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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 107

Longe do caos que engolia a vida de Marcelo, a noite estava tranquila demais no apartamento de Milena. As crianças já tinham tomado banho. A moça que ajudava com os pequenos estava sentada no quarto ao lado, contando uma história baixa enquanto dois dos bebês lutavam contra o sono. Os outros dois já dormiam.

Na cozinha, Lívia mexia o molho na panela, distraída com seus próprios pensamentos. Milena estava sentada à mesa, separando algumas notas e moedas.

O salário da faxina daquela semana tinha vindo incompleto outra vez. As notas eram poucas demais para tantas necessidades. Ela respirou fundo, segurando a frustração no peito, e anotou no caderno já cheio de contas rabiscadas. Sempre anotava. Era a única forma de manter algum controle quando todo o resto parecia escapar pelas mãos.

Álvaro estava no sofá, assistindo televisão com o volume baixo. Nem prestava muita atenção. Era só para quebrar o silêncio.

— O leite da Valentina aumentou de novo. — Milena comentou, sem erguer o olhar.

— Eu vi... — Lívia respondeu da cozinha. — Amanhã eu passo naquela farmácia mais longe, lá costuma ser um pouco mais barato.

Milena assentiu. Ela levantou da cadeira, foi até a pia, pegou um copo e encheu de água. Estava exausta. O corpo doía por carregar o peso muito maior que quatro filhos e uma rotina apertada. A cabeça latejava, não só pelo cansaço, mas pela tensão constante de viver sempre esperando o próximo problema.

Foi quando ouviu.

" O Ceo Marcelo De Valliére pode anunciar noivado nos próximos dias…"

O nome dele atravessou a sala como um eco interminável. Milena congelou. O ar parecia ter sido sugado dos pulmões de uma vez só. Na televisão, a imagem apareceu. Marcelo ao lado de Tessa Albuquerque. Ela sorrindo para os fotógrafos. Ele sério, olhar baixo, mãos no bolso.

A legenda abaixo: “Possível união fortalece grupo empresarial.”

Milena sentiu o sangue escoar do rosto, deixando-a pálida, vazia.

— Filha...— murmurou Álvaro.

A reportagem continuou.

"Fontes próximas afirmam que a aproximação dos dois vem acontecendo há meses…"

— Meses?— Milena sussurrou. O copo escorregou. O vidro bateu no chão e se partiu em vários pedaços.

Lívia saiu da cozinha assustada.

— O que foi?

Álvaro já estava de cabeça baixa.

Milena não conseguia falar, sequer piscava, os olhos estavam fixos na tela. Até que outra imagem apareceu. Dessa vez, Tessa segurando o braço de Marcelo em um evento formal. Um sorriso calculado no rosto dela.

— Não é possível … — Lívia murmurou, caminhando até mais perto da televisão.

O apresentador falava sobre “novo começo”, “reconstrução da imagem pública”, “união estratégica”.

Milena soltou um riso curto, quebrado, que não tinha nada de humor. Era o tipo de riso que nasce quando o coração não sabe mais como reagir. Mordeu os lábios com força até sentir o gostometálico do sangue. Numa tentativa de que a dor física pudesse distrair da outra, muito mais profunda.

— Estratégica… — repetiu.

Álvaro olhou para ela.

— Milena…

— Talvez ele nunca tenha jurado de verdade. — respondeu, a voz controlada demais.— Assim como ela. Eu nunca fui mais que um negócio.

— Não fala isso! — Lívia explodiu. — Eu vi como ele olhava pra você! Eu sei que ele quase enlouqueceu quando vocês foram embora!

— Pois parece que ele se recuperou rápido.

A frase saiu simples. Fria demais para quem estava sangrando por dentro. Mas os dedos dela tremiam levemente sobre a mesa, traindo tudo o que ela se esforçava para esconder.

Álvaro passou a mão no rosto.

— Pode ser mentira, filha. Vi que o pai dele estava pressionando...

— Não é mentira quando tem foto, quando o anel que ela usa é igual ao meu. — Milena cortou.

Ela caminhou até a mesa e sentou devagar, não queria preocupar Álvaro. Mesmo com os sinais do seu sofrimento estavam todos ali.

Lívia veio atrás.

— Você acha mesmo que aquele amor acabou assim? Em meses? — a voz dela agora era mais baixa, mas carregada de indignação.— Eu não acredito que o amor de era tão barato assim.

A frase ficou suspensa no ar, pesada. Milena engoliu em seco. A lembrança do vídeo que gravou dois dias antes atravessou sua mente como uma punhalada, a voz falhando, o esforço para sorrir para a câmera, a tentativa desesperada de parecer forte enquanto entregava, mesmo à distância, a chance de ele ver os filhos crescerem. Do medo constante de Sabrina. Do esforço para protegê-los.

— Por que...?— ela murmurou quase sem som.— Enquanto eu tento proteger... ele construía outra vida?—Ela levantou o rosto.

— Não fala besteira! Não deixa o ciúmes te cegar. É só olhar para ele e ver que essas fotos estão fora do contexto. — Lívia respondeu na hora.

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