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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 153

Algumas semanas depois da morte de Augusto, as coisas desaceleraram para Marcelo. Ele e o pai nunca tiveram uma convivência fácil. Depois da morte da mãe, o que existia entre eles se tornou distância, silêncio e expectativas nunca ditas. Ainda assim, a ausência definitiva deixou um vazio que ele não soube lidar.

Olavo preocupado com o neto após perceber que a morte do pai afetou Marcelo mais que ele queria admitir, decidiu passar um tempo na mansão. A presença dele trazia algo que Marcelo não sentia há muito tempo, um tipo de estabilidade que não vinha do controle, mas da presença constante.

Foi Olavo quem o criou quando tudo desmoronou. Mesmo que, naquela época, estivesse dividido entre o luto pela filha e o trabalho, ainda assim foi o mais próximo que Marcelo teve de um lar. Agora, de alguma forma, aquilo parecia voltar.

A rotina para ele seguiu. Marcelo se manteve ocupado entre a universidade, a administração dos negócios da família, as cirurgias no hospital e seus filhos. Trabalhar era a única forma de manter a mente no lugar certo. Pensar demais levava para um lugar que ele evitava.

O arrependimento.

Não por grandes gestos. Mas pelos pequenos que nunca aconteceram. Talvez tivesse se acostumado tanto com a ausência que, quando Augusto tentou se aproximar, já era tarde demais para saber como responder. Durante anos entre eles, tudo o que existiu foram cobranças, resultados e silêncio. No fim, Marcelo percebeu que não queria ter sido perfeito. Só queria ter tido tempo de ser filho.

Sentado em seu consultório após uma longa cirurgia, ele apertou os olhos por alguns segundos, sentindo o peso do cansaço. Ao lado direito da mesa, a fotografia. Olavo, Milena e os quatro filhos sorrindo. Ele passou a mão pelo vidro, devagar.

— Eu prometo a vocês que vou tentar ser um bom pai...— murmurou baixo. — Mesmo que eu ainda esteja aprendendo.

Distraído, nem percebeu que o telefone tocou. Ao ouvir o som insistente, viu o nome do seu advogado Henrique no visor. Marcelo atendeu.

— Preciso que você venha ao escritório. — disse a voz do outro lado. — É sobre o testamento do seu pai.

Marcelo ficou em silêncio por um instante.

— Certo. Estou indo.

Ao chegar lá, notou que o escritório estava quieto. Formal demais para um momento que não tinha nada de prático.

Henrique explicou o básico, mas Marcelo ouviu apenas o necessário. Dinheiro para ele nunca foi o ponto. Quando a leitura começou, ele prestou atenção apenas quando o nome dele foi mencionado.

E então veio a carta. Henrique deslizou o envelope pela mesa.

— Seu pai deixou isso para você.

Marcelo segurou o papel por alguns segundos antes de abrir. A caligrafia era inconfundível.

“Marcelo"

Se você está lendo isso, é porque eu não tive tempo suficiente para dizer o que deveria. E talvez, mesmo que tivesse, não saberia como. Passei grande parte da minha vida acreditando que preparar você para o mundo significava exigir mais, cobrar mais, endurecer mais. Hoje entendo que isso me afastou exatamente do que eu deveria proteger. Você não precisava de um homem perfeito ao seu lado. Precisava de um pai. E eu falhei nisso. Não escrevo essa carta para justificar nada. Apenas para mostrar que reconheço onde errei. Eu vi no que você se tornou. E, apesar de tudo, você construiu algo que eu nunca consegui: uma família de verdade. Proteja isso, filho. Não tente controlar nada, a vida é imprevisível, impossível saber o que espera na manhã seguinte. Por isso digo. Não tenha medo de errar as vezes, tenha medo do que pode perder se errar. Não tenha vergonha em pedir desculpas. De demonstrar sua fraqueza. De dizer o que está apertando seu peito. Se existe algo que ainda posso te pedir é, não repita com seus filhos o que eu fiz com você. O resto, você já sabe lidar melhor do que eu jamais soube.

"Augusto.”

Marcelo terminou de ler sem pressa, os olhos ardiam mas as lágrimas não apareciam. Ao terminar dobrou a carta com cuidado e a manteve nas mãos por alguns segundos.

— Ele deixou tudo para você. — disse Henrique, retomando o tom profissional. — Empresas, propriedades, participações… o patrimônio completo.

Marcelo assentiu.

— Resolva a transferência.

Henrique franziu levemente a testa.

— Para qual estrutura?

Marcelo apoiou os braços na mesa.

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