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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 64

Do outro lado da linha, o advogado hesitou por um segundo longo demais.

— Heitor... — o tom de Shirley soou cauteloso. — Eu já verifiquei isso depois que seu avô me ligou. Infelizmente, não temos o registro desse dia.

Heitor franziu o cenho, o maxilar travando.

— Como assim não têm? Seu escritório vive se gabando de ter o melhor sistema de segurança da cidade.

Shirley pigarreou, claramente desconfortável.

— Houve uma falha técnica inesperada. O servidor onde as imagens ficam armazenadas por 90 dias apresentou um problema de sobrecarga naquela semana. Tudo daquele dia foi perdido. Não tem backup. Já chamei a empresa responsável e eles confirmaram que o disco rígido onde estavam os arquivos foi corrompido completamente.

Heitor ficou em silêncio por alguns segundos, sentindo o sangue ferver.

— Falha técnica? — repetiu, a voz baixa e perigosa. — Conveniente demais.

— Também achei estranho...

— Espera... meu avô te ligou, você disse? — Heitor interrompeu, o tom afiado como lâmina. — Quando exatamente?

Shirley hesitou novamente.

— Ontem à noite. Ele me pediu para verificar os arquivos. Disse que era só precaução.

Heitor soltou uma risada baixa, sem qualquer humor.

— Precaução. Claro.

Ele encerrou a ligação sem se despedir, jogando o celular com força sobre o sofá. Danilo, que observava de longe, deu um passo à frente.

— O que aconteceu?

— As câmeras do dia que a barriga de aluguel esteve no escritório de Shirley sumiram como num passe de mágica. — Heitor passou a mão pelo rosto, os olhos brilhando de fúria contida. — E meu querido avô já tinha ligado antes de mim para “verificar”.

Danilo que estava com os ombros tensos soltou um suspiro baixo.

— Ele... deve estar protegendo a garota.

— Proteger do que? Sou algum assassino e não estou sabendo? — perguntou Heitor, virando-se para a janela novamente. A chuva ainda caía forte lá fora. — Me diz quem é essa garota, Danilo. Por que ele a protege tanto assim... e por que pareceu que Sophia e ele estavam discutindo? De onde eles se conhecem.

Danilo sustentou o olhar por um instante, mas logo desviou. Conhecia Heitor tempo suficiente para saber que, quando ele entrava nesse modo, não parava até conseguir respostas. O problema era que a verdade era mais complicada que ele imaginava.

— Eu não sei todos os detalhes...— mentiu, escolhendo as palavras com cuidado. — Seu avô sempre foi reservado com os assuntos pessoais. Talvez ela tenha trabalhado para a família antes, ou talvez tenha algum tipo de dívida com ele. Você sabe como Richard é... coleciona favores como se fossem ações na bolsa.

Heitor estreitou os olhos.

— E o senhor está me tratando como criança. — rebateu Heitor. — Primeiro contrata uma barriga de aluguel em segredo, depois apaga provas. E nada me tira da cabeça que o senhor que trouxe Sophia para dentro da minha casa para cuidar da minha filha sabendo o quanto ela me odeia... O que exatamente o senhor quer com isso tudo?

Richard tomou um gole lento, observando o neto por cima do copo.

— Estou protegendo o futuro dessa família. Algo que você parece disposto a destruir por causa de uma obsessão. Sophia é sua funcionária agora. Ela precisava de um emprego e eu arrumei. Nada além disso. E a mãe de Aurora... ela não faz mais parte da equação.

Heitor sentiu uma inquietação, como se uma peça importante do quebra-cabeça estivesse bem na sua frente e ele não conseguisse enxergar.

— E se eu decidir que quero conhecer essa mulher? — provocou.

Richard sorriu de lado, um sorriso frio.

— Você pode tentar. Mas vai descobrir que ela não quer ser encontrada. Algumas portas, quando fechadas, devem permanecer assim.

O velho virou-se para sair, mas parou na porta.

— Ah, e Heitor... concentre-se no que importa. Aurora precisa de estabilidade. Não de um pai confuso correndo atrás de fantasmas.

Assim que Richard saiu, Heitor ficou olhando para o espaço vazio. Danilo permanecia em silêncio, mas sua expressão dizia mais do que palavras.

— Ele está jogando com todos nós... — murmurou Heitor, quase para si mesmo. — Mas o jogo está prestes a mudar.

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