Entrar Via

Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 27

Quando ele retornou, já era noite. Soube pelos funcionários que Milena havia chegado cedo e se recolhido. Decidiu não ir atrás. Preferiu respeitar essa distância que ela precisava. Foi direto para o quarto de hóspedes.

Na manhã seguinte, Milena despertou com a sensação estranha de não estar sozinha. Por um segundo, ainda sonolenta, virou o rosto esperando encontrar Marcelo ao seu lado.

Mas havia apenas o vazio. O lençol ao lado estava frio. Nenhum sinal de que ele tivesse passado por ali durante a noite. Aquilo a fez suspirar fundo.

Sentou-se na cama devagar, esfregando o rosto com as mãos. O silêncio da mansão era absoluto. Não havia vozes, nem o som distante do escritório em funcionamento.

Levantou-se e seguiu para o banheiro. Tomou um banho rápido e se arrumou. Ao sair do quarto, passou pelo corredor e lançou um olhar involuntário para o escritório.

A porta estava entreaberta, mas tudo lá dentro parecia exatamente como Ayla, a empregada, deixou no dia anterior.

— Ele ainda não chegou… — murmurou para si mesma.

Milena ajustou a bolsa no ombro e seguiu para fora da mansão. Hoje o dia era livre, então aproveitou para ficar com o pai, que já estava no apartamento. Fez o almoço e mostrou o que tinha aprendido no decorrer da semana. Álvaro estava orgulhoso da filha.

Na faculdade, o dia começou como qualquer outro. A rotina ajudava a manter a mente ocupada, afastando pensamentos que insistiam em surgir quando ela se permitia parar por mais de alguns segundos.

No meio da segunda aula, o professor interrompeu a explicação e pigarreou levemente.

— Antes de continuarmos, gostaria de apresentar um novo aluno. Ele entrou fora do período regular, por transferência. — apontou para a porta.

O murmúrio percorreu a sala no instante em que o rapaz entrou.

Ele era alto, tinha postura confiante e um sorriso fácil, daqueles que surgem sem esforço. Os cabelos castanhos estavam levemente bagunçados. Vestia-se bem, sem exagero. Chamava atenção de forma natural.

— Gregory. — disse o professor. — Pode se sentar ali no fundo, ao lado de Milena.

Milena observou sem muito interesse no início, até que sentiu o olhar dele cruzar o seu por um breve segundo. Gregory sorriu de forma educada antes de se sentar.

A aula seguiu normalmente, mas ao final, o professor chamou Milena.

— Você pode ajudá-lo a se situar no campus? Mostrar os prédios, secretaria, biblioteca… — pediu.— Você conhece bem a estrutura.

Ela hesitou por um instante, mas concordou

Gregory se aproximou assim que saíram da sala.

— Obrigado por isso. — disse ele. — Ainda estou meio perdido.

— É grande mesmo. — Milena respondeu, começando a andar. — Mas você se acostuma rápido.

Enquanto caminhavam, ele fazia perguntas inteligentes, demonstrando real interesse. Falava sobre a transferência, sobre as diferenças entre as instituições, sobre as matérias. Não era invasivo, nem forçado. Apenas agradável.

Milena se viu sorrindo algumas vezes sem perceber com uma leveza que a muito tempo não sentia.

— Então… — Gregory comentou, enquanto atravessavam o pátio. — Você sempre parece saber exatamente para onde está indo.

Ela riu de leve.

— Nem sempre. Mas finjo bem.

Ele riu junto.

Enquanto conversavam, Milena sentiu algo estranho. Uma pressão familiar no peito. Um arrepio que percorreu sua espinha sem aviso.

— Talvez. Mas não costumo errar muito.

Do alto, Marcelo acompanhava cada gesto. O sorriso dela. A proximidade. O modo como aquele rapaz se inclinava para ouvi-la melhor. Nada daquilo era explícito, mas tudo era suficiente.

O estômago se revirou com um incômodo profundo, irracional. A constatação de que Milena existia fora dele. Que ela podia rir. Conversar. Ser vista. E ser desejada. Mexeu num ponto que ele queria esconder até mesmo dele.

Ele fechou as mãos em punho. Quando Milena voltou a andar, Marcelo se afastou do vidro, fechando a expressão.

No pátio, Gregory continuou o tour até o fim. A conversa seguiu mais neutra, mas o clima já tinha mudado para Milena. Ela sentia Marcelo em cada passo, mesmo sem vê-lo mais.

— Obrigado por tudo. — Gregory disse, ao se despedirem. — Foi um prazer. Eu espero que possamos nos tornar amigos.

— De nada. — respondeu, educada.— E claro. Pode contar com a minha amizade.

Quando ficou sozinha, Milena respirou fundo. O coração ainda acelerado. Parte dela queria correr até o prédio administrativo. Outra parte sabia que aquilo só complicaria tudo.

Marcelo observou de longe quando ela se afastou sozinha. E, naquele momento, algo ficou claro demais para ser ignorado.

Por mais que tentasse tratar aquilo como um contrato. Por mais que repetisse para si mesmo que não havia não poderia haver sentimentos envolvidos.

Ver Milena conversando com outro homem o incomodava mais do que imaginava.

Ele pegou o telefone e ligou para a diretoria.

— Valter, quero a Milena Carlson na minha sala em menos de dez minutos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário