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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 106

A imagem de Milena apareceu por um segundo no canto da tela, Marcelo sentiu o peito arder ao perceber que ela está mais magra.

— Tchau, papai… nós te amamos. — Milena sussurrou junto com as crianças.

O vídeo terminou. A tela ficou preta, mas Marcelo continuou olhando como se pudesse arrancar mais alguns segundos dali.

O tic-tac do relógio na parede começou a incomodar. Alto demais. Insuportável. A mão dele tremia segurando o celular. A barba estava por fazer, os olhos fundos, vermelhos. Ele piscou uma vez. Depois outra. Não adiantou. O ar faltou. As lágrimas desceram sem controle. Um soluço escapou antes que ele pudesse impedir. Ele levou a mão ao peito, apertando a camisa como se pudesse impedir o coração de se partir ali mesmo.

Alan sabia que Marcelo não estava bem. Mais uma vez foi até o escritório dele, abriu a porta sem bater, fazia isso ultimamente. Parou no meio da sala e viu que Marcelo estava curvado na cadeira, os ombros tensos.

— Marcelo...

Ele se aproximou devagar. Não era só tristeza. Era exaustão. O amigo estava no limite.

Do celular ainda vinha um eco fraco da voz infantil.

— ...esses são...

Marcelo levantou o rosto. Demorou um segundo para focar.

— Meus filhos, Alan.

A voz saiu rouca. Desgastada. Ele passou a mão pelo rosto, mas as lágrimas continuavam.

— Milena mandou um vídeo. Olha como eles estão grandes… Dominic e Mason estão andando. Valentina e Leon estão falando sem parar… — a voz falhou. — E eu não estou lá, eu não posso acompanhar isso de perto.

Alan puxou uma cadeira sem fazer barulho.

— Respira. Toma água. Se continuar assim eu mesmo te levo para o pronto atendimento.

Marcelo balançou a cabeça.

— Não. Eu preciso falar com ela. Saber se estão bem. Se precisam de dinheiro. Onde estão. — Ele engoliu seco. — Eu preciso buscar minha mulher.

Ele apertou imediatamente o botão de retorno. Ligou para o número, chamou mas ninguém atendeu. Tentou novamente, mas dessa vez ouve uma mensagem automática: número inexistente.

O desespero subiu pela garganta como fogo. Ele levantou bruscamente, a cadeira arrastando no chão. Ligou de novo.

— Marcelo.— chamou Alan.

Mas era inútil, Marcelo não escutava nada e nem ninguém.

— Atende… — murmurou, mas houve somente o silêncio. Ele bateu o celular contra a mesa com força. — Caramba Milena! Por que está fazendo isso comigo?

O celular ainda estava na mão dele quando a ligação caiu pela terceira vez. Marcelo ficou parado alguns segundos, respirando pesado. Depois levantou o olhar.

— Alan.

O amigo percebeu a mudança no tom.

— O quê?

— Eu quero esse número rastreado.

— Marcelo…

— Eu não estou pedindo milagre. Estou pedindo que você tente.

Alan cruzou os braços.

— Se for chip descartável, vai dar em nada.

— Então rastreia o envio do vídeo. IP. Torre. Qualquer coisa.

Na manhã seguinte, Marcelo estava de pé antes do sol nascer. Não tinha dormido. A camisa era outra, mas o cansaço era o mesmo.

A manchete piscava na tela.

“Hospital De Valliére enfrenta investigação interna sobre contratos terceirizados.”

Marcelo leu a notícia sem piscar. Ele fechou o notebook e entrou na sala de reuniões. Seu pai, Augusto, já estava lá.

— Você viu? — o pai perguntou.

— Vi.

— Já procuramos nessa região. — Marcelo murmurou.

— Sim. Milena não quer ser encontrada Marcelo. Você já deveria saber disso. Ela é esperta suficiente para não deixar rastros. Tenho certeza que de onde esse chip foi comprado, não tem relação de onde ela está morando.

Naquela noite, Marcelo não foi para casa, Alan tinha razão. Por mais que ele não quisesse admitir, sabia que Milena não voltaria sem ter certeza que Sabrina não é mais um risco.

Saindo de uma reunião, ele foi até o hospital antigo da família. O primeiro. O que quase ninguém mais visitava. Entrou na sala onde a mãe costumava trabalhar. Ficou parado olhando para o vazio e depois sentou.

— Eu preciso ver se vocês estão bem... nem que seja de longe.— Disse girando a aliança no dedo e pensando em Milena.

A noite se estendeu e ele ficou ali, sentado sem pregar os olhos, pensando. A cabeça latejava de tanto pensar e nenhuma solução aparecia. No dia seguinte, chamou o chefe da segurança.

— Quero auditoria completa nas últimas movimentações financeiras. Inclusive as que meu pai autorizou.

O homem hesitou.

— Isso pode gerar conflito interno.

— Não estou perguntando. Acho que fui bem claro.

Minutos depois Alan e Thomas entraram na sala, Marcelo estava sentado, os dedos pressionando as têmporas.

— Cara, quanto tempo você está sem dormir?— Thomas perguntou.

Marcelo deu um meio sorriso.

— Perdi a conta.

— Thomas conseguiu retirar as notícias de ontem... mas...

Marcelo estreitou os olhos e suspirou pesadamente. Ele sabia que aquele "mas" era problema a vista.

— Mas o quê?

Alan se aproximou e entregou o celular para Marcelo. A expressão mudou imediatamente.

— Que porra é essa?

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