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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 56

Marcelo deu um passo à frente tentando se aproximar, a voz saiu mais baixa, quase suplicante.

— Milena, me ouve. Não aconteceu nada. Eu juro.

Milena virou o rosto, recusando encarar seus olhos. Aquela sensação de ter sido traída doía no fundo da sua alma. Respirou fundo, tentando manter o controle, mas o celular vibrou dentro da bolsa.

Milena hesitou por um segundo antes de pegar o aparelho, mas o toque era insistente demais para ignorar. O numero que apareceu na tela fez seu estômago revirar.

Ela já havia decorado aquele número, era Katherine mais uma vez.

Marcelo percebeu a mudança no rosto dela.

— O que foi?

Milena não respondeu, sentindo um frio na barriga antes mesmo de ver o que era. Assim que desbloqueou a tela a imagem carregou devagar demais.

Seus olhos arregalaram ao ver uma uma foto. Um recorte mal enquadrado, tirado de longe. Marcelo de perfil. Katherine muito próxima. O rosto inclinado. A distância entre eles inexistente o suficiente para sugerir um beijo que nunca aconteceu, mas que parecia real demais para ser ignorado.

A legenda abaixo foi o que realmente doeu.

“Nem sempre as verdades precisam ser ditas. Algumas só precisam ser vistas.”

O ar pareceu faltar. Milena fechou os olhos por um instante sentindo algo dentro dela se partir com um estalo seco. Ela guardou o celular com cuidado excessivo.

— Milena… — Marcelo se aproximou. — Katherine é louca.— Ele estendeu a mão antes de conseguir terminar a frase.— Eu posso provar que nada aconteceu... tenho as...

Milena recuou cortando sua fala.

— Não encosta em mim.— A voz saiu baixa, controlada. Mas havia algo irrecuperável ali.— Se fosse ao contrário… — ela ergueu o olhar pela primeira vez, e o encarou. — Você acreditaria em mim?

Ele abriu a boca, mas não conseguiu responder. Milena apertou a alça da bolsa. Os dedos tremiam levemente.

— Agora tudo faz sentido. O seu silêncio. A sua hesitação sempre que ela era assunto.

Ela virou-se para sair. Marcelo segurou seu braço.

— Espera. Por favor.

Milena puxou o braço de volta.

— Solta!

Eles se encararam por um segundo longo demais. Milena saiu, os passos apressados ecoando pelo corredor.

Marcelo correu chamando por ela, mas Milena já atravessava o saguão no meio dos outros alunos, com o olhar turvo e o coração em pedaços.

Gregory que estava saindo de carro, a viu chorando e abriu a porta. Assim que entrou eles partiram deixando-o para trás.

Marcelo ficou parado por alguns segundos depois que o carro saiu do campus. Ele observou os faróis desaparecerem na esquina, e foi aí que o peso caiu de uma vez só.

Ele passou a mão pelo rosto, respirou fundo e voltou para dentro do prédio com a cabeça baixa. O corredor parecia interminável.

Antes de entrar na sua sala, notou algo no chão, perto da mesa da secretária. Uma pequena caixinha amassada. Azul-clara. Simples. Ao lado, um papel dobrado e um envelope parcialmente amassado.

Subiu os poucos degraus com cuidado. Abriu a porta devagar, girando a maçaneta lentamente para não fazer barulho. A casa estava escura, Álvaro já dormia.

Milena fechou a porta com o mesmo cuidado e caminhou até a sala. Sentou-se no sofá, de frente para a grande janela de vidro. A rua estava silenciosa e vazia.

Ela abraçou as pernas, com os olhos parados no nada, ardendo em lágrimas.

Do outro lado da cidade Marcelo decidiu dar um tempo para ela, acreditava que Milena precisa de espaço. Mesmo querendo correr atrás dela. Mostrar as filmagens do escritório e esclarecer tudo. Sabia que ela não ouviria naquele momento. Que a casa do pai era o único lugar que ela podia se refugiar.

Quando decidiu ir atrás dela, algo chamou sua atenção. A caixinha que estava sobre a mesa. Não havia motivo lógico, mas seus olhos voltaram para ela.

Ele se aproximou devagar. Pegou a caixinha nas mãos. Sentiu o amassado nas laterais. Passou o polegar sobre o laço, pensativo.

E finalmente abriu. Por um segundo, não entendeu o que estava vendo. Quatro sapatinhos de crochê branco, pequenos demais para qualquer coisa que ele pudesse conceber naquele momento.

Ele deslizou os dedos sobre eles com cuidado, engolindo em seco.

— Quatro? — murmurou, quase sem voz.

O aperto no peito foi imediato, brutal. Fechou a caixinha com cuidado e então viu o envelope. Ao ler, reconheceu o nome no mesmo instante.

— São os exames da Milena.

Seus olhos passaram rapidamente por cada linha, até que as pernas fraquejaram. Seu coração batia tão forte e tão rápido que parecia querer pular do peito. Ele precisou apoiar a mão na mesa para não cair. Abriu a ultrassom com dificuldade, os dedos trêmulos.

— Ela está… grávida? — disse em voz baixa, incrédula.

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