeu a notícia sentado no escritório.

Alan colocou a matéria sobre a mesa.

— Encontraram um corpo.

Marcelo leu baixo.

— Incêndio... propriedade afastada, sem testemunhas.

Ele não reagiu, não houve alívio nem satisfação, apenas um vazio estranho.

— Você acredita queela possa estar morta? — Alan perguntou.

Marcelo demorou alguns segundos.

— Sabrina nunca foi do tipo que morreria por descuido. Prova é essa que só descobriram quem ela realmente é por causa da Milena.

Ele pegou o celular e ligou para um contato internacional.

— Quero confirmação por biometria odontológica. Não por objetos pessoais.

Horas depois, a resposta veio. Os registros odontológicos não coincidiam perfeitamente, pequenas divergências, inconclusivo. Oficialmente, morta. Tecnicamente, dúvidas.

Marcelo fechou os olhos, ele sabia que ela faria exatamente isso. Talvez tenha mudado de nome, fingir a morte, decidido recomeçar em outro país. Ela era paciente, calculista demais. O tipo de predador que prefere sumir a ser encurralado.

Naquela noite, Marcelo ficou sozinho no escritório. Um vídeo que estava no celular de Milena aberto na tela novamente. Ele tocou a imagem dela com a ponta dos dedos.

— Eu fiz o que você queria, amor.

Mas algo dentro dele dizia que aquela história não estava encerrada. Em algum lugar do mundo, Sabrina poderia estar esperando a próxima oportunidade para ameaçar, manipular como tem feito todos esses anos.

A última imagem dela não foi em um velório. Foi uma câmera de segurança em um aeroporto internacional. Uma mulher de óculos escuros. Passaporte com outro nome e um leve sorriso quando passou pela imigração.

— Algumas histórias nunca acabam. — disse Sabrina olhando pela janela do avião.

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