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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 62

Milena estava deitada na maca, o rosto pálido contrastando com o lençol branco. O monitor cardíaco marcava um ritmo acelerado demais para quem tentava aparentar calma. A médica falava baixo, explicando cada procedimento enquanto ajustava os sensores sobre a barriga.

A mão de Marcelo segurava a dela com força controlada, como se soltá-la fosse permitir que algo pior acontecesse. Ele respondia às perguntas dos médicos de forma objetiva, sem emoção visível, mas por dentro tudo gritava.

— A pressão dela está um pouco elevada, doutor.— comentou a médica. — Nada alarmante, mas vamos observar.

Milena assentiu em silêncio. O ultrassom começou, a imagem surgindo na tela. Quatro movimentos pequenos. Marcelo soltou o ar devagar ao ver aquilo novamente. Estavam todos bem.

Foi nesse instante que o celular vibrou no bolso da calça. Marcelo sentiu um incômodo estranho, um aviso antigo que nunca o abandonava. Retirou o aparelho devagar e olhou a tela.

Número restrito. O maxilar se fechou automaticamente. Por um segundo, pensou em ignorar. Nada naquele dia merecia mais espaço do que Milena e os bebês. Mas o telefone vibrou outra vez, insistente.

Ele ergueu o olhar para Milena. Ela percebeu o movimento, viu a tensão se formar no rosto dele.

— Atende… — disse baixo. — pode ser importante.

Marcelo levantou e ficou um pouco distante, ele hesitou apenas um segundo antes de deslizar o dedo pela tela.

— Fala. — a voz saiu firme, mas carregada de algo mais escuro.

Do outro lado da linha, o silêncio durou o tempo exato de provocar desconforto. Então a voz feminina surgiu, baixa, arrastada, carregada de intenção.

— Me diz, querido. Gostou do recado?

O corpo de Marcelo reagiu antes da mente. A mão livre se estendeu até a parede mais próxima, os dedos se abrindo e as unhas cravando na superfície fria. Ele precisava daquilo para não perder o controle.

— Você realmente está por trás disso? — perguntou, sem elevar o tom.

— Adivinha. — provocou.

Marcelo travou o maxilar com raiva.

— E eu avisei para não fazer nada com ela.

A mulher soltou uma risada curta, sem humor.

— Sempre tão dramático, Marcelo. — disse. — Eu só quis lembrar que você não manda em tudo.

Ele respirou fundo, controlando cada batida do coração.

— Sempre deixei claro que ela é meu limite. — falou devagar. — Faz o que quiser comigo. Com meu nome, meus negócios, minha vida. Mas com ela, ninguém mexe. Ninguém.

Do outro lado, o silêncio voltou, mais pesado.

— Não me ameace. — a voz respondeu, agora mais fria. — Você esquece com quem está falando?

Marcelo fechou os olhos por um segundo.

— Não. — disse. — Eu lembro todos os dias.

Milena observava a expressão dele mudar. Não ouvia as palavras, mas reconhecia aquela rigidez. Algo naquela ligação estava muito errado.

— Eu precisava te lembrar, Marcelo. Você continua insistindo nesse erro. — a mulher prosseguiu. — Não importa quantas vezes eu diga, quantas vezes eu deixe claro… eu nunca vou aceitar Milena com você.

Marcelo abriu os olhos de novo. O olhar estava duro, perigoso.

— Você não tem mais esse direito. — rosnou.

A risada veio novamente, dessa vez mais baixa.

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