Marcelo observou seu silêncio, com um toque delicado segurou o rosto dela, encarando fixamente seus olhos.
— Amor … foi a Kethelyn?
O nome atravessou o peito dela como uma lâmina. A imagem veio inteira: os dedos apertando seus braços, o sorriso frio, o vazio atrás dela. Seu coração disparou. Ela desviou o olhar e engoliu em seco antes de responder.
— Eu… não lembro direito.
Marcelo franziu o cenho.
— Não lembra?
Milena olhou para a porta, como se esperasse que alguém estivesse ouvindo. A mão foi instintivamente à barriga.
— Não quero falar sobre isso... agora. — sussurrou. — Por favor.
Ela se virou com um pouco de dificuldade e o quarto estava em silêncio outra vez.
Marcelo a observou por longos segundos. Depois assentiu lentamente.
— Tudo bem. — disse, embora estivesse claro que não acreditava completamente. — Quando você estiver pronta, vou estar aqui para te ouvir. Só peço que não tenha medo. Eu vou te proteger seja de quem for.
Ele segurou a mão dela com mais força. Ela fechou os olhos e adormeceu pouco depois da conversa com Marcelo. O corpo exausto finalmente cedeu, pesado demais para sustentar qualquer outro pensamento. A respiração era rasa, irregular, mas constante.
Marcelo ficou com ela todo tempo, mas por distração acabou derrubando o café que bebia na roupa.
— Mas que droga!— murmurou irritado.
Ele a olhou e rapidamente, levantou em silêncio e entrou no banheiro do quarto. O som da torneira era baixo, abafado pela porta fechada. Ele demoraria poucos minutos. Queria apenas lavar o rosto, afastar o cansaço, limpar a camisa antes de voltar para ao lado dela.
Foi nesse intervalo que a porta se abriu. Passos leves atravessaram o quarto.
Os olhos de Milena se abriram lentamente, ainda confusos pelo sono. A primeira coisa que viu foi uma silhueta branca inclinada sobre ela.
A enfermeira tinha cabelo escuro preso sob a touca, máscara cobrindo metade do rosto, óculos de grau escondendo os olhos. Tudo parecia normal apesar da aproximação.
Milena piscou, tentando focar a imagem, a enfermeira estava em silêncio, próxima demais dela.
— Oi, ja está na hora dos remédios? — murmurou Milena, com a voz fraca.
A mulher se inclinou um pouco mais, com o olhar frio e vazio.
O instinto de Milena dizia para ela que aquilo estava errado. Ela sabia o protocolo que os enfermeiros precisavam seguir, e a atitude daquela mulher não era nada profissional. Seu coração disparou de forma violenta. Milena abriu a boca e soltou um grito baixo, curto, mas agudo o suficiente para cortar o silêncio do quarto.
— Ah!
No mesmo instante, a mão da enfermeira se fechou com força em seu braço. Os dedos apertaram num ponto sensível e machucado, fazendo Milena prender a respiração.
— Não grita. — a voz veio baixa, distorcida pela máscara, mas conhecida demais.
O sangue gelou. Milena arregalou os olhos ao ver um fio vermelho sair de baixo dos escuros.
— Katherine... o que faz aqui? — sussurrou.
— Que bom que me reconheceu. Só vim avisar que se você disser qualquer coisa… — começou, aproximando o rosto do dela. — mínima que seja sobre o que aconteceu naquela escada… não será com você que vou acertar as contas. Eu desconto minha raiva nos seus filhos.

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