O vidro do carro subiu novamente com um ruído seco. Do lado de fora, a rua continuava movimentada, alheia ao que acabara de acontecer. Ninguém percebeu quando a porta traseira do carro de trás se abriu por alguns segundos e o corpo desacordado de Sabrina foi puxado para dentro.
O homem que segurava o pano a acomodou no banco com cuidado.
— Apague as luzes internas — ordenou a voz masculina vinda do banco da frente.
O motorista obedeceu imediatamente. O interior do veículo mergulhou em meia sombra, e o carro arrancou devagar, misturando-se ao trânsito como se nada tivesse acontecido. No banco traseiro, Sabrina respirava de forma irregular, a cabeça tombada para o lado.
O homem ao lado dela a observou por alguns segundos.
— Então essa é a mulher que causou todo esse inferno…
A voz dele não carregava piedade. Apenas curiosidade.
No banco da frente, o motorista soltou um pequeno riso.
— Ela é mais perigosa do que parece.
O homem no banco traseiro ficou em silêncio e continuou olhando para Sabrina. Depois de alguns segundos, pegou o celular e discou um número.
A ligação foi atendida no segundo toque.
— Já está feito. Estamos só esperando suas ordens.— disse ele calmamente.
Do outro lado da linha houve um breve silêncio.
— Ela reagiu?
— Tentou. — respondeu o homem. — Mas não por muito tempo.
— Ótimo. Se tiver problemas não precisa ter dó. Já viram do que ela é capaz.— A voz do outro lado era calma demais para o tamanho da sua raiva. — Leve ela para o lugar combinado. Quero pessoalmente me vingar dessa mulher.
O homem no carro arqueou levemente a sobrancelha.
— Tem certeza? Sabe que se sujar suas mãos não vai ter volta.
— Absoluta. Eu já não tenho nada a perder.
A ligação foi encerrada. O homem guardou o celular e voltou a olhar para Sabrina desacordada.
— Você arrumou problemas com as pessoas erradas… pensou que ficaria em pune para sempre?— murmurou.
O carro seguiu pelas ruas da cidade, afastando-se lentamente da área central.
No esconderijo, Bruno caminhava de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos repetidas vezes. O silêncio dentro da casa era opressor. Ele olhou para o relógio e franziu a testa.
— Sabrina já deveria ter voltado…
Ele se aproximou da janela e afastou levemente a cortina. A rua permanecia vazia. Um pressentimento estranho começou a crescer dentro dele. Ele voltou a olhar para o quarto recém-arrumado. A porta continuava aberta. Aquilo parecia mais perturbador agora que Sabrina não estava ali.
— Tem algo errado…
Ele pegou o celular e discou o número dela. A chamada foi direto para a caixa postal. Tentou várias vezes, mas nada da ligação ser completada. Bruno passou a mão pelo rosto, sentindo o estômago se contrair.
Sabrina era muitas coisas. Impulsiva. Obsessiva. Manipuladora e uma criminosa. Mas não desaparecia assim. De repente, um pensamento atravessou sua mente como um golpe.
— Ele a achou... Marcelo está com ela. Tenho certeza.
O coração de Bruno acelerou. Se Marcelo tivesse descoberto alguma coisa sobre o sequestrado das crianças, provavelmente não adicionaria a polícia. Ele mesmo encarregaria de se vingar.
Ele ficou imóvel por alguns segundos, tentando organizar os pensamentos. Então pegou a chave do carro sobre a mesa.

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