O carro deslizou e Milena mantinha as mãos cerradas no colo, os olhos fixos na janela, mas não via nada além do próprio reflexo tremulo.
Marcelo apenas olhava para a frente, o maxilar rígido, como se o abraço dela tivesse deixado uma marca que ele ainda tentava apagar.
Quando o portão da mansão se abriu, o motor mal reduziu. Devil parou exatamente em frente à porta principal. Marcelo desceu primeiro. Nem olhou para trás.
Milena hesitou, a mão na maçaneta. Ele já subia os degraus de mármore quando parou de repente e virou-se.
— Vem! — disse, seco.
Ela obedeceu. Antes que alcançasse o último degrau, Marcelo se aproximou rápido demais. Um braço firme envolveu sua cintura, o outro passou por baixo dos joelhos. Num movimento único, ele a ergueu e jogou sobre o ombro como se ela não pesasse nada.
Milena soltou um grito abafado.
— Marcelo! O que você está fazendo?
— Agora vou te fazer gemer até não aguentar mais.
— O que...? A gente... já não fez isso?
Ele ignorou suas perguntas, subindo a escadaria larga sem esforço, o corpo dela balançando a cada passo. O coração dela batia tão forte que parecia querer sair do peito. Ela agarrou a camisa dele nas costas, assustada com a altura, com a força, com tudo.
As portas do quarto se abriram e se fecharam com um clique baixo. Só então ele a colocou no chão com uma delicadeza que não fazia parte dele.
Os pés dela tocaram o tapete macio, mas as pernas ainda vacilavam. Marcelo não soltou sua cintura. Puxou-a contra si com uma única mão, a outra subindo até segurar seu queixo, obrigando-a a erguer o rosto.
O beijo veio sem aviso. Duro. Profundo. Faminto. A boca dele tomou a dela com fome. A língua invadiu, roubando o ar.
Milena tentou acompanhar, mas era impossível. Ele ditava cada segundo. Quando ela tentou recuar um centímetro em busca de ar, ele mordeu o lábio inferior dela, não forte o bastante pra machucar, mas o bastante pra avisar quem mandava.
Ele se afastou apenas o suficiente para falar contra a boca dela.
— Tire a camiseta.
A voz saiu baixa, rouca, definitiva.
Milena hesitou.
— Agora!
Os olhos dele eram puro breu. Sem paciência. Sem piedade.
Ela engoliu em seco. As mãos tremiam ao agarrar a barra da camiseta. Puxou devagar, o tecido roçando a pele quente. Quando passou pela cabeça, os cabelos caíram bagunçados sobre os ombros nus. Ela deixou a camiseta cair no chão.
Ficou só de sutiã preto simples e calça jeans baixa no quadril. O quarto pareceu mais frio de repente. Os braços quiseram se cruzar, mas ela os manteve ao lado do corpo.
Marcelo não piscou. O olhar desceu devagar pelo pescoço, pelos seios, pela barriga que subia e descia rápido demais.
— A calça também.
Milena sentiu o ar travar na garganta.
Marcelo não repetiu sua ordem. Apenas esperou, imóvel, o olhar cravado nela como se pudesse despi-la só com a vontade.
Os dedos dela desceram até o botão da calça. Abriu. O som do zíper foi lento, quase doloroso no silêncio. Ela engoliu o nó que subia pela garganta e empurrou o jeans para baixo, primeiro pelos quadris, depois pelas coxas, até o tecido se juntar aos pés. O movimento fez o corpo tremer. Quando terminou, chutou a calça para o lado.
Ficou ali, só de sutiã e calcinha de renda, os braços colados ao corpo, tentando cobrir o mínimo possível sem realmente cobrir nada.
A pele toda ardia. Os olhos dela fixos no chão, incapaz de encarar.
Marcelo deu um passo e falou.
— Olhe para mim.
Marcelo aprofundou o beijo até Milena sentir as costas baterem de leve contra a parede fria. A mão dele desceu do pescoço para o seio esquerdo, o polegar roçando o mamilo já endurecido com uma lentidão torturante. Ela arqueou o corpo sem querer, um gemido abafado escapando contra a boca dele.
Ele sorriu contra os lábios dela, aquele sorriso perigoso que não chegava aos olhos.
— Boa menina... — murmurou, a voz tão baixa que parecia vibrar dentro do peito dela.
A outra mão deslizou pela cintura, contornou o quadril, desceu até a parte interna da coxa. Milena prendeu o ar. Os dedos dele roçaram o calor entre as pernas dela, leves, quase inocentes, só para sentir o quanto ela já estava molhada. Um som rouco escapou da garganta dele, de satisfação, de vitória.
Ele afastou a boca apenas o suficiente para falar contra o ouvido dela.
— Abre pra mim.
As pernas dela obedeceram antes que a cabeça pudesse protestar. Dois dedos entraram devagar, fundo, sem pressa. Milena agarrou os ombros dele, as unhas cravando no tecido da camisa. O corpo inteiro tremia.
Marcelo moveu os dedos com precisão cruel, curvando-os exatamente onde ela não conseguia esconder o quanto sentia. Outro gemido, mais alto, mais desesperado. Ele acelerou, o polegar encontrando o clitóris, pressionando em círculos perfeitos.
— Isso — sussurrou ele, os lábios roçando o lóbulo da orelha dela. — Deixa eu ouvir você gritar.
Milena estava tão perto do ápice do seu prazer, que mal conseguia respirar. As coxas tremiam, o coração acelerou, ela já sentia o orgasmo se aproximando como uma onda que não tinha como segurar.
Foi quando o celular dele vibrou no bolso. Marcelo parou de imediato. Os dedos permaneceu dentro dela, mas imóveis. O olhar dele mudou em fração de segundo: o desejo bruto deu lugar a algo frio, cortante.
Ele tirou a mão devagar e se afastou. Milena quase caiu, as pernas sem força, o corpo inteiro latejando de necessidade não satisfeita.
Marcelo pegou o celular, olhou a tela. O rosto endureceu tanto que parecia esculpido em pedra.
Ele atendeu.
— Ok. — disse, a voz sem nenhum traço do homem que segundos antes a devorava. — Estarei aí em breve.
Desligou, ajeitou as roupas. Sequer olhou para ela. Apenas virou as costas, abriu a porta e saiu. O trinco fechou com um clique seco que ecoou.

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