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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 80

O desespero tomou conta de Milena. Marcelo levou a outra mão ao rosto dela, segurando com firmeza e carinho ao mesmo tempo, obrigando-a a encará-lo.

— Ei. Ei. — a voz dele falhou, mas se manteve firme. — Está tudo bem. Eles estão bem.

Ela piscou, confusa, como se não tivesse certeza de que tinha ouvido direito.

— Nasceram... mas... ainda não é hora... não é...— repetiu, quase sem som.

— Eu sei, amor. Eles estão lutando pela vida. Estão bem, são fortes. — ele disse, aproximando o rosto.

O corpo dela relaxou de uma vez, como se alguém tivesse retirado um peso imenso de cima do peito. Ela deixou a cabeça cair um pouco para trás no travesseiro, os olhos se fechando enquanto o ar finalmente entrava nos pulmões.

As lágrimas vieram silenciosas, escorrendo pelas laterais do rosto.

Marcelo beijou a testa dela com cuidado, demorando mais do que o necessário. Mesmo ele tentando evitar, suas lágrimas caíram no rosto de Milena.

— Não chora, amor... eu estou bem.— ela sussurrou.

— Eu achei que ia te perder. Perder todos vocês. — confessou Marcelo em um sussurro quebrado.

Ela apertou a mão dele com a pouca força que tinha.

— Eles… estão onde?

— Na UTI neonatal. — respondeu. — São pequenos. Muito pequenos. Mas são tão fortes.

Milena respirou fundo mais uma vez. Algum tempo depois, quando ela já estava um pouco mais desperta, Marcelo pegou o celular. Aproximou a cadeira da cama e se sentou ao lado dela novamente.

— Quer ver eles?

O coração dela disparou.

— Quero.

Ele iniciou o vídeo com cuidado, ajustando o volume. A imagem demorou um segundo a aparecer. Quando apareceu, Milena prendeu a respiração.

— Esse aqui é o Leon. — Marcelo apontou, a voz suave, quase sorrindo. — Já nasceu bravo. Vive se mexendo.

Milena levou a mão à boca, os olhos cheios de lágrimas.

— Esse é o Dominic. A enfermeira disse que ele e Leon são gêmeos idênticos.

Marcelo pausou o vídeo para ela ver direito.

— São tão lindos...— ela murmurou.

Marcelo sorriu e deu o play novamente.

— E esse é o Mason. Dorminhoco. Igual à você.

Ela soltou um pequeno riso entre lágrimas.

— E essa é a nossa Vallentina … — ele hesitou por um segundo. — Assim como o nome, ela é valente e lutadora.

O sorriso dela vacilou. O peito da pequena subia e descia com mais esforço.

O medo atravessou Milena de novo, silencioso e gelado.

— Ela… — a voz falhou.

O avô de Marcelo se aproximou depois. Tocou de leve o braço dela.

— Acabamos de ver as crianças. Esses meninos e essa menina puxaram a mãe. A beleza toda veio de você. — disse, com um orgulho silencioso.

— Vê se pode.— Marcelo resmungou com um sorriso torto.

— Deixa de ser ciumento meu neto. — Olavo disse com um sorriso caloroso.— Eles parecem um pouquinho com você também. Mas não se iluda tanto.— brincou fazendo Marcelo revirar os olhos.— Brincadeiras a parte. Vocês formam uma família linda. A família que eu sempre sonhei para você.

Marcelo sorriu com o coração pesado. Milena esticou a mão e entrelaçou os dedos nos de Marcelo.

A visita foi breve. Respeitosa. Quando saíram, o quarto voltou ao silêncio quase absoluto.

Milena fechou os olhos por alguns segundos. Quando os abriu novamente, percebeu que Marcelo continuava ali, imóvel. O olhar distante. Carregado.

Ela conhecia aquele silêncio, sabia que ele estava esperando o momento certo para falar.

— Você quer descansar? — ele perguntou, mesmo sabendo a resposta.

Ela negou com a cabeça.

— Não… — a voz saiu baixa. — Já dormi o suficiente.

Marcelo respirou fundo. Passou a mão pelo rosto, como se estivesse organizando os pensamentos.

— Amor… — começou devagar. — Eu preciso te perguntar uma coisa.

O coração dela acelerou no mesmo instante.

— Quando você caiu… — ele continuou, escolhendo cada palavra. — o que realmente aconteceu?

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