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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 152

Três meses haviam se passado desde a confissão de Augusto.

A rotina de Marcelo se arrastava entre o trabalho, as visitas semanais à prisão e as noites em que ele ficava acordado olhando o teto da mansão. O julgamento ainda não tinha data marcada. Augusto permanecia preso preventivamente, em cela individual, graças à influência que Marcelo conseguia exercer. O tumor no cérebro avançava sem piedade. Os médicos da penitenciária avisavam, a cada relatório, que o quadro piorava.

Naquela manhã de quarta-feira, Marcelo estava no escritório da empresa, sentado à cabeceira da longa mesa de reunião. A apresentação sobre o novo projeto de expansão corria na tela. O diretor financeiro falava números, gráficos subiam e desciam, vozes se alternavam. Ele deveria estar atento. Deveria estar fazendo perguntas, tomando decisões. Em vez disso, seus olhos voltavam sempre para o celular silencioso sobre a mesa.

O peito apertava. Uma sensação incômoda, como se algo estivesse fora do lugar. Ele pegou o aparelho, desbloqueou a tela, verificou as notificações. Nada. Colocou de volta. Dois minutos depois, repetiu o gesto. O diretor parou de falar por um segundo, olhando para ele. Marcelo fez um sinal discreto com a mão para que continuasse.

Quando a reunião terminou, ele ficou sentado enquanto os outros saíam. A sala esvaziou. Ele não se levantou. Ficou ali, com as mãos espalmadas sobre a mesa fria, o olhar fixo na parede de vidro que dava para a cidade.

Milena chegou pouco antes do meio-dia. Carregava uma sacola térmica, com o almoço que preparou em casa. Ela entrou sem bater, como sempre fazia quando sabia que ele estava sozinho. Encontrou Marcelo ainda na mesma posição, o olhar distante, a gravata ligeiramente afrouxada.

— Oi, amor. — disse ela, baixinho, fechando a porta atrás de si.— Atrapalho?

Ele piscou, como se voltasse de longe, e sorriu de lado, sem força.

— Nunca.

Milena sorriu colocando a sacola sobre a mesa e se aproximou. Sentou-se na cadeira ao lado dele, virando o corpo para encará-lo.

— Você não parece bem. Está pensando no seu pai?

Marcelo hesitou um segundo, depois assentiu.

— Estou. O tempo todo. Não consigo me concentrar em nada esses dias. Me sinto péssimo por não conseguir fazer o mínimo que esperam de mim.

Ela estendeu a mão e tocou o braço dele.

— Não se culpe, amor. Todos entendem que o momento não está sendo fácil.

— Assim espero. Infelizmente a doença do meu pai está avançando. Os relatórios da semana passada já diziam que era questão de semanas. Eu sinto uma angústia, como se algo fosse acontecer.

Milena ficou em silêncio por um momento. Depois se levantou, contornou a cadeira e parou atrás dele. Colocou as mãos nos ombros de Marcelo e apertou de leve.

— Não precisa carregar isso sozinho. Saiba que estou aqui.

Marcelo virou o rosto para cima, olhando para ela. Os olhos dele estavam cansados, mas havia gratidão ali.

— Obrigado por estar comigo, amor. De verdade. Não sei o que seria de mim sem você nesses últimos meses.

Ela se inclinou e deu um beijo leve na testa dele.

— Vamos almoçar. Depois você decide se quer ir até a prisão ou não.

Ele concordou. Começaram a tirar a comida da sacola quando o celular de Marcelo tocou. O número era do hospital. Ele atendeu no segundo toque.

— Alô?

A voz do outro lado era calma, profissional.

Cap 152. A despedida 1

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