Ele sorriu sem separar os lábios dos dela, a respiração quente ainda misturada à dela.
— Fica calma pequena. Ninguém entra aqui sem a minha autorização… e hoje ninguém tem.
Sem hesitar, tomou a boca dela novamente. Milena levou um segundo a mais para reagir, os ombros travaram, a mente tentando acompanhar o que o corpo já sentia.
Então os lábios dele exigiram resposta, firmes, e ela acabou correspondendo com a mesma intensidade que tentava negar.
Marcelo levou a mão à nuca dela, os dedos pressionando com domínio, guiando o beijo como se não houvesse espaço para hesitação. Quando se afastou, manteve o rosto a poucos centímetros do dela.
— Agora percebe que não costumo esquecer o que me devem?
O rosto de Milena queimou. Ela baixou os olhos por um instante, sem saber como responder, sentindo o peso daquela frase mais forte do que o toque. Marcelo deslizou o polegar pelos lábios dela, devagar, como se marcasse presença, e a puxou de volta para ele.
Antes que Milena pudesse protestar novamente, alguém bateu na porta. A batida foi seca, firme demais para ser ignorada.
Marcelo não se afastou de imediato. Interromper o beijo parecia exigir dele um controle que não vinha fácil. Seu corpo permaneceu próximo ao dela, a mão firme em sua nuca.
Milena sentiu o coração bater forte no peito. Não pelo som em si, mas pela forma como ele ficou imóvel.
A batida se repetiu, um pouco mais firme e mais insistente. Marcelo respirou fundo, o maxilar travado. Aproximou ainda mais o rosto do dela, os lábios quase tocando os dela quando falou:
— Não se mexa.— Só então se afastou alguns centímetros, o suficiente para olhar na direção da porta. — O que é? — perguntou, a voz grave e cortante.
— Sou eu, Doutor De Vallielére, Caio. — a resposta veio do outro lado. — Preciso falar com a estagiária Carlson um instante.
Marcelo deu um sorriso sarcástico. Milena o encarou e sentiu o corpo enrijecer de imediato. Antes que conseguisse juntar coragem para responder, ele colocou a mão em sua cintura, um gesto silencioso, mas claro.
— Não precisa. — respondeu ele, a voz saiu controlada demais para ser natural. Deslizando os dedos na barriga dela e dando um leve aperto. — Ela está muito... ocupada.
— Será rápido.— Caio insistiu.
Marcelo apoiou a palma da mão na porta, acima do ombro dela, baixando levemente a cabeça. Quem visse de fora jamais entenderia o esforço por trás daquele gesto contido.
— O que quer? Se não for importante, volte mais tarde. — respondeu, abrindo a porta apenas o necessário e mantendo Milena ao seu lado.
Caio arqueou a sobrancelha. O silêncio durou mais do que deveria. Ele tentou olhar para dentro da sala, procurando Milena, mas não a encontrou.
— Só preciso entregar um material do estágio para ela.
Marcelo ergueu o rosto devagar. O maxilar estava rígido. Girou o corpo apenas o suficiente para que Milena sentisse a mudança no ar, aquela tensão fria que surgia quando ele perdia a paciência.
— Pode deixar na secretaria. — disse, voltando a deslizar a mão na cintura dela. — Ou comigo. Eu entrego.
Milena arregalou os olhos de leve e segurou a mão dele por reflexo.
Marcelo virou o rosto e a olhou, um sorriso discreto surgiu em seus lábios, apertou com um pouco mais força, não para machucar, mas o bastante para fazer o corpo de Milena reagir sem querer. Um gemido baixo, quase inaudível, escapou de seus lábios, abafado contra o braço dele.
Ao mesmo tempo, o quadril dela bateu de leve na prateleira de livros de madeira ao seu lado, produzindo um som seco.
Caio esticou o pescoço preocupado.

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