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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 113

Naquela noite Milena não explicou o que aconteceu. Apenas disse que não iam embora e mudou de assunto. Sua mente estava em curto, não conseguiu dormir um só segundo. Ficou sentada na beira da cama depois que todos adormeceram. Leu o bilhete tantas vezes que já sabia cada palavra de cor.

Sabrina não estava blefando. Ela entrou ali. Tocou nas suas coisas. Deixou o recado claro de que estava perto. Milena entendeu que se tentasse ir embora, Sabrina reagiria. Se avisasse Marcelo onde estava ou se denunciasse, talvez reagisse pior.

Às quatro e meia da manhã ela se levantou, vestiu jeans escuro e prendeu o cabelo. Quando Lívia acordou, encontrou Milena na cozinha tomando café.

— O que realmente aconteceu?

— Nós só não vamos embora. Não agora.

Lívia ficou em silêncio. Quando o pai chegou na cozinha e insistiu em saber o que a fez mudar de ideia, Milena não explicou tudo. Só disse o essencial. Que o dinheiro tinha sido roubado e que sair agora era arriscado. Álvaro ouviu calado. Ele sabia que quando a filha falava naquele tom, a decisão já estava tomada.

Às oito da manhã Milena saiu. Não demorou muito quando chegou à boate. As portas estavam fechadas. O letreiro apagado. Bateu firme. Um segurança abriu, surpreso.

— Ainda não abrimos.

— Eu sei. Vim falar com Caendra.

Ela apareceu minutos depois, de salto baixo, cabelo soltos e expressão confusa ao ver Milena ali tão cedo.

— Mila? Aconteceu alguma coisa?— perguntou preocupado

— Aconteceu.

Caendra levantou uma sobrancelha.

— Vou ser direta, Caendra. Vim saber se o convite ainda está de pé?

O silêncio durou alguns segundos. Caendra a observou dos pés à cabeça, tentando entender se era impulso ou desespero.

— Você passou dois anos dizendo que nunca pisaria nesse palco.

— Eu sei.

— E agora quer subir nele?

— Quero.

— Mudou de opinião assim?

— Não. Mudei de prioridade.

Caendra estreitou os olhos.

— Tem certeza, Mila? Aqui dentro não é brincadeira. Não é fantasia. É trabalho. É exposição.

— Eu não estou procurando fantasia.

— E Marcelo? Ontem você disse que ia...

— Eu sei.— interrompeu.— Marcelo não está aqui. Então, eu preciso parar de pensar no que sinto e encarar a realidade.

A resposta foi seca. Objetiva. Caendra percebeu que não adiantava pressionar.

— Se você entrar, não pode entrar pela metade. Não existe espaço para arrependimento no meio do palco.

— Eu não me arrependo fácil.

Caendra sustentou o olhar por mais alguns segundos e então assentiu.

Alguns homens se inclinaram nas mesas. Outros cochicharam. Ela não procurava aprovação. Executava. Quando a música mudou de ritmo, ela acompanhou com movimento mais fluido. Desceu até a beira do palco, parou a um metro de distância da mesa mais próxima e virou de costas no tempo certo. Não permitiu toque. Não permitiu invasão. Quando terminou, inclinou o corpo em agradecimento e saiu pelo mesmo ponto de entrada.

Nos bastidores o silêncio foi quebrado por um leve aplauso das próprias dançarinas.

— Nada mal para primeiro dia. — disse uma delas.

Caendra se aproximou.

— Você aprende rápido.

— Eu observo rápido.

— Quer continuar?

— Sim.

Milena tirou a máscara e encarou o próprio reflexo novamente. Não havia vergonha. Havia uma linha traçada. Sabrina queria controle. Milena não daria o luxo da fragilidade. Trabalharia. Juntaria dinheiro de novo. Com mais cuidado. Com outro plano. Talvez não para fugir imediatamente, mas para estar pronta quando surgisse a oportunidade certa.

No fim da noite, enquanto as outras riam e comentavam sobre clientes, Milena ficou sentada ajustando o salto.

— Está com medo? — perguntou Caendra.

— Não do palco.

Caendra entendeu o que não foi dito.

Ela saiu da boate já de madrugada. O ar frio bateu no rosto. Caminhou devagar até o apartamento pensando que aquilo não era o futuro que tinha imaginado quando saiu de Nova York. Não era o que sonhava quando pensava em voltar para Marcelo. Mas era o que precisava fazer agora.

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