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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 88

Depois da última frase de Kethelyn, o mundo pareceu perder o som por alguns segundos. Milena olhou para os filhos como se buscasse forças para se manter de pé. Vallentina e Dominic se mexiam no carrinho, alheios a tudo. Mas para ela, algo tinha quebrado de um jeito que não dava para juntar.

Ela continuou parada por alguns segundos, imóvel, o corpo rígido. Os seguranças se aproximaram com cautela.

— Senhora Carlson … está tudo bem? — perguntou um deles, atento demais ao rosto dela.

Milena piscou algumas vezes, como se estivesse acordando de um transe. Olhou para o carrinho novamente, ajeitou a manta de Dominic.

— Está tudo certo. — respondeu, a voz rouca e baixa. — Vamos subir.

Eles trocaram um olhar rápido entre si. O outro segurança pigarreou.

— Aquela mulher… a senhora sabe que precisamos comunicar o ocorrido ao senhor Marcelo...

Milena parou de andar. Virou-se devagar, encarando os dois. O olhar vazio, distante, ardendo em lágrimas.

— Não. — disse, sem elevar a voz. — Não comentem nada. Com ninguém. Pelo menos por agora.

— Senhora… — tentou o primeiro.

— Não se preocupe. Eu vou falar com ele. — completou. — Mas não hoje. Isso é algo delicado. Eu não sei como ele pode agir diante disso.

Houve um segundo de hesitação. Depois, os dois assentiram.

— Será como a senhora desejar.

Ela voltou a empurrar o carrinho. Cada passo parecia automático. O corpo seguia, mas a mente estava presa em outro lugar, em imagens que insistiam em voltar, em palavras que ecoavam como uma tortura contínua.

"Tudo foi por sua culpa "

E a culpa caiu inteira sobre os ombros dela. Milena subiu o elevador com os bebês, limpou os olhos, se olhou pelo reflexo do metal, abanou o rosto com as mãos tentando secar os olhos. Disfarçar a dor. Assim que as portas se abriram, entrou no apartamento, cumprimentou quem cruzou pelo caminho com um aceno discreto. Tudo parecia normal para quem via de fora.

Mas Álvaro assim que encontrou os olhos da filha sentiu que algo estava errado.

— Filha? — chamou, se aproximando. — Aconteceu alguma coisa?

Milena parou por um instante. O pai segurou a mão dela com cuidado, sentiu o frio nos dedos.

— Você está pálida.

Ela demorou um segundo a responder. Forçou um sorriso que não alcançou os olhos.

— Não é nada, pai. — disse. — Só estou um pouco cansada.

Álvaro franziu a testa.

— Tem certeza?

— Tenho. — respondeu rapidamente. — De verdade.

Ela puxou a mão com delicadeza, inclinou-se para beijar o rosto dele e voltou a empurrar o carrinho.

Lívia observava tudo do outro lado da sala. Algo no jeito de Milena andar, no silêncio pesado, a deixou inquieta.

— Mi? — chamou. — Você quer que eu fique com eles enquanto você descansa?

— Não precisa. — respondeu, sem parar. — Já vamos embora.

— Claro. Mas se precisar desabafar, estou aqui.

Ela sorriu, seguiu de cabeça baixo pelo corredor, entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si. Ligou o chuveiro e entrou de roupa e tudo. A água fria bateu no rosto, no cabelo, escorreu pelo corpo. Ainda assim, não foi suficiente para apagar a sensação de sujeira que sentia. O peito apertou. A respiração ficou curta. As imagens voltaram. O vídeo. O quarto escuro. O menino amarrado. O rosto perverso da mulher. Milena levou a mão à boca e um soluço escapou.

— Maldita… — murmurou, a voz quebrada. — Você é um monstro.

As pernas falharam. Ela escorregou até sentar no chão do box, abraçando os próprios joelhos. A água continuava caindo, misturando-se às lágrimas que agora vinham sem controle.

— A mulher que me preocupei, que esperei por mais de 14 anos... é um monstro… — repetiu, como se precisasse ouvir em voz alta para acreditar.

O choro veio forte, profundo, daqueles que doem no corpo inteiro. O peito ardia. A cabeça parecia pesada demais. Ela ficou ali por longos minutos. Talvez mais. Não saberia dizer. O tempo parecia distorcido.

Até ouvir um barulho do lado de fora. Passos que conhecia bem. Logo o barulho da fechadura da porta do banheiro tentando ser aberta. A porta estava trancada. Era a primeira vez que ele encontrava aquela porta fechada.

— Amor? — a voz de Marcelo soou abafada, preocupada.

Ela congelou. O coração disparou.

— Milena? — chamou de novo. — Você está no banho?

Milena respirou fundo, puxando o ar com dificuldade. Passou a mão no rosto, tentando conter o choro que ainda ameaçava escapar.

— Já estou saindo. — respondeu, a voz rouca, mas controlada o suficiente para não levantar suspeitas.

Houve uma breve pausa do outro lado da porta.

— Está tudo bem? — ele perguntou.

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