Lívia caminhava devagar pelo corredor do hospital, os passos quase silenciosos, ainda tentando acompanhar o próprio pensamento.
O exame ainda estava na mão, levemente amassado entre os dedos. Ela olhou para o papel mais uma vez, a voz da médica latejava dentro dela, confusa e ao mesmo tempo pesada demais para ser ignorada.
— "Grávida, três semanas."
De tudo que ela imaginou que poderia acontecer, aquilo não estava nos planos. Levou a mão até a barriga, ainda sem qualquer sinal visível, mas agora carregando algo que mudava tudo, um filho do homem que amava.
Os olhos se fecharam por um segundo. E, mesmo no meio do choque, um sentimento silencioso começou a nascer. Ela sabia que precisava contar a Alan, afinal, seu filho não tinha culpa de nada.
Sem pensar muito, virou no corredor e seguiu na direção da sala da direção. O coração começou a bater mais rápido a cada passo, não sabia como ele reagiria e aquilo a assustava. Quando finalmente parou em frente à porta, ergueu a mão para bater. Mas a voz do outro lado a fez congelar.
— Você sabe que foi um completo idiota, não sabe?
Lívia franziu levemente a testa, a mão ainda suspensa no ar.
— Não começa, Thomas… você e o Marcelo tiraram o dia para me encher o saco. — a voz de Alan veio logo em seguida, carregada de impaciência.
— Eu não estou começando nada. Você passa a noite com a mulher que jura de pé junto que ama, some no dia seguinte e ainda age como se ela fosse a errada da história?
— Ela fez as escolhas dela. — Alan respondeu, mais frio do que realmente sentia. — Isso só foi a consequência disso. E no que eu estou errado? Homens e mulheres tem um caso de uma noite todos os dias. Só por que foi com ela eu sou um cafajeste?
Lívia sentiu o peito apertar, a mão que segurava o exame tremeu levemente.
Do lado de dentro Thomas soltou um riso sem humor.
— Sério mesmo que você acredita que esse é o ponto?
— Eu não preciso acreditar em nada. Eu só não vou voltar atrás dessa vez.
Aquelas palavras atingiram direto.
— Então faz direito, Alan. — Thomas retrucou, agora mais sério. — Se você não quer nada com ela, seja homem o suficiente pra dizer isso olhando nos olhos dela. Coloca um ponto final. Porque isso que você está fazendo não é justo.
Alan não respondeu de imediato. E aquele silêncio disse mais do que qualquer palavra.
— Você sabe que ela te ama. — Thomas continuou, mais baixo agora. — E outra, se você não quisesse, era só tê-la afastado.
— O que ela sente não me diz respeito. — Alan cortou, com a voz dura demais.— Eu sou homem. Foi só uma noite e não vai se repetir.
Lívia fechou os olhos, foi como se algo dentro dela cedesse de vez. Não houve lágrima naquele momento. Apenas um vazio quieto, se instalando aos poucos, no lugar onde antes ainda existia esperança.
A mão que estava levantada caiu devagar ao lado do corpo, ela deu um passo para trás virando no corredor, caminhando na mesma direção de onde tinha vindo. Os passos agora mais firmes, mesmo com o coração pesado demais dentro do peito.
Só quando já estava longe o suficiente, levou a mão até a barriga novamente, dessa vez com mais cuidado.
— Parece que vai ser só nós dois, bebê…— murmurou com um suspiro triste. Houve uma pequena pausa. — E está tudo bem... a mamãe vai cuidar de você.
Ela respirou fundo, engolindo o que restava do seu orgulho. Se levantou entrando em um táxi e indo para a mansão.

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