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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 86

Milena sentou-se na grama do jardim do condomínio, as costas encostadas na base de uma árvore antiga.

Ela aproveitava o sol da tarde. No carrinho duplo à sua frente, Vallentina e Dominic estavam deitados de barriga para cima, os olhinhos arregalados fixos no céu. As nuvens passavam lentas, brancas e fofas, e os dois bebês pareciam hipnotizados. De vez em quando, um gorgolejo escapava, seguido de um risinho borbulhante que fazia o coração de Milena apertar de ternura.

Os bebês haviam completado seis meses naquela semana. Parecia que tinha sido ontem que ela os segurava pela primeira vez, minúsculos, frágeis, conectados a máquinas que apitavam sem parar. Hoje eles estavam rechonchudos, com bochechas que davam vontade de morder, perninhas grossas chutando o ar de pura energia contida.

Dentro do apartamento, Lívia e a babá cuidavam de Mason e Leon, que tinham mamado e caído no sono pesado da tarde.

Ela se inclinou sobre o carrinho, o rosto perto dos bebês.

— Olha só você, Dominic… — murmurou, passando o dedo de leve na testa dele, afastando um fio de cabelo escuro que caía sobre os olhos. — Cada dia mais igual ao seu pai. Esses cabelos pretos, esses olhos que parecem dois poços fundos… Quando você olhar pra alguém assim, meu filho, a pessoa vai esquecer o próprio nome.

Dominic virou o rostinho na direção da voz dela, como se entendesse, e soltou um gritinho alegre, batendo as mãozinhas no colchão do carrinho. Milena riu baixo.

— E você, minha Vallentina… — Ela virou-se para a menina, que já estava com os dedinhos na boca, babando feliz. — Tem o nariz do vovô. Olha essa boquinha, esse jeitinho de franzir quando quer atenção.

Vallentina respondeu com um gorgolejo longo, quase uma conversa, e esticou os bracinhos na direção da mãe. Milena pegou uma das mãozinhas e beijou a palma macia.

— Vocês são perfeitos, sabiam? Os quatro. Não trocaria vocês por nada nesse mundo.

Os bebês riram juntos, como se concordassem. Milena ficou ali, falando baixinho com eles, contando histórias bobas sobre o dia, sobre como o pai deles tinha prometido chegar cedo hoje, sobre como o bisavô ia trazer um presente novo no fim de semana. Era um ritual que ela adorava.

Foi então que percebeu o movimento pelo canto do olho. Uma mulher caminhava pelo caminho de pedras que cortava o jardim. Salto alto clicando no chão, vestido preto justo, cabelos ruivos impecáveis caindo em ondas perfeitas. Milena franziu a testa, os raios do sol cegavam seus olhos, tentando identificar. Quando a mulher chegou mais perto e ergueu o rosto, o reconhecimento veio de imediato.

— Kethelyn.— ela sussurrou.

O corpo de Milena ficou tenso na mesma hora. A memória voltou inteira: a escadaria da mansão, o empurrão violento, a queda interminável, a dor lancinante na barriga, o medo absoluto de perder os bebês. Ela quase morreu naquela noite. Eles quase morreram. E agora a mulher que causou tudo aquilo estava ali, sorrindo com aquele deboche que Milena conhecia bem demais.

Os dois seguranças que acompanhavam Milena discretamente já se aproximavam, passos rápidos e silenciosos. Eles pararam a poucos metros, um de cada lado, mãos próximas do coldre, olhos fixos em Kethelyn.

Kethelyn parou a uma distância segura, cruzou os braços e inclinou a cabeça, analisando o carrinho.

— Olha só… os bastardinhos já estão grandinhos. Seis meses, né? Até pensei que eles não passariam do primeiro mês.

Milena se levantou devagar, posicionando o corpo exatamente na frente do carrinho. Escudo vivo. Os olhos dela eram gelo puro.

— Tire ela daqui. — disse aos seguranças, voz baixa e controlada.

Kethelyn ergueu uma das mãos, como quem pede trégua.

— Calma, Milena. Eu não vim brigar. Vim porque tenho algo sério pra te contar. Algo que você precisa saber.

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