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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 6

O metal frio da algema ainda marcava o pulso de Sophia quando a porta da cela se abriu com um barulho seco. O espaço era menor do que imaginava. Paredes manchadas, cheiro abafado, algumas mulheres espalhadas entre o banco de concreto e o chão. Conversas baixas que pararam por um segundo quando ela cruzou a porta.

A grade se fechou atrás dela com um estalo.

Sophia ficou parada por um instante, sem saber exatamente o que fazer com o próprio corpo. Depois deu alguns passos até o canto mais afastado e se sentou no chão, abraçando as pernas, como se aquilo pudesse manter tudo no lugar.

Ninguém veio falar com ela. O que não significava que não estavam olhando.

— Primeira vez atrás das grades? — a voz veio de um dos cantos, arrastada.— Sempre as mesmas vítimas. Carinha de perdida… roupa simples… essas são mais fáceis de enganar.

Ela apertou mais os braços ao redor das pernas, mantendo o olhar baixo.

— Do que você foi acusada? — outra perguntou, sem muita curiosidade, mais por hábito.

Sophia demorou um segundo.

— Roubo.— respondeu num fio de voz. — Mas eu juro que não fiz nada.

Um riso baixo se espalhou entre duas delas.

— A gente já ouviu muito isso.

Sophia não tentou se explicar, sabia que não adiantaria.

Os minutos foram passando devagar, difíceis de medir. Ela manteve a mesma posição, as lágrimas nos olhos queimavam, mas não chorava. Parecia que estava vazia por dentro.

Em algum momento, a mulher que tinha falado antes se aproximou um pouco mais da grade, olhando Sophia com atenção.

— Isso aí não é cara de quem roubou uma simples carteira. — comentou, inclinando a cabeça. — Você se meteu com gente grande, né?

Sophia franziu levemente a testa, sem levantar o olhar.

— Sim...

— Armaram direitinho para você.

Sophia encostou a cabeça no joelho, os olhos perdidos no chão. Tentava organizar alguma coisa dentro dela, mas nada encaixava. Tudo tinha acontecido rápido demais. Parecia um eterno pesadelo. O corpo estava ali. Mas a sensação era outra.

O tempo passou sem que ela percebesse direito quando. A luz do corredor mudou aos poucos. Em algum momento, o barulho aumentou.

Um policial parou diante da cela.

— Quem ainda não fez ligação, pode fazer agora.

Algumas se levantaram na mesma hora, Sophia não se mexeu. Demorou alguns segundos até aquilo fazer sentido.

— Ligação...— ela murmurou e levantou o olhar devagar.

Ela ficou parada olhando pelo vão das grades, o telefone estava a poucos passos dali, mas não fazia sentido se mover. Não havia para quem ligar. A mente tentou puxar algum nome, qualquer um, mas não veio nada.

A imagem da mãe não trouxe nada além de vazio. Nem sabia se estava viva. O pai já não existia mais e se existisse ele seria a última pessoa para quem ligaria. E o único amigo que teve não estava nem no país.

Sophia baixou a cabeça e ficou olhando para o chão por mais alguns segundos, depois fechou os olhos com força. A ideia de não ter ninguém a desesperou. Foi quando outra imagem veio de repente. Richard Pritzker, o homem do hospital. O cartão que passou a noite olhando. A proposta por mais absurda que fosse era a única coisa que parecia realmente certa naquele momento.

Sophia abriu os olhos de novo, não pensou muito, se levantou rapidamente e foi até a grade.

— Eu… eu quero fazer a ligação.

O policial assentiu, destrancando a porta.

Cap 06. A escolha sem volta. 1

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