Marcelo permaneceu sentado ao lado da cama de Milena por horas. Em algum momento, o cansaço venceu. Ele acabou adormecendo inclinado para frente, o tronco curvado, a testa apoiada na lateral do colchão, ainda segurando a mão dela com firmeza, como se soltá-la fosse perigoso demais.
O quarto estava silencioso, quebrado apenas pelo som ritmado dos aparelhos.
Até que a porta se abriu devagar.
— Senhor Marcelo… — a voz veio baixa, cuidadosa.
Ele despertou num sobressalto contido. O corpo reagiu primeiro, rígido, pronto para se mover, mas ele se controlou no mesmo instante. Não fez nenhum gesto brusco. Sentiu o calor da mão de Milena ainda presa à sua e aquilo o acalmou imediatamente. Levantou o rosto devagar e encontrou a enfermeira parada a poucos passos da cama.
— Desculpa acordar o senhor... — disse ela, gentil. — Mas eu precisava avisar que os bebês já estão estabilizados. Se quiser, posso levá-lo até a UTI neonatal para vê-los.
Marcelo olhou para Milena antes de responder. O rosto pálido, imóvel. Apertou levemente os dedos dela.
— Quero. — disse. — Mas só depois que alguém chegar pra ficar com ela.
— O hospital é seguro, senhor. — a enfermeira tentou argumentar. — Ninguém entra nesse quarto sem autorização.
Ele levantou os olhos para ela. O olhar sério, fechado.
— Eu sei. — respondeu. — Mas prefiro fazer do meu jeito.
Não houve agressividade na voz, Marcelo era conhecido então sabiam que quando ele diz algo não se pode discutir.
A enfermeira sustentou o olhar por um segundo, depois assentiu.
— Tudo bem. — disse. — Vou avisar na UTI.
Ela saiu em silêncio.
Marcelo voltou a se acomodar na cadeira, respirando fundo, até ouvir vozes no corredor. Ele beijou a testa de Milena e saiu do quarto.
Lívia vinha empurrando a cadeira de rodas de Álvaro com pressa visível. O rosto dele estava pálido, as mãos tremiam sobre os braços da cadeira. Ao lado deles vinha Olavo, apoiado na bengala, o semblante fechado, preocupado.
Eles haviam sido avisados apenas naquela manhã por Alan.
Marcelo foi de encontro.
— Minha... Milena… — Álvaro foi o primeiro a falar, a voz falhando. — Onde ela está?
— No quarto, senhor. — Marcelo respondeu. — Ela foi sedada. E está fora de perigo.
O alívio não foi imediato. Álvaro engoliu em seco, os olhos marejados.
— Como isso aconteceu, Marcelo? — perguntou, encarando-o. — Minha filha saiu de casa bem. Como ela foi cair da escada? Ela sempre foi tão cuidadosa.
Marcelo continuou olhando para ele sentindo o aperto no peito aumentar.
— Eu não sei. — disse, com firmeza. — Ainda não sei. Mas já mandei verificarem as câmeras.
Olavo observava tudo em silêncio, o peso da idade e da preocupação evidente nos ombros.
Foi então que uma movimentação diferente chamou atenção no corredor.
Kethelyn surgiu sendo empurrada por Katherine. Havia uma tala visível em seu pé e um dos braços. O rosto estava abatido, os olhos cheios de lágrimas. A expressão perfeita de fragilidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário