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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 111

O despertador tocou às cinco e meia da madrugada. Milena desligou antes do segundo toque. Ficou alguns segundos olhando para o teto. O coração estava acelerado desde a noite anterior.

Levantou devagar para não acordar as crianças. Passou pelos berços delas, ajeitou a coberta de Leon e Dominic, beijou a testa dos quatro filhos e sorriu sozinha.

— Só mais um dia... logo estaremos com o papai.— sussurrou.

Na cozinha, tomou café em pé. Lívia apareceu com os cabelos presos às pressas.

— Bom dia... — disse beijando o rosto Milena.— Conseguiu dormir?

— Quase nada.

— Imaginei, deve ser a ansiedade.

Milena assentiu.

— Hoje eu vou trabalhar e de tarde deixo avisado que não voltarei.

Lívia segurou o sorriso era bom ver Milena com aquele brilho nos olhos novamente.

— Precisamos despedir de Caendra. Nesses dois anos ela se tornou quase da nossa família.

Milena respirou fundo.

— Sim... única coisa triste nisso tudo.

— Sim, amiga. Caendra é uma pessoa boa. Não merece a vida que viveu.

Milena levou a xícara na boca e tomou um gole de café.

— Nunca vou entender por que pessoas boas sempre saem machucadas... enquanto as ruins vivem uma vida boa sem preocupações.

Elas conversaram mais um pouco e logo depois Milena saiu.

Do lado de fora ela olhou para a empresa em que trabalha, era grande demais para o salário que pagava. Prédio espelhado, recepção impecável. Cheiro de ar-condicionado e café caro.

Milena vestiu o uniforme no vestiário, prendeu os cabelos em um coque bem amarrado e olhou para o próprio reflexo no espelho pequeno e rachado da ala dos funcionários. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— É a última vez que você entra aqui assim.

Pegou o carrinho de limpeza e começou pelos banheiros do terceiro andar. Limpou espelhos, esfregou vasos sanitários, recolheu papéis do chão. O cheiro do desinfetante subiu forte. Ela apertou os lábios, continuou.

Funcionárias da empresa passavam por ela enquanto ela limpava. Ela conhecia algumas pessoas ali. Foram dois anos trabalhando de segunda a segunda, sem descanso, sem férias, sem um salário digno, mas sempre educada e com o sorriso que disfarçava a tristeza nos dias que apertava.

— Parece que está feliz hoje, Milena.— Disse a jovem lavando as mãos na pia.

— E eu estou.— Milena disse sorrindo.

Assim que as garotas saíram ela baixou a cabeça, e continuou o seu trabalho. Quando terminou o banheiro, tirou as luvas, lavou as mãos, seguiu para a copa. Preparou cafés, organizou bandejas, levou xícaras para a sala de reuniões. Homens de terno discutiam números milionários enquanto ela colocava açúcar ao lado das xícaras.

— Moça, traz mais água.— ordenou uma das empresárias.

Ela concordou com a cabeça e voltou e serviu.

— Caramba, empregada burra.— disse a mulher com cinquenta e poucos anos ao ver uma gota pingar na mesa. — Se não sabe fazer seu trabalho. Dê espaço para outra.

Milena apertou os lábios um no outro com força. Isso ja tinha se tornado um hábito. Era a única maneira de evitar responder e perder o trabalho. Mesmo ganhando tão pouco, ainda sim era um trabalho digno.

— Desculpe senhora... não vai mais acontecer.

— Duvido! Essa gente nunca aprende...— resmungou—Está frio aqui. Avisa pra aumentarem o ar. Deve que isso você sabe fazer.

Ela assentiu com o coração apertado. Ninguém daquela sala olhava nos olhos dela, era sempre ordens e ofensas. Por muito tempo isso a incomodava. Mas hoje nada importava.

Milena passou a manhã limpando salas enormes com mesas que custavam mais que o aluguel de um ano inteiro. Olhou o relógio mais vezes do que o normal.

No banheiro do último andar, ela parou diante do espelho maior. Não estava ali para limpar. Só precisava respirar por uns segundos.

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