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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 63

Milena ia insistir, a pergunta já se formando outra vez nos lábios, mas desistiu, o peito estava apertado demais para qualquer interrogatório.

Com as horas passando Milena era observada de perto. Médicos e enfermeiras estavam a todo momento de olho em qualquer alteração.

A médica retornou acompanhada de uma enfermeira. Marcelo se levantou imediatamente, ele sabia ler mesmo sem palavras quando algo não estava bem.

— Doutor De Valliérie, podemos conversar um instante? — a médica perguntou, direcionando-se a ele. — Ali fora.

Milena franziu a testa.

— Aconteceu alguma coisa com os meus filhos? — perguntou, tentando se erguer um pouco na maca.

— Fique tranquila. Não é nada grave. — respondeu a médica com naturalidade treinada. — É só um ajuste de orientações.

Marcelo se aproximou de Milena antes de sair, inclinou-se e tocou o rosto dela com cuidado.

— Já volto, amor. — disse baixo.

Ela assentiu, embora a inquietação estivesse evidente.

No corredor, a médica fechou a porta com cuidado antes de falar. O tom dela mudou, ficando mais sério, mais técnico.

— Eu não quis comentar isso na frente da Milena porque o estado emocional dela está interferindo diretamente na pressão arterial. — explicou. — Ela já chegou aqui sob estresse e medo extremo, e a ligação de mais cedo deixou as emoções dela ainda mais alteradas.

Marcelo escutou com atenção. O aperto no peito veio sem aviso.

— Adianto que os quatro bebês estão bem. — continuou a médica. — Batimentos normais, movimentos adequados, sem sinais de sofrimento fetal. Porém… — ela fez uma pausa curta, escolhendo as palavras. — A princípio acreditamos que pudesse evoluir com o passar o tempo … mas a bebê, está abaixo do peso esperado para a idade gestacional.

O maxilar de Marcelo se contraiu.

— É grave? — perguntou, direto.

— Ainda não. Mas exige atenção absoluta. Em gestações múltiplas, isso pode acontecer, especialmente quando a mãe está sob pressão emocional constante.

Marcelo passou a mão pelo rosto, respirando fundo.

— O que precisa ser feito?

— Primeiro, reduzir imediatamente a carga horária de trabalho e se necessário de estudo. — disse ela. — Nada de jornadas longas, nada de estresse desnecessário. Repouso relativo, alimentação rigorosamente controlada, acompanhamento semanal.

Ela manteve o olhar firme nele.

— Qualquer sinal fora do padrão, como dor, sangramento, contrações, tontura, alteração de pressão, vocês voltam imediatamente ao hospital. Sem esperar.

Marcelo assentiu sem hesitar.

— Ela vai cumprir tudo. — afirmou. — Eu garanto.

A médica o observou por um instante antes de responder.

— Eu espero que sim. Porque, apesar de ela ser forte, o corpo está pedindo limites. E agora não é só sobre ela.

— E com os meninos?

— Os três estão como esperado.

Marcelo fechou os olhos por um segundo e respirou aliviado apesar da preocupação.

— Obrigado por falar comigo.— disse.

A médica assentiu e seguiu para outros pacientes.

Marcelo ficou parado no corredor por alguns segundos. Ele voltou para o quarto com passos firmes.

Milena o observava com atenção demais para alguém que “não precisava se preocupar”.

— O que foi? — perguntou imediatamente.

Ela assentiu, sonolenta. Os medicamentos começavam a fazer efeito. O corpo finalmente cedia depois de horas de tensão.

O quarto ficou em silêncio. Milena dormia profundamente quando algo a despertou, um cheiro de perfume forte, que ela não reconhecia. O coração acelerou antes mesmo de abrir os olhos.

Ela respirou fundo, tentando se convencer de que era só imaginação, efeito do cansaço. Mas o cheiro continuava ali.

Milena abriu os olhos e percebeu que havia alguém ao lado da cama. Ela se sentou num impulso, o movimento brusco fazendo o soro balançar.

— Quem é você?! — perguntou, a voz saindo rouca, assustada.

A mulher não se moveu de imediato. Vestia um vestido vermelho justo, elegante demais para um hospital. Os cabelos ruivos caíam em ondas suaves sobre os ombros. A pele era clara, quase pálida. E os olhos azuis intensos e vazios.

Por um segundo longo demais, Milena teve a sensação perturbadora de estar olhando para um reflexo distorcido de si mesma.

A mulher sorriu devagar. Um sorriso calculado, frio, sem alcançar os olhos.

— Nossa… — disse, inclinando levemente a cabeça. — Que recepção calorosa.

Milena engoliu em seco, o coração martelando no peito.

— Como você entrou aqui? — perguntou, tentando manter a voz firme. — Cadê o segurança?

A mulher riu baixo, como se aquilo fosse uma piada íntima.

— Relaxa, querida. — respondeu. — Eu só queria te ver. Nada mais.

Milena puxou o cobertor instintivamente, o corpo inteiro em alerta.

— Me ver? — insistiu. — O que você quer comigo?

A mulher suspirou, levando a mão ao próprio peito, fingindo ofensa.

— Depois de tudo… — disse, com um tom quase teatral. — Eu viajo horas pra te ver… e você nem me reconhece?

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