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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 18

Milena não conseguiu prestar atenção em quase nada naquela noite na faculdade.

As vozes dos professores se misturavam, as palavras escritas no quadro pareciam distantes demais para fazer sentido. Ela copiava o que conseguia, mais por hábito do que por compreensão. Às vezes, parava com a caneta suspensa no ar, encarando um ponto qualquer à frente, sem realmente ver nada.

A imagem do depósito voltava o tempo todo. E se não bastasse o que viu no hospital martelava em sua mente. A voz de Katherine e de Marcelo ecoando como um lembrete cruel.

"Nada é mais importante do que a Kethelyn."

Milena fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e tentou se forçar a voltar para o presente. Não adiantou. O corpo estava ali, mas a cabeça não acompanhava.

Quando a aula terminou, ela saiu quase no automático. Não conversou com ninguém. Não checou o celular. Apenas seguiu o fluxo até a saída, com uma sensação estranha de estar deslocada dentro da própria vida.

A mansão estava silenciosa quando chegou.

O carro parou, o portão se abriu, e Milena entrou sem olhar para os lados. Subiu as escadas com passos lentos, a cabeça baixa, os ombros levemente curvados. Não percebeu que continuou subindo além do habitual. Só se deu conta quando o corredor mudou.

Ela estava no terceiro andar. Milena parou no meio do corredor, como se tivesse acordado de um transe. O silêncio ali era diferente. Mais denso e pesado. À sua frente, a porta que nunca era aberta.

Milena sentiu o peito arder. A lembrança veio sem aviso. Marcelo, sério, quase solene, dizendo que aquele andar era proibido. Que ali estavam as lembranças mais lindas e as mais tristes. Que ninguém entrava naquele quarto.

Ela não se aproximou. Não tocou na maçaneta. Apenas ficou ali, olhando para a porta fechada, sentindo os olhos queimarem.

Não era ciúmes exatamente. Era algo mais confuso. Um misto de exclusão e compreensão dolorosa. Ela não fazia parte daquilo. E sentia que nunca iria fazer.

As lágrimas se acumularam, e Milena virou-se de repente, como se tivesse sido pega fazendo algo errado. Desceu as escadas apressada, sem olhar para trás.

No quarto, tirou a roupa devagar e entrou no banho. A água quente escorreu pelo corpo, mas não levou embora o peso. Ficou ali mais tempo do que o necessário, apoiando a testa no azulejo, tentando organizar pensamentos que insistiam em se atropelar.

— Você não pode se apaixonar por ele... não pode.— murmurou.

Quando saiu, vestiu uma camisola simples e caminhou até o closet. As roupas novas ocupavam cada vez mais espaço. Vestidos, sapatos, bolsas. Tudo escolhido com cuidado. Tudo caro demais.

Ela suspirou, sem sentir o brilho que imaginou que sentiria quando a falta de dinheiro acabou. Hoje ela estava tendo a oportunidade que tanto pediu em suas orações, mas tudo que consegue sentir era um grande vazio.

Sentou-se na beira da cama, pegou um comprimido para a dor no corpo e engoliu com um gole de água. Deitou-se em seguida, encarando o teto.

O cansaço era físico, mas o que doía mesmo era outra coisa.

A sensação das mãos de Caio em seu corpo surgiu de repente. O depósito. O aperto no braço. A ameaça cruel. O medo.

Milena virou-se de lado e abraçou o travesseiro, tentando se encolher. As lágrimas vieram sem aviso, silenciosas, quentes. Não era só por ele. Era por tudo. Pela rotina pesada. Pelo passado. Pelo contrato. Pela sensação de estar sempre devendo algo a alguém.

O olhar caiu na foto de Marcelo ao lado da cama. A expressão séria, o olhar firme. Ela tocou a moldura com a ponta dos dedos.

— Por que ouvir aquilo dói assim… — murmurou para o vazio.

Cap 18. O peso do silêncio 1

Cap 18. O peso do silêncio 2

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