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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 74

Durante a primeira semana, Kethelyn observou mais do que falou. Ela era levada pela enfermeira até a sala todos os dias, posicionada perto da janela, sempre com o rosto pálido e a manta nas pernas.

Milena quase sempre estava na cozinha. Às vezes sozinha. Às vezes com Lívia, que falava baixo e se movia com cuidado excessivo. Milena tornou-se mais retraída dentro da mansão. Preparava o café, cortava frutas, apoiava o corpo na bancada quando o peso da barriga cobrava pausa.

Kethelyn reparava em tudo. No jeito como Milena segurava a xícara com as duas mãos. No cuidado automático com o próprio corpo. Na forma como Lívia perguntava se ela estava bem antes de qualquer outra coisa.

Quando Milena percebia a presença da cadeira de rodas, mudava de ambiente. Subia para o quarto, ia para o jardim. Se recolhia na biblioteca. Sempre que a via mantinha o sorriso discreto.

Nunca havia confronto ou cena. E isso incomodava Kethelyn mais do que qualquer coisa. Kethelyn pensou que estar ali traria brigas entre Marcelo e ela, mas se frustava cada vez mais ao perceber que Marcelo se dedicava completamente por Milena.

Durante as refeições, Milena comia mais cedo. Quando precisava passar pela sala, fazia isso rápido, o olhar sempre baixo. Não buscava disputar atenção ou espaço.

Marcelo quase não aparecia durante o dia, o trabalho no hospital, na universidade e às vezes na empresa do avô, demandava muito dele. Quando aparecia, procurava Milena primeiro. Falava com ela antes de qualquer coisa. Só depois perguntava para a enfermeira se Kethelyn precisava de algo.

Já com Marcelo, Kethelyn apelava, chorava assim que o via, sabia exatamente o horário que ele chegava ou saía. Mantinha o papel da mulher ferida e doente. Mas entre suas diversas tentativasde chamara atenção dele, a que mais incomodava Marcelo era que ela sempre colocava roupas provocantes e sensuais.

Era seis horas da noite, Milena estava no quarto, em frente ao espelho, tentando amarrar o laço do vestido quando ouviu a porta se abrir.

Marcelo entrou devagar, ainda de camisa social, a gravata solta no pescoço. O cansaço do dia estava no rosto, mas sumiu no instante em que a viu.

Ele se aproximou por trás, passou os braços pela cintura dela e a puxou com cuidado contra o peito.

— Hum, como eu estava com saudade da minha princesa. — murmurou, encostando o rosto no pescoço dela.— Está muito cheirosa.

Milena sorriu no reflexo do espelho.

— Eu também estava com muita saudade de você. — respondeu baixo.

Ela se virou de frente para ele. Marcelo segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou devagar, sem pressa. Um beijo longo, calmo.

— Passei o dia inteiro pensando em você. — disse, com a testa ainda encostada na dela.

— Ah, é? E o que pensou? — Milena perguntou, sorrindo.

— Que eu tenho muita sorte em ter você na minha vida.

Marcelo desceu o olhar e percebeu que ela estava arrumada demais para ficar em casa.

— Vai sair? — perguntou.

— Vou ver meu pai. — respondeu. — Faz dois dias que não passo lá. Quero ficar um pouco com ele.

Marcelo assentiu, sem demonstrar surpresa.

— Quer que eu vá com você?

Milena balançou a cabeça de leve.

— Não precisa. Você acabou de chegar, está cansado. E… — hesitou um segundo. — Seus amigos comentaram que talvez passassem aqui mais tarde. Vai ser bom se distrair um pouco com eles.

Marcelo observou o rosto dela por alguns segundos, como se tentasse ler algo que ela não dizia.

— Tudo bem. — respondeu por fim. — Eu vou estar aqui quando você voltar.

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