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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 158

O escritório estava silencioso demais para aquela hora. Alan permanecia sentado, os dedos tamborilando de leve sobre a mesa, o olhar perdido em algum ponto entre os relatórios abertos e o nada. Já fazia minutos ou talvez mais que ele não lia uma única linha. O nome de Lívia voltava sempre. Como um eco insistente que ele não conseguia calar.

Ele passou a mão pelo rosto, soltando o ar devagar. Tentou se convencer, mais uma vez, de que tinha feito o certo. Que a distância era o melhor remédio para reorganizar os sentimentos. Que aquilo de alguma forma evitava mais erros.

Mas então vinha a lembrança do jeito que ela olhava para ele. Da forma como a voz dela falhava quando tentava explicar. Do beijo e do toque. Do silêncio depois e o vazio que ficou.

— Droga… — murmurou, baixo, empurrando a cadeira para trás.— Se não importo mais com ela… por que doí tanto?

Ele se levantou de repente, pegou as chaves sobre a mesa e saiu sem pensar duas vezes. Não havia mais lógica ali, nem orgulho suficiente que sustentasse aquela distância. Dessa vez ele precisava resolver.

Quando os portões da mansão de Marcelo se abriram, o coração dele já batia mais rápido do que deveria. Alan desceu do carro sem hesitar. Nem chegou a bater. Entrou direto.

Milena estava sozinha na sala trabalhando no computador. Ela ergueu o olhar ao vê-lo, surpresa, mas não satisfeita.

— Você? — disse, direta.

Alan não respondeu de imediato. Os olhos já percorriam o ambiente.

— Cadê a Lívia?

Milena cruzou os braços devagar, encostando-se no encosto do sofá.

— Engraçado… — murmurou, com um meio sorriso sem humor. — Só agora você resolveu perguntar isso?

Ele ignorou o tom.

— Milena, eu não estou com cabeça pra isso. Só me diz onde ela está.

Ela inclinou levemente a cabeça, observando ele com mais atenção.

— E por que agora, Alan?

O silêncio que veio não foi pesado. Ele passou a mão na nuca, frustrado.

— Porque eu preciso falar com ela.

— Precisa? — ela repetiu, deixando escapar uma pequena risada desacreditada. — Você teve muito tempo pra isso.

Alan fechou os olhos por um segundo.

— Eu sei.

— Não. — ela o interrompeu, firme. — Você não sabe.

O olhar dela endureceu.

— Porque, se soubesse, não teria passado por ela como se não significasse nada. Não teria virado as costas depois de tudo e não teria dito o que disse para o seu irmão.

— O que?— perguntou surpreso.

— Ela ouviu o que você disse ontem, Alan.

Alan travou o maxilar. Sabia que explicar não faria sentido.

— Eu errei, tá? — disse, a voz mais baixa, mais carregada. — Eu sei que errei. Mas eu vim consertar isso.

Milena sustentou o olhar.

— Tarde demais.

— O quê? — ele franziu a testa, dando um passo à frente.

Foi quando Marcelo apareceu na entrada da sala, atraído pelo tom elevado das vozes.

— O que está acontecendo?

Milena não desviou os olhos de Alan.

— Ele quer falar com a Lívia, acredita?— sua voz soou sarcástica.

Marcelo olhou de um para o outro, entendendo mais do que precisava ser dito.

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