Kethelyn piscou, sem entender de imediato, mas com aquele frio na barriga pelo medo de Milena ter dito alguma coisa, persistia em aparecer.
— Como...? Você está me expulsando?
Marcelo a olhou por um curto segundo e caminhou até a janela, puxou levemente a cortina, depois voltou o olhar para ela.
— É isso mesmo que você ouviu. Você vai sair da minha casa hoje. — completou. — Agora.
O sorriso dela morreu, as mãos tremeram levemente.
— Aconteceu alguma coisa? Por que assim tão de repente?— perguntou apertando a mão uma na outra.
— Você acha mesmo que sou algum idiota?— ele perguntou cruzando os braços.
Ela tremeu por completo.
— Eu... eu não sei por que está agindo assim.
— Vou ser franco, Kethelyn. Mesmo que não tenha nada que te incrimine, nada me tira da cabeça que você está envolvida na queda de Milena. E para eu não fazer merda, é melhor você ir embora. E, se eu confirmar minhas suspeitas, não vou responder por mim.
— Você não pode estar falando sério... — disse, com a voz trêmula, mas com um suspiro aliviado. — Eu estou machucada, Marcelo. Nem se eu quisesse prejudicar a Milena eu conseguiria. Você precisa me deixar ficar aqui. A Milena...
— Não ouse falar o nome dela. — a voz dele foi baixa, mas firme.
Kethelyn engoliu em seco.
— Você não pode me expulsar assim. — a voz subiu um tom. — Eu faço parte da sua vida Marcelo. Lembra tudo que vivemos? Como você pôde esquecer aquele carinho que sentia por mim?
Marcelo deu um passo à frente.
— Já fez parte. Hoje não mais. Meu carinho por você morreu no momento em que usou algo que sabe que me feriu para chantagear.
Ela sentiu o estômago revirar.
— Para onde eu vou? — perguntou, num fio de voz, tentando manter o controle. — Você não vai me mandar pra casa da minha mãe, vai?
Ele a encarou sem qualquer emoção.
— É exatamente pra lá que você vai. Estou disposto a te dar o valor que quiser, você vai poder fazer seu tratamento com os melhores profissionais. Mas não dá para torturar minha mulher com sua presença.
Kethelyn fingiu tentar ficar de pé com dificuldade, mas acaba se jogando no chão de forma dramática. Seus cabelos caíram em seu rosto, as lágrimas rolavam sem esforço.
— Não. — disse, rindo de nervoso. — Não, não, você não pode fazer isso comigo. Você está exagerando, tirando conclusões precipitadas. Olha pra mim. Quem vai querer uma inválida como eu? Você me deve isso. Foi por sua culpa que estou assim.
Marcelo deu um sorriso sarcástico, colocou as mãos no bolso e a encarou.
— Você tem vinte minutos para tirar tudo que é seu da minha casa. — informou. — Um carro já está esperando.
O desespero começou a aparecer, esquecendo até mesmo de agir como frágil e sem os movimentos das pernas. Por uma fração de segundo a perna direita dela deu um impulso para levantar.
Marcelo percebeu no mesmo instante. Suas mãos se fecharam em punho.

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