Marcelo endireitou o corpo e sentiu algo apertar dentro do peito. Ele olhou para cada um deles com cuidado, gravando cada detalhe dos filhos.
Os cabelos desalinhados do sono. Os olhos curiosos. As mãos pequenas segurando o cobertor.
— Sim meus filhos, é o papai… — respondeu com a voz baixa, rouca de emoção.
O silêncio durou apenas um segundo. Depois Mason abriu um sorriso enorme.
— Eu sabia que o papai ia vir!
O menino praticamente escalou a cama e se jogou contra ele. Marcelo riu baixo, ainda meio atordoado, e o abraçou com força.
— Ei… devagar… — murmurou, passando a mão pelos cabelos dele.
Os outros dois meninos subiram logo em seguida, disputando espaço ao redor dele.
— Você demorou... — disse Dominic cruzando os braços, com a seriedade típica de criança que acredita estar dizendo algo muito importante.
Marcelo soltou um pequeno riso emocionado.
— Eu sei… — respondeu. — Me desculpem por isso.
Milena acordou com a movimentação. Ela piscou algumas vezes, ainda sonolenta, até perceber o que estava acontecendo. Ela levantou sem dizer nada. Aquele momento não precisava de grandes palavras. O silêncio e as lágrimas nos olhos diziam tudo.
Marcelo estava tentando responder a todas as perguntas ao mesmo tempo.
— Você mora longe?
— Por que não quis a gente?
— Você vai embora de novo?
— Você viu meu carrinho?
— A mamãe disse que estamos fugindo de pessoas más!
Marcelo levantou as mãos, rindo.
— Calma, calma… um de cada vez.
Milena sorriu, emocionada.
Enquanto os meninos falavam sem parar, uma pequena figura continuava parada nos pés da cama. A menina observava tudo em silêncio. Os olhos grandes e atentos piscava lentamente.
Marcelo percebeu e seu rosto suavizou.
Milena se aproximou da filha e se agachou ao lado dela.
— O que foi, meu amor?
Vallentina olhou para Marcelo, depois para os irmãos que ocupavam completamente o colo dele.
— É mesmo o papai? — perguntou baixinho.
Milena sentiu os olhos arderem.
— É sim.
A pequena mordeu o lábio, ainda insegura.
Milena então falou suavemente:
— Vai lá dar um abraço nele.
Vallentina olhou para Marcelo outra vez. Os olhos dela estavam brilhando.
Marcelo percebeu e, com cuidado, afastou um pouco os meninos do colo. Então abriu os braços.
A voz dele saiu calma, carregada de carinho.
— Vem com o papai, meu amor.
A menina hesitou por um segundo. Olhou para Milena, a mãe apenas sorriu, emocionada. Vallentina correu e pulou nos braços dele.
Marcelo a segurou com força, levantando-a facilmente. No mesmo instante a menina começou a chorar, agarrando-se ao pescoço dele.
Marcelo fechou os olhos.
— Ei… — murmurou, apertando-a contra o peito. — Está tudo bem, princesa… o papai está aqui.
Ela só chorava. As pequenas mãos seguravam a camisa dele como se tivessem medo de soltá-lo.
— Que estranho. — disse inclinando-se um pouco para olhar o portão.
Ela deu alguns passos para fora da varanda, tentando enxergar melhor a rua. Foi então que viu uma figura correndo no final da calçada. Um homem alto, vestido de preto, já dobrando a esquina com passos apressados.
— Ei! — gritou ela, por reflexo.
Mas o homem desapareceu antes que pudesse ser reconhecido.
Lívia ficou alguns segundos olhando para a rua vazia até perceber algo apoiado junto à porta. Um grande buquê de rosas vermelhas.
Ela se abaixou, pegou as flores e voltou para dentro.
Marcelo já estava de pé em alerta.
— Quem era?
— Não sei... — respondeu ela, entrando novamente na sala. — Quando abri a porta tinha um homem correndo na rua. Não consegui ver o rosto. Mas deixaram isso aqui. Tem um bilhete dizendo que é para Milena.
Milena se aproximou devagar.
— Deixa eu ver.
Pegou o buquê das mãos de Lívia e observou as flores. As rosas vermelhas estavam perfeitamente organizadas, frescas, com pétalas abertas e um perfume forte que se espalhava pelo ambiente.
Mas então algo chamou sua atenção. Entre as rosas havia quatro flores diferentes. Mais escuras, quase negras.
O coração de Milena disparou e o corpo paralisou, encarando aquelas quatro flores como se fossem uma mensagem escrita em sangue.
Os dedos dela começaram a tremer. O buquê escapou de suas mãos e caiu no chão. As flores vermelhas se espalharam pelo piso da sala e as quatro rosas negras cheias de espinhos ficaram expostas.
O silêncio que tomou conta da casa foi pesado.
Marcelo se aproximou rapidamente.
— Milena?
Ela continuava olhando para as flores no chão, o rosto pálido. Quando finalmente falou, a voz saiu baixa e tensa.
— Precisamos sair daqui... o mais rápido possível.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário