O desespero tomou conta de Milena. Marcelo levou a outra mão ao rosto dela, segurando com firmeza e carinho ao mesmo tempo, obrigando-a a encará-lo.
— Ei. Ei. — a voz dele falhou, mas se manteve firme. — Está tudo bem. Eles estão bem.
Ela piscou, confusa, como se não tivesse certeza de que tinha ouvido direito.
— Nasceram... mas... ainda não é hora... não é...— repetiu, quase sem som.
— Eu sei, amor. Eles estão lutando pela vida. Estão bem, são fortes. — ele disse, aproximando o rosto.
O corpo dela relaxou de uma vez, como se alguém tivesse retirado um peso imenso de cima do peito. Ela deixou a cabeça cair um pouco para trás no travesseiro, os olhos se fechando enquanto o ar finalmente entrava nos pulmões.
As lágrimas vieram silenciosas, escorrendo pelas laterais do rosto.
Marcelo beijou a testa dela com cuidado, demorando mais do que o necessário. Mesmo ele tentando evitar, suas lágrimas caíram no rosto de Milena.
— Não chora, amor... eu estou bem.— ela sussurrou.
— Eu achei que ia te perder. Perder todos vocês. — confessou Marcelo em um sussurro quebrado.
Ela apertou a mão dele com a pouca força que tinha.
— Eles… estão onde?
— Na UTI neonatal. — respondeu. — São pequenos. Muito pequenos. Mas são tão fortes.
Milena respirou fundo mais uma vez. Algum tempo depois, quando ela já estava um pouco mais desperta, Marcelo pegou o celular. Aproximou a cadeira da cama e se sentou ao lado dela novamente.
— Quer ver eles?
O coração dela disparou.
— Quero.
Ele iniciou o vídeo com cuidado, ajustando o volume. A imagem demorou um segundo a aparecer. Quando apareceu, Milena prendeu a respiração.
— Esse aqui é o Leon. — Marcelo apontou, a voz suave, quase sorrindo. — Já nasceu bravo. Vive se mexendo.
Milena levou a mão à boca, os olhos cheios de lágrimas.
— Esse é o Dominic. A enfermeira disse que ele e Leon são gêmeos idênticos.
Marcelo pausou o vídeo para ela ver direito.
— São tão lindos...— ela murmurou.
Marcelo sorriu e deu o play novamente.
— E esse é o Mason. Dorminhoco. Igual à você.
Ela soltou um pequeno riso entre lágrimas.
— E essa é a nossa Vallentina … — ele hesitou por um segundo. — Assim como o nome, ela é valente e lutadora.
O sorriso dela vacilou. O peito da pequena subia e descia com mais esforço.
O medo atravessou Milena de novo, silencioso e gelado.
— Ela… — a voz falhou.

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