Milena demorou alguns segundos para reagir. Ela se afastou um pouco, apenas o necessário para encará-lo melhor. O rosto dele estava calmo demais para quem havia perdido o controle horas antes. Aquilo a desorientou.
— Por quê? — perguntou. — Seu avô voltou a te cobrar isso?
Marcelo sustentou o olhar.
— Sim. — respondeu. — Mas não é por isso.
Milena estreitou os olhos e respirou fundo.
— Então por quê agora? — insistiu. — Já se passaram dias desde que eu assinei o contrato. E você não falou disso nenhuma vez. Eu até achei que tinha mudado de ideia ou que fosse esperar mais… para ver se sua noiva acordava.
O maxilar dele se contraiu por um instante.
— Contratos existem para serem cumpridos.
Ela desviou o olhar, um lampejo de decepção surgiu em seus olhos. Era isso, apenas cumprindo o contrato.
— Claro... será como você quiser.
Marcelo soltou o ar devagar, se xingando mentalmente por ter dito aquilo.
Milena tentou se levantar, mas ele a impediu, segurando sua cintura e forçando-a a olhar para ele.
— Espera. — Ele estendeu o braço até a gaveta ao lado e abriu. De dentro tirou uma flor simples, um pouco amassada nas bordas.— Pra você.
Milena franziu a testa, surpresa.
— Você comprou uma flor… pra mim?
— Para quem mais seria? — respondeu, inclinando-se, seus dedos se fecharam com firmeza em sua cintura.
Milena se encolheu com o arrepio imediato. Pegou a flor quando ele a estendeu. Os dedos tremiam de leve, sorrindo ao sentir o perfume dela.
— Mas isso... não faz parte do contrato...— ela resmungou tão baixo que Marcelo não ouviu.
— O que disse?.— perguntou Marcelo.
— Marcelo... — disse hesitante.— Como você sabia o que estava acontecendo?
Ele apoiou a mão livre na coxa dela, firme.
— Esses dias eu percebi que você estava distante. — respondeu.— Quando eu te tocava, seu corpo travava. — Ele fez uma pausa curta.— Se eu soubesse o que estava acontecendo, você não teria aguentado tudo sozinha por tanto tempo.
Milena respirou fundo.
— Eu não queria me tornar um problema. Você já me ajudou com tanto desde que nos conhecemos. E também, queria evitar o que está acontecendo agora. Todos do hospital estão falando da gente. Questionando você. Seu trabalho. Seu profissionalismo.
Marcelo riu e apoiou a testa na dela por um instante curto, contido.
— Não se preocupe com isso. — respondeu. — Ninguém sabe de fato sobre nós. Só existem boatos, vindos de um lixo que não merece atenção.— Ele se afastou apenas o suficiente para olhá-la com firmeza.— E é justamente por isso que eu decidi tornar o que temos público. Eu quero te proteger, Milena. Proteger seu pai.

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