Na cozinha, o cheiro doce começava a tomar conta do ambiente. O brigadeiro borbulhava enquanto Sophia mexia com mais força do que o necessário, como se aquilo fosse capaz de organizar os pensamentos que insistiam em se atropelar desde o dia do ultrassom.
Depois de horas fora, Hugo retornou carregando uma caixa grande demais para ser ignorada. Ele não disse nada quando passou pela sala. Foi direto para o quarto dela.
Sophia olhou para trás e viu somente o vulto dele. Ela estranhou, mas ignorou. Ele não era de entrar no quarto dela sem falar nada.
O som da caixa sendo apoiada no chão não chegou até ela. Ao ouvir os passos dele vindo de trás dela, Sophia baixou o fogo e virou o rosto para olhar na direção dele.
— Por que me parece que está escondendo algo?
Hugo coçou a cabeça sem jeito, e sorriu ao se aproximar do fogão.
— Você vai destruir esse brigadeiro antes do bolo sair do forno.— comentou ignorando a pergunta.
Ela olhou por cima do ombro, e desconfia ainda mais. Porém não insiste.
— Quer tentar? Eu segui uma receita nova que peguei na Internet, mas parece que não está dando certo. Por isso não gosto de nada que saia do tradicional.
— A culinária nunca foi o seu forte.
Sophia revirou os olhos e voltou a atenção para a tigela, mas o canto da boca quase cedeu. Se afastou, deixando o lugar para ele.
— Certo. Deixa que eu termino.— ele diz baixo. Apos uns segundos pensativos Hugo olhou para ela. — Lembra que eu te falei essa semana?
— O que? Sobre a empresa?
— Isso. Fechei um grande negócio hoje. E finalmente vou abrir minha nova empresa.
Sophia olhou para ele com expectativa.
— Você tá falando sério?
Hugo assentiu orgulhoso.
— Muito sério.
— Isso é... incrível!
O abraço veio rápido. E foi nesse momento que Hugo fechou os olhos por um segundo a mais. Ele a segurou de volta com firmeza, como sempre fazia.
— Eu sabia que você ia conseguir.
— Eu também sabia. — respondeu, mas havia menos leveza do que deveria.
Ela se afastou, ainda sorrindo.
— A gente precisa comemorar isso.
— Já pensei nisso.
Sophia inclinou levemente a cabeça.
— Claro que pensou.
— Tem uma festa esse fim de semana. — ele comentou com uma leve hesitação. — Quero que você vá comigo.
O sorriso dela não desapareceu de imediato, mas perdeu força.
— Não dá.
— Por quê?
Ela virou de volta para a bancada, pegando um prato.
— Eu não estou com cabeça pra isso.
— Não perguntei se você tá com cabeça. Perguntei se você vai.
— Não, Hugo. Eu realmente não vou conseguir.
Ele cruzou os braços, encostando no balcão.

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