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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 85

A pergunta ficou suspensa no quarto vazio.

Heitor continuou observando a fotografia por alguns segundos antes de colocá-la de volta na cômoda.

O sono já havia desaparecido completamente.

Caminhou até a janela e ficou olhando a cidade silenciosa lá embaixo. A cabeça parecia um campo de batalha. Todos os problemas se misturavam de uma vez só. E agora tinha mais essa dúvida. Parecia que quanto mais tentava resolver as coisas com Sophia, mais mistério surgiam.

— Eu vou sair louco dessa história.— murmurou com um suspiro pesado.

Quando voltou para a cama, percebeu que a gaveta ainda estava aberta. Abaixou-se para fechá-la. Foi então que viu uma pasta azul escura presa no fundo.

Ele franziu a testa estranhando. Não parecia algo que Sophia costumava guardar ali.

Puxou a pasta devagar, alguns documentos escorregaram parcialmente para fora. Seu olhar caiu sobre um timbre médico. Depois algumas assinaturas. Não entendeu imediatamente do que se tratava, a iluminação do abajur era fraca e ele estava sem os óculos de leitura.

Quando abriu a primeira página, ouviu uma batida rápida na porta.

Heitor ergueu os olhos.

— Entra.

Hugo apareceu no quarto usando uma camiseta larga e o cabelo bagunçado de quem também não tinha conseguido dormir direito.

— Ouvi um barulho. Achei que tivesse acontecido alguma coisa.

As palavras morreram quando seus olhos encontraram a pasta nas mãos de Heitor. Por uma fração de segundo, Hugo ficou pálido. Tão rápido que outra pessoa talvez nem percebesse.

Mas Heitor percebeu. Os dois ficaram se encarando.

Hugo foi o primeiro a desviar o olhar.

— Está tudo bem?

— Sim.

Heitor observou a reação dele por mais um instante e ergueu a pasta.

— Estava procurando água e encontrei isso.

Hugo atravessou o quarto sem pressa aparente.

— Ah, isso?— Pegou a pasta da mão dele com naturalidade.— O lugar disso não era nem para estar aqui.

Hugo a segurou por alguns segundos, observando a capa como se confirmasse alguma coisa. Os dedos dele apertaram a pasta um pouco mais forte do que o necessário. Foi um gesto rápido, mas suficiente para chamar a atenção de Heitor.

— O que é isso?

— Você chegou ler?

— Só li a capa, parece ser sobre um contrato de confidencialidade.

— O que ele quis dizer? O que Sophia tem de tão grave para me contar que Hugo parece tão preocupado?

Heitor apoiou os cotovelos nos joelhos e fechou os olhos.

De tudo o que tinha imaginado ao longo dos dias, de todas as teorias que construiu para explicar algumas atitudes de Sophia, nenhuma chegava nem perto da verdade. E isso o incomodava. Heitor sempre encontrava respostas. Era o que fazia melhor. Mas com Sophia parecia estar sempre um passo atrás.

Quando percebeu, a escuridão da madrugada começava a desaparecer. A claridade azulada do amanhecer atravessava as cortinas. Em algum momento os primeiros pássaros começaram a cantar do lado de fora. Ele nem percebeu quanto tempo tinha ficado sentado ali.

Heitor levantou devagar. O corpo protestou antes do primeiro passo, seus ombros estavam doloridos. Os nós dos dedos ardiam. O supercílio latejava. Ele caminhou até o banheiro e abriu a torneira. A água fria escorreu pelo rosto. Permaneceu alguns segundos inclinado sobre a pia, respirando fundo.

O choque da temperatura ajudou a afastar o sono, mas não levou embora nenhuma das dúvidas.

Ao erguer a cabeça, encontrou o próprio reflexo. O hematoma já começava a aparecer abaixo do olho. O corte acima da sobrancelha estava avermelhado.

Parecia tão cansado quanto se sentia. Lentamente passou a mão pelo rosto molhado. Não havia mais para onde correr.

Valter tinha deixado isso muito claro. As ameaças haviam chegado longe demais. Sophia tinha o direito de saber toda verdade. Principalmente sobre a mãe.

Mesmo que depois disso nunca mais quisesse olhar para ele da mesma forma.

Heitor encarou o próprio reflexo mais uma vez. Então soltou o ar devagar e murmurou para si mesmo.

— Não dá mais para adiar.

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