Antes que Marcelo respondesse, Thomas falou, sem medir as palavras.
— E não é qualquer mulher. — disse. — É o rosto que você sempre venerou, que você deixou claro que amava.
O silêncio caiu pesado. Marcelo levantou o copo e virou o whisky de uma vez, sentindo o álcool queimar a garganta.
— Não fala merda. — murmurou.
Thomas não recuou.
— Eu estou mentindo? — perguntou — Você esqueceu como ela chegou até você? As circunstâncias? Ver a Kethelyn todos os dias, ainda mais agora, deixa qualquer pessoa mal. Ainda mais uma grávida.
Marcelo apoiou o copo vazio no balcão com força.
— Milena nunca foi uma substituta. — disse, a voz firme, baixa. — Nunca.
Alan e Thomas se entreolharam.
— Como assim? — Alan perguntou.
Marcelo passou a mão pelo rosto, cansado.
— Eu fiquei com a Kethelyn por causa da semelhança com a Milena. — confessou. — Não o contrário.
Thomas arregalou os olhos.
— Você tá falando sério?
— Sempre estive. — Marcelo respondeu. — Como sabem, eu conheci a Milena antes. Muito antes. Mas nunca pude me aproximar.
— Por quê? — Thomas insistiu.
— Thomas! — Alan advertiu o irmão sabendo do motivo.
Marcelo hesitou por um segundo, depois falou.
— Você sabe, por causa da Sabrina. — disse. — Das ameaças. Das chantagens. Ela tinha poder demais sobre mim naquela época. Eu estava preso. Qualquer passo em falso colocaria Milena em risco.
Thomas passou a mão pela nuca, atônito.
— Então você escolheu a Kethelyn…
— Porque era seguro. — Marcelo completou. — Porque ninguém suspeitava. Porque eu podia manter a Milena longe de tudo aquilo e manter a imagem que eu tanto gostava por perto.
Ele serviu outro copo.
— Eu passei anos sendo manipulado. Mantendo distância de quem eu queria de verdade. — continuou. — E quando finalmente consegui me libertar, já era tarde demais pra consertar tudo sem ferir alguém.
Alan ficou em silêncio.
— E a Kethelyn, como ela entra nisso tudo? — perguntou por fim.
Marcelo riu sem humor.
— Ela nunca foi vítima. Só soube usar bem o papel. E também, aquele rosto... não é verdadeiro.
— Do que está falando?— Alan perguntou sem entender.
— Kethelyn nunca foi daquele jeito. Ela sabia da minha obsessão por Milena, unica coisa que parecia de verdade erano cabelo, de resto foi tudo cirurgia para ficar igual a original.
Alan arregalou os olhos impactado.
Kethelyn inclinou a cabeça, analisando-a dos pés à cabeça.
— Ajuda eu não preciso. Mas queria te perguntar. Você não se envergonha? — perguntou com frieza. — De se submeter desse jeito?
Milena franziu o cenho.
— Do que você está falando?
— De se vender. — Kethelyn respondeu, o sorriso se alargando. — Dormir com um homem e aceitar gerar uma criança por dinheiro.— provocou.— Você quer parecer inocente, mas é bem perigosa, Milena.
O frio percorreu a espinha de Milena. ela deu um passo para trás e instintivamente, levou as mãos à barriga.
Kethelyn percebeu. E gostou.
— Está com medo de mim, querida? — provocou.
— Kethelyn, eu não vou entrar nesse jogo. — Milena respondeu, num tom controlado.
Virou-se para descer.
— Tem certeza que ele realmente te ama? — Kethelyn perguntou a olhando fixamente. — Quer apostar comigo?
Milena parou.
— Na boa Kethelyn. Procura ajuda. Você está ficando louca. Isso não é normal.
Kethelyn empurrou a cadeira para frente e, num movimento brusco, se levantou. O corpo rígido, os olhos escuros.
— Louca?— ela gargalhou.— Me diz... em uma queda… — continuou, segurando Milena pelos braços com força inesperada. — Quem tem mais a perder? Você ou eu?

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