Milena continuou abraçada a ele por alguns instantes, o rosto escondido contra o peito largo, respirando devagar enquanto o coração ainda tentava se acalmar. Os braços de Marcelo estavam firmes ao redor dela.
— Como é bom ter você de novo.— sussurrou ela.
Milena deslizou as mãos pelas costas dele até encontrar uma das mãos dele e entrelaçou os dedos nos seus. Ficou assim por alguns segundos. Então ergueu o rosto.
— Vamos sair daqui. — continuou com a voz baixa.
Marcelo a observou por um momento. O olhar dele desceu devagar pelo corpo dela e parou estreitando os olhos.
— Nem pensar.
Milena franziu a testa, sem entender.
— O quê?
Marcelo deu um passo para trás e a olhou de cima a baixo outra vez. O vestido curto, colado ao corpo, ainda um pouco desalinhado depois de tudo.
Ele soltou um pequeno resmungo impaciente.
— Você sempre sai assim?
Milena piscou, confusa.
— Assim como?
Marcelo passou a mão pelo cabelo, claramente incomodado. Caminhou até a cadeira onde havia jogado o paletó mais cedo, pegou a peça e voltou até ela.
Antes que ela pudesse reagir, ele colocou o paletó sobre os ombros dela e puxou as lapelas para frente, cobrindo boa parte do vestido.
— Ei… — Milena começou, surpresa.
Marcelo já estava ajeitando a roupa nela com um cuidado quase irritado.
— Esse vestido é curto demais.
— Marcelo…
— E apertado demais.
— Marcelo!
Ele finalmente levantou os olhos para ela.
— O que foi?
Milena tentou segurar o riso, mas não conseguiu. Um sorriso divertido escapou.
— Essa é a roupa do meu trabalho. Preciso ir no camarim trocar de roupa.
Marcelo cruzou os braços, olhando para ela com aquele ar sério que ela conhecia bem demais.
— Lá fora tem um monte de homens.
— E daí?
— E daí que eles têm olhos. — respondeu ele secamente.
Milena riu baixo e balançou a cabeça.
— Ah… então é isso.
Marcelo estreitou os olhos outra vez.
— Isso o quê?
Ela inclinou a cabeça, observando-o com um brilho divertido no olhar.
— Como eu não conhecia esse seu lado ciumento?
Ele soltou um pequeno som de desdém, mas o canto da boca quase se levantou.
— Não é ciúmes.
Milena deu um passo mais perto.
— Imagina se fosse.
Marcelo suspirou, claramente sem paciência para aquela provocação.

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