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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 89

Milena desligou o chuveiro com dedos trêmulos. A água ainda escorria pelo corpo, fria agora, mas ela não sentia mais nada. Enrolou-se na toalha branca, apertou o tecido contra o peito. Respirou fundo, olhou-se no espelho embaçado, passou a mão para limpar um pedaço de vidro. Os olhos vermelhos a encararam de volta. Não dava para esconder aquilo.

Abriu a porta do banheiro devagar. O quarto estava silencioso. Percorreu os olhos pelo espaço e notou na mesma hora: os berços estavam vazios. O silêncio era quebrado apenas pelo som distante, vindo da babá eletrônica no criado-mudo. Lívia cantava baixinho uma canção de ninar antiga. Milena fechou os olhos por um segundo.

Com a mão no peito, deu um longo suspiro. Não tinha coragem de encarar Marcelo. Mas ele estava ali se aproximando com passos leves contra o carpete. Antes que ela pudesse se virar completamente, braços fortes a envolveram por trás. Ele a puxou contra o peito, o queixo encaixado no ombro dela, lábios quentes encontrando a curva do pescoço. Um beijo lento, carinhoso, daqueles que normalmente a faziam derreter.

— Você demorou. — murmurou ele contra a pele úmida. — Não via a hora de te ver abrindo aquela porta e te abraçar.

Milena ficou rígida. O abraço dele era o que ela precisava sentir. Mas as imagens voltaram como força: o quarto escuro, o menino amarrado, a mulher que ela chamava de mãe rindo baixo enquanto…

Ela virou o rosto devagar, mas evitou os olhos dele. Fixou o olhar no chão, nas próprias mãos que seguravam a toalha com força demais.

Marcelo estranhou o silêncio. Afastou-se um pouco, o suficiente para girá-la nos braços. Quando viu o rosto dela, franziu a testa.

— Amor… — Segurou o queixo dela com delicadeza, erguendo o rosto. — Olha pra mim.

Milena até tentou. Conseguiu por meio segundo. Os olhos dele eram profundos e expressivos. Mas agora ela via outra coisa ali. Via o menino de treze anos. Via o medo. Via o que a mãe dela tinha feito. Via a dor. E mesmo tentando evitar o estômago revirou de novo.

As lágrimas encheram os olhos antes que ela pudesse impedir.

Marcelo segurou o rosto dela com as duas mãos, polegar limpando uma lágrima que escorreu.

— Amor… o que aconteceu? Lívia disse que você está calada desde que chegou. Fala comigo.

Ela balançou a cabeça devagar. Não conseguia responder. Se falasse, tudo desabaria. O relacionamento. A família. A confiança. Como contar ao homem que ama que sabe que a mãe dela, que ele foi covardemente abusado.

Em vez de responder, Milena se inclinou e o beijou. Foi um beijo desesperado, molhado de lágrimas. Os lábios tremiam contra os dele. Ela segurou a nuca dele com força, como se pudesse se agarrar a ele e impedir que o mundo desmoronasse. Marcelo correspondeu no início, surpreso, mas logo sentiu o gosto salgado das lágrimas. Parou o beijo, afastou o rosto apenas o suficiente para olhar para ela.

As mãos dele voltaram ao rosto dela, segurando firme.

— Milena… — A voz saiu rouca de preocupação. — Me diz o que tá acontecendo. Você tá me assustando.

Ela forçou um sorriso. Fraco, trêmulo, mas era o que conseguia oferecer.

— Eu só… te amo demais. — A voz falhou no final. — Só isso.

Depois pegou Dominic, sentou-se na poltrona de amamentação com os dois no colo. Mason e Leon esticaram os bracinhos na direção dele, impacientes. Marcelo riu baixo, inclinou-se e pegou os dois também. De repente estava com os quatro no colo, um em cada braço, os outros dois apoiados nas pernas. Os bebês riam puxando a camisa dele.

— Eu amo isso. — disse ele, olhando para eles com os olhos brilhando. — Amo essa bagunça. Amo sair de um dia estressante no trabalho e encontrar esses quatro pedacinhos de gente que a gente fez. Amo essa família que a gente construiu. Vocês são tudo pra mim. Tudo.

Milena ficou parada na porta, ela havia colocado somente o roupão, cruzou os braços sobre o peito olhando para ele. Via o homem que amava brincando com os filhos. Via o sorriso aberto, o jeito carinhoso com que segurava cada um, o cuidado em não deixar ninguém escorregar. Via o pai que eles mereciam.

E o peito dela apertou tanto que doeu. Porque, no fundo, ela sabia que parte daquela história talvez não fosse só deles. Que talvez o passado tivesse entrado naquela casa de um jeito que ninguém poderia consertar.

As lágrimas voltaram, silenciosas. Ela se aproximou devagar, sentou-se no braço da poltrona. Passou o braço pelos ombros dele, encostou a testa na lateral da cabeça dele.

Marcelo virou o rosto, beijou a têmpora dela.

— Te amo... — sussurrou.

Milena fechou os olhos. Uma lágrima escorreu pela bochecha e caiu no ombro dele.

— Eu também. — respondeu, tão baixo que quase não saiu.

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