No dia seguinte Milena foi finalmente levada para o banho. Colocaram um pijama quente e confortável, seu cabelo foi lavado e secado.
Marcelo havia se encarregado de tudo, uma nova equipe médica estava a atendendo, seguranças novos na porta. Mas parecia que por mais que ele tentava protegê-la, mais as coisas saiam fora do controle. Ele percebia que cada vez mais que não podia confiar em ninguém, que parecia que estava cercado de traidores.
Milena nem imaginava que por trás da tranquilidade que Marcelo queria passar, escondia uma angústia e medo real. Ele estava se sentindo incapaz, mas mesmo assim sorria para não deixá-la preocupada.
Milena insistiu inúmeras vezes para ver os filhos. A enfermeira tentou explicar que ainda não era o ideal, que ela precisava descansar, que o corpo estava frágil. Milena ouviu tudo em silêncio, mas não cedeu.
— Só alguns minutos. — pediu, a voz baixa, firme apesar do cansaço. — Eu preciso ver meus filhos. Você vai comigo. Se eu fizer algo que possa me prejudicar, você me trás imediatamente.
Depois de uma troca rápida de olhares entre a equipe médica, e Marcelo, concordaram.
A cadeira de rodas foi posicionada ao lado da cama. Marcelo ajudou com cuidado, como se cada movimento pudesse quebrá-la. Milena respirou fundo quando sentiu o corpo sair pela primeira vez do quarto desde o parto. As pernas tremiam, o coração batia acelerado.
O corredor parecia longo demais. O som das rodas ecoava baixo pelo chão claro. O cheiro de hospital estava mais forte ali. Milena segurava o braço da cadeira com força. Quando pararam diante do vidro da UTI neonatal, o mundo ficou pequeno.
Ela viu primeiro os fios. Depois os aparelhos. Só então enxergou os corpos minúsculos, tão pequenos que parecia impossível que fossem seus.
A mão foi direto à boca. Os olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante.
— São eles… — sussurrou, quase sem voz.— Nossos filhos.
Marcelo se aproximou por trás, colocando a mão no ombro dela.
— Sim, amor... nossos pequenos.
A enfermeira abriu a pequena portinhola do vidro.
— Só um pouquinho. — avisou.
Milena estendeu a mão com cuidado extremo. Os dedos tremiam quando tocaram a pele delicada de Leon primeiro.
— Oi, meu amor… — murmurou, sentindo o peito apertar.— Logo você e seus irmãos sairão daqui.
Ao lado estava Dominic e Mason. As mãozinhas fechando de leve ao redor do dedo dela, um reflexo simples, mas suficiente para fazê-la chorar. As lágrimas caíam silenciosas, escorrendo sem que ela tentasse conter.
Por fim, Vallentina.
Milena aproximou a mão com ainda mais cuidado. Tocou o rostinho da filha por poucos segundos, quase sem encostar de verdade. A pele era macia e frágil demais.
— Mamãe está aqui. — disse, a voz quebrada. — Seja forte, filha...

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