Milena se encolheu no peito de Marcelo. Seus olhos pesados se fecharam devagar, e em poucos minutos ela pegou no sono, sem responder às últimas palavras dele.
O braço de Marcelo a envolveu com firmeza, como se quisesse protegê-la de tudo. Ele ficou acordado, observando o rosto dela sob a luz fraca do abajur.
A respiração dela era leve no início, mas aos poucos se tornou irregular. No meio da madrugada, ela começou a sussurrar. Palavras baixas, quase inaudíveis.
— Não... por favor... não...
Entre os nãos repetidos, uma frase clara escapou com mais força:
— Socorro... me ajuda...
Marcelo sentiu um aperto no peito. Ele a abraçou mais forte, apertando-a contra si até os sussurros diminuírem. O corpo dela relaxou aos poucos, e ela voltou a dormir profundamente.
Ele não a soltou. Ficou até a respiração dela se estabilizar. Só então, com cuidado para não acordá-la, ele se levantou da cama. Pegou o celular na mesa de cabeceira e saiu do quarto. No corredor escuro, discou para Alan.
Alan atendeu no terceiro toque, voz rouca de sono.
— O que passa na sua cabeça de me ligar esse horário?
Marcelo ignorou a frustração do amigo.
— Quero todas as imagens das câmeras do hospital.— disse Marcelo, direto.— Corredores, salas, tudo. Horário das dez às quatorze horas de ontem.
Alan fez uma pausa e sentou na cama.
— Todas? Por quê? Aconteceu algo?
— Sim. Nada tira da minha cabeça que aconteceu alguma coisa com a Milena.— respondeu Marcelo, voz baixa mas firme. — Manda agora. Tudo que tiver.
— Entendi. Vou separar e te envio já. Pode demorar um pouco.— respondeu indo na direção da sala de segurança.
— Quero isso ainda hoje, Alan.
Marcelo desligou e voltou para o quarto. Milena ainda dormia, de lado, os cabelos espalhados no travesseiro. Ele se deitou ao lado dela, mas não pregou o olho pelo resto da noite. Observava o jeito que ela se encolhia, nos hematomas que ficava cada vez mais visível.
O dia amanheceu rápido. Marcelo se levantou primeiro, tomou banho e se vestiu. Camisa social, calça branca. Quando saiu do banheiro, Milena ainda estava na cama, abraçada com o travesseiro. Ele se aproximou e tocou o rosto dela com cuidado.
— Pequena. Hora de acordar. Vou te esperar para irmos para o hospital juntos.
Ela abriu os olhos devagar, piscando contra a luz. O corpo doía todo. Cada movimento era uma pontada. Sentou na cama.
— Bom dia.— ele disse e ela sorriu se inclinando para dar um beijo de leve. Seus lábios se tocaram e ele se levantou.— Vou descer, te espero lá em baixo.
— Tá bom. Já vou me arrumar.
Ela se levantou devagar, pegou roupas no armário e foi pro banheiro. Vestiu uma calça larga e uma blusa fina clara de manga cumprida um pouco mais larga para esconder o roxo. Ao sair, fingiu normalidade.
— Pronto. Vamos?

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