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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 116

O fim de tarde de domingo trouxe um raro intervalo na rotina de Milena. Ela levou os filhos para a pracinha do bairro, como fazia sempre que podia. Depois de uma semana intensa na escola, eles corriam como se precisassem gastar cada gota de energia acumulada. O escorregador, o gira-gira e a gangorra viraram território deles.

Milena sentou no banco de madeira gasto pelo tempo, a bolsa ao lado, postura ereta, olhar atento. Ela nunca relaxava por completo. Ser mãe de quatro exigia vigilância constante, mas não era só isso. Havia sempre algo invisível que a mantinha alerta, como se o passado pudesse surgir de qualquer esquina.

Os meninos corriam juntos, quase sincronizados. Dois eram idênticos, mas para ela eram universos distintos. Reconhecia cada gesto, cada riso, cada respiração mais acelerada. Sabia quando um estava prestes a aprontar antes mesmo que ele soubesse.

Sentiu a presença antes de olhar. Um homem se aproximava empurrando um carrinho pequeno. Um menino de cerca de quatro anos segurava sua mão. Ele diminuiu o passo a poucos metros, como se decidisse se devia ou não avançar. Quando Milena o reconheceu, o corpo reagiu primeiro que a razão.

Ele parou diante do banco.

— Posso sentar?

Lívia, que estava com as crianças, olhou para Milena. Ela assentiu com reserva.

— Pode.

Ele manteve uma distância respeitosa.

— Seu filho? — perguntou, apontando para Leon, que ajudava Vallentina a se levantar.

— Sim.

— Os outros três também são seus?

— São.

Ele sorriu de leve.

— Esse é meu sobrinho. Arthur.

O menino acenou tímido. Milena retribuiu.

— Você mora por aqui? — ele perguntou.

— Por que?

A resposta saiu firme.

— Eu já te vi no centro. Você trabalha muito.

Ela virou o rosto devagar.

— Onde quer chegar?

— Só curiosidade.

— Curiosidade não justifica pergunta pessoal.

Ele sustentou o olhar, mas não avançou.

— Desculpa parecer invasivo. Meu nome é Bruno.

Milena não respondeu. O silêncio que ficou entre eles era desconfortável. As crianças correram até ela pedindo água. Milena levantou, distribuiu as garrafinhas, ajeitou um boné torto, conferiu joelhos. Voltou ao banco com Leon nos braços.

Bruno a olhou por um longo minuto.

— Você pode me tirar uma dúvida?— ele perguntou.

Ela estreitou os olhos e concordou con a cabeça.

Ele inclinou levemente o corpo, em seus lábios um sorriso discreto.

— Você é a Aurora, não é?

O mundo pareceu estreitar. Milena sentiu o coração bater na garganta. Apertou a bolsa com força. Olhou para os três filhos como quem confere se ainda estão ali.

— Não tio, minha mamãe chama Milena.— Leon disse tirando o canudo da boca.

Milena arregalou os olhos, queria desconversar, mas, sua atenção foi desviada quando Mason decidiu subir pelo lado errado do escorregador.

— Mason, cuidado! — ela gritou, indo em direção ao filho.

Arthur desceu pelo topo no mesmo instante. Não houve intenção de machucar, mas não conseguiu parar o corpo, Mason perdeu o equilíbrio, girou no ar e bateu a cabeça na quina metálica, o som foi seco.

Milena sentiu o ar sumir dos pulmões.

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