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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 117

Bruno a olhou demoradamente, percebendo que o jogo começava a sair do controle. Sabia que Marcelo não era homem de delírios ou fantasias precipitadas. Se afirmava ter reconhecido aquela voz, ele estaria disposto a sair agora mesmo de lá para ver pessoalmente se era mesmo um erro.

— Não seja tão paranoico, amigo. — disse por fim, apoiando o cotovelo no volante e mantendo o tom casual.

Do outro lado da linha, Marcelo respirava pesado, como se lutasse contra uma certeza que não queria admitir.

— Coloca no viva-voz.

A exigência veio firme, sem espaço para negociação.

Bruno sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.

— Pra quê? Não tem necessidade disso.

Milena se forçou a espantar aquela tensão silenciosa que atravessava aquela ligação. Ela inclinou o rosto na direção de Arthur, que permanecia inquieto, talvez tivesse medo de receber alguma punição. Seus curtos dedos estavam entrelaçados no próprio short.

— Não precisa ter medo... — disse Milena com suavidade, voz baixa. — Você não fez por maldade. Logo ele estará correndo de novo… e se machucando de novo.

Arthur ergueu os olhos, buscando absolvição.

— Não ficou brava comigo?

Milena sorriu, cansada, mas sincera.

— Não. Você é um menino bom. Eu não teria nem coragem de ficar brava com você.

Do outro lado da linha, houve um silêncio abrupto. A respiração de Marcelo falhou novamente de maneira quase imperceptível. Bruno percebeu. Disfarçadamente, inclinou o celular alguns centímetros na direção da voz dela, o suficiente para que Marcelo ouvisse com mais clareza, mas não o bastante para denunciar a intenção.

— Você encontrou ela! — Marcelo afirmou, a voz agora mais baixa, porém carregada de tensão. — Me fala, Bruno. Onde ela está?

Bruno recostou a cabeça no banco e fitou o para-brisa como se analisasse o nada.

— Cara, eu estou no meio da rua. Você está criando coisa na sua cabeça novamente. Já disse: não encontrei nada. Nem um rastro sequer.

— Não brinca comigo, Bruno. Eu reconheci a voz.

— Você quer reconhecer. É diferente. — Ele suavizou o tom, como quem tenta acalmar um amigo instável. — Eu ligo depois. Estou com a minha irmã.— sussurrou as últimas palavras.

Guardou o celular com a mesma calma que usava para mentir sem piscar. Por dentro, no entanto, o sangue corria quente demais para alguém que dizia não ter encontrado nada.

Milena já abria a porta para descer.

— Obrigada por trazer a gente.— Respondeu com educação sem abrir espaço para maus entendidos.

— Não foi nada. — respondeu ele.

Ela desceu, mudou Mason de braços e fechou a porta com cuidado. Antes de seguir, voltou-se por um instante.

— Boa noite, Bruno.

Ele apenas assentiu, observando até que a porta se fechasse. Só então soltou o ar que vinha prendendo.

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