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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 64

O sorriso da mulher permaneceu ali, suspenso, como se esperasse algo que Milena não conseguia entregar.

Ela franziu levemente a testa, sentindo um incômodo estranho crescer dentro do peito. Não era reconhecimento. Era algo mais difuso, como uma sensação antiga tentando emergir sem conseguir se formar por completo.

— Eu… — Milena começou, mas a frase morreu antes de ganhar corpo.

A mulher pareceu perceber. Com um gesto lento, quase calculado, levou a mão até os cabelos ruivos e os colocou atrás da orelha, expondo o lado do pescoço.

Foi então que Milena viu. Uma marca de nascença delicada, em tom levemente mais escuro que a pele clara, desenhando algo que lembrava uma flor imperfeita, orgânica, quase como uma tatuagem natural.

O mundo girou. O ar ficou pesado demais, o quarto pareceu se inclinar. Milena sentiu o estômago revirar e uma pressão súbita tomar conta da cabeça.

Ela não sabia quem aquela mulher era. Mas sabia que já tinha visto aquela marca em algum lugar.

A sensação veio como um choque silencioso. Um déjà-vu agressivo, sem imagem, sem nome, sem explicação. Apenas a certeza desconfortável de que aquilo não era novo.

A mão de Milena apertou o lençol com força.

— Eu… eu conheço isso… — murmurou, mais para si mesma, a voz falhando.

A mulher sorriu. Dessa vez, o sorriso foi diferente. Sutil. Vitorioso.

— Conhece? — perguntou, suavemente. — Que bom saber disso.

Os batimentos cardíacos de Milena aceleraram de forma abrupta. O monitor começou a apitar mais rápido, denunciando o que o corpo já gritava. A pressão subiu quase instantaneamente, e a respiração tornou-se curta, descompassada.

— Para, me fala quem é você… — Milena sussurrou, levando a mão à barriga. — Por favor…

As pernas ficaram fracas, e uma onda de náusea a atravessou. O quarto parecia distante, como se ela estivesse sendo puxada para dentro de si mesma.

A mulher deu um passo para trás. Por um segundo, seus olhos perderam o brilho calculado e revelaram algo próximo da hesitação. Aquilo não tinha saído como ela esperava.

— Acho que não é um bom momento... — disse, fria, ajeitando o vestido. — Você sempre foi sensível demais.

Ela se virou rapidamente e saiu do quarto, os passos ecoando pelo corredor.

No mesmo instante, a porta se abriu com força.

— Milena! — a médica entrou quase correndo, seguida da enfermeira. — Olha pra mim, respira comigo!

O cheiro do perfume ainda pairava no ar quando a médica começou a agir com rapidez, ajustando os equipamentos, verificando pressão e batimentos.

— Pico emocional intenso. — murmurou. — Muito intenso.

Milena chorava sem saber por que. As lágrimas escorriam silenciosas enquanto o corpo tremia.

— Aquela mulher… — tentou dizer. — Aquela marca… eu já vi…

— Agora não, querida. — a médica interrompeu com firmeza gentil. — Depois conversamos. Foca na respiração.

Foram longos minutos até que os números no monitor começassem a ceder. A pressão baixou aos poucos. O coração desacelerou, ainda irregular, mas menos assustador.

Milena estava exausta quando a porta se abriu novamente.

Marcelo entrou quase correndo. A camisa estava abotoada de qualquer jeito, um botão fora do lugar. Os cabelos ainda úmidos denunciavam que ele tinha saído às pressas da mansão assim que recebeu a ligação.

— Milena… — disse, indo direto até ela.

— Quem era aquela mulher e por que eu acho que já vi aquela marca? — perguntou.

Marcelo voltou a sentar-se ao lado dela.

— Era alguém que não devia ter chegado nem perto de você. — respondeu. — E isso não vai se repetir.— Ele beijou novamente a testa dela.— Prometo.

Assim que saiu do quarto, Marcelo não perdeu tempo. No corredor, encontrou o segurança ainda no posto. Aproximou-se rápido, segurando-o pelo colarinho e prensando-o contra a parede.

— Quanto ela te pagou? — perguntou, com a raiva brilhando nos olhos. — Quanto custou pra você trair minha confiança?

— Senhor Marcelo, eu juro que…

— Você deixou ela entrar no quarto da minha mulher grávida! — rosnou.— Eu te contratei para protegê-la.

A médica surgiu imediatamente.

— Marcelo! — advertiu. — Você esqueceu o que conversamos? Qualquer estresse agora pode colocar tudo em risco!

Ele fechou os olhos por um segundo e soltou o homem com um empurrão.

— Que sorte você tem filho da puta. Some da minha frente. Se cruzar na mesma rua que eu, de um jeito de desaparecer. Porque não garanto que você fique bem.

O segurança saiu quase correndo.

Marcelo pegou o telefone e fez a ligação sem hesitar.

— Devil. — disse assim que foi atendido. — Quero saber onde Sabrina está se escondendo. Agora. E quero saber por que ela veio atrás da Milena.

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