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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 32

Milena terminou a frase com a voz baixa, quase um pedido. Não era uma cobrança direta, mas havia expectativa ali. Um fio frágil de esperança que ela não conseguiu esconder.

Marcelo a encarava em silêncio, os olhos escuros indecifráveis. Ele não respondeu. Não disse que entendia, não explicou nada.

Marcelo segurou seu rosto com firmeza com as duas mãos, sem pressa. Se aproximou e tocou em seus lábios. O beijo veio lento, profundo, carregado de palavras não ditas.

Milena ficou imóvel no começo, surpresa demais para corresponder de imediato. Quando finalmente reagiu, já era tarde para entender o que aquilo significava. O beijo terminou do mesmo jeito que começou: sem explicações.

Marcelo se afastou primeiro.

— Vamos embora. — disse apenas.

Milena assentiu, ainda tentando organizar os próprios pensamentos. Não era isso que ela esperava. Não precisava de uma declaração, não precisava que ele dissesse que a amava. Mas precisava de alguma coisa. Qualquer coisa que dissesse que ela não estava sozinha naquele sentimento confuso.

Eles se arrumaram em silêncio. Cada um em um canto do escritório, como se aquela declaração não tivesse acontecido ou tivesse sido grande demais para ser comentado. Quando saíram do prédio, o vento forte os atingiu de imediato. Milena encolheu os ombros instintivamente.

Marcelo parou, tirou o blazer e o colocou sobre os ombros dela, com cuidado. O gesto foi automático, quase íntimo demais para alguém que sempre usava o silêncio como respostas. O tecido quente a envolveu, e ela baixou a cabeça, sentindo o nó se formar na garganta.

A falta de palavras ainda a incomodava mais do que deveria.

Eles caminharam até o carro sem trocar frases. No trajeto, o silêncio não se manteve absoluto. A música no rádio preenchia o espaço, uma canção qualquer que Milena não conseguia prestar a atenção. Ainda assim, o som ajudava a não deixar tudo pesado demais.

Ela olhava pela janela, vendo as luzes da cidade passarem rápido, enquanto tentava não pensar na entrega, no beijo, no silêncio, no que vinha depois.

Marcelo dirigia com atenção, uma mão firme no volante, o rosto sério. Em nenhum momento olhou para ela. E isso doeu mais do que se ele tivesse dito algo errado.

Quando o carro parou em frente à mansão, Milena sentiu o peito apertar. Aquela casa sempre pareceu grande demais, mas naquela noite parecia ainda mais fria. Ela abriu a porta, desceu e subiu as escadas lentamente. Viu Marcelo estacionar e entrar direto no escritório, sem sequer olhar em sua direção.

Ela suspirou fundo. Seguiu para o quarto sem pensar muito. Entrou direto no banheiro, ligou o chuveiro e deixou a água cair sobre o corpo. Ficou ali por longos minutos, tentando deixar que o calor levasse embora o peso no peito. Mas não levou. Nada parecia suficiente.

Depois do banho, vestiu uma camisola simples e se deitou. Puxou a coberta até os ombros e ficou encarando a porta do quarto. O coração batia rápido demais para alguém que deveria estar cansada.

O tempo passou devagar.

Quando finalmente ouviu passos no corredor, Milena virou-se de lado e fechou os olhos, fingindo dormir. O colchão afundou levemente quando Marcelo entrou no quarto. Ela sentiu a presença dele antes mesmo de ouvi-lo se mover.

Marcelo parou perto da cama. Ficou ali por alguns segundos, apenas olhando. Milena sentiu o peso daquele olhar sobre si, intenso, silencioso. Seu corpo inteiro ficou tenso, mas ela não se mexeu.

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