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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 14

Duas semanas se passaram. A rotina de Milena entrou em um ritmo difícil, mas previsível. Alguns dias ela estagiava pela manhã, em outros assumia o turno da tarde, sempre ajustando os horários conforme as exigências da faculdade e as visitas constantes ao hospital. Entre uma aula e outra, passava horas ao lado do pai, acompanhando exames, conversando com médicos e garantindo que ele estivesse bem.

Quando não estava no estágio, estava estudando. Quando não estava estudando, estava no hospital. E quando a noite chegava, havia o contrato a cumprir.

O cansaço era constante, mas ela aprendeu a administrá-lo. Não havia mais espaço para improviso.

A relação com Marcelo também mudou nesse período. Não havia mais ordens ditas a todo instante, nem vigilância constante. Ele continuava firme, exigente, mas menos sufocante. Respeitava seus horários, não interferia em sua rotina acadêmica e finalmente parecia entender que Milena tinha outras responsabilidades além dele.

Eles conversavam mais. Pouco, mas o suficiente para que o silêncio entre os dois deixasse de ser sempre pesado. Eles começavam a conhecer um ao outro mais a fundo. Milena contou sobre seus traumas e seus sonhos. Ele sempre evasivo, mas ainda sim dizia uma coisa e outra que Milena conseguia o compreender mais.

Milena não caminhava mais em estado de alerta permanente quando estava com ele. Ainda havia regras, ainda havia limites claros, mas já não eram repetidos a todo momento. Marcelo não precisava reafirmar o controle; ele estava implícito.

E, sem perceber quando aconteceu, a convivência deixou de ser apenas cumprimento de um acordo. Passou a ser cuidado, segurança, que em Milena o incômodo daquele contrato começou a ser pequeno.

Já nos corredores do hospital quando ninguém estava olhando as coisas se tornavam mais assustadores.

Primeiro, eram perguntas repetidas demais. Depois, olhares longos demais. Caio passou a surgir sempre que Milena mudava de setor, como se o acaso estivesse trabalhando a favor dele. Ela percebeu, mas fingiu não perceber. Reduziu sorrisos, manteve respostas curtas, evitou corredores vazios.

Mesmo assim, o olhar dele a seguia. Não tinha profissionalismo da parte dele. Era algo mais pesado. Como se ele estivesse sempre calculando algo.

Milena tentou ignorar. Precisava daquele estágio. Precisava se manter invisível, as vezes conseguia. Se agarrava na presença de Marcelo, ou de algum colega.

Mas até que naquela tarde, o hospital estava mais silencioso do que o normal. Ela foi enviada ao depósito para buscar caixas de formulários antigos. Um pedido simples. Trabalho administrativo, como tantos outros.

O corredor era estreito. As luzes frias. O cheiro de papel e produto de limpeza incomodava.

Ela entrou no depósito e fechou a porta atrás de si, empurrando o carrinho para dentro. O espaço era apertado, com estantes altas dos dois lados. Milena respirou fundo e começou a procurar as caixas indicadas.

Foi quando ouviu a porta abrir. Ela se virou no mesmo instante. Caio entrou e fechou atrás de si.

— Achei você. — disse, como se aquilo fosse normal.

O coração de Milena acelerou. Ela sentiu o corpo enrijecer de imediato.

— Professor… — respondeu, tentando manter a voz firme. — Precisa de alguma coisa?

— Não. — Ele deu dois passos à frente. — Eu só queria conversar.

Ela segurou o carrinho com força.

— Agora não é um bom momento. Preciso levar os formulários para o Doutor De Valliére.

— Nunca é, né? — Ele sorriu, mas não havia humor ali. — Percebi que você anda me evitando.

Milena sentiu o estômago afundar.

— Não estou evitando ninguém. Só estou trabalhando.

Ela tentou passar por ele, empurrando o carrinho em direção à porta. Caio se moveu rápido e bloqueou a passagem. Não tocou nela, mas o espaço entre os dois sumiu.

Milena parou.

Cap 14. O que ninguém viu 1

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